Rocketman é a melhor cinebiografia musical da história?

Nos últimos anos, se tornou cada vez mais comum produções cinematográficas que contam a história de grandes personalidades da música. Queen, Elvis, N.W.A, Amy Winehouse, Tina Turner e, neste ano, Michael Jackson. Os exemplos são quase infinitos.
No entanto, a qualidade das produções varia bastante. Tem aquelas que optam por emocionar o público com a trajetória de superação dos astros, algumas apostam no magnetismo das músicas e pouco exploram as falhas dos biografados, enquanto outras seguem um caminho totalmente diferente. E Rocketman, para mim, é um desses ótimos exemplos.
O que a faz tão especial
Retratar a vida de Elton John não é uma tarefa simples. O astro do pop tem suas peculiaridades e tem a vida dividida em duas grandes fases – um claro, antes e depois. Rocketman decide pela fase mais caótica, o antes, o início da sua trajetória na música.
Com Elton John (interpretado pelo excelente Taron Egerton) descobrindo a sexualidade e também conhecendo o universo no qual passa a habitar, a produção mistura o realismo fantástico com dramas reais vividos pelo cantor. Eis aqui o primeiro ponto que merece destaque: a originalidade.
Rocketman aposta no período que o artista é mais errático, em especial nos relacionamentos pessoais e profissionais. Elton John aprende a desvendar os bastidores da música e entender como conciliar este crescimento para um super astro com família, amigos e interesses amorosos – sem contar os traumas do passado. Ou seja, ainda que mostre a genialidade dele, principalmente nas performances no palco, a trama não deixa a desejar com relação aos problemas vividos pela estrela.
O que, em muitos casos, me incomoda nessas biografias. Afinal, cantar as músicas e reconhecer grandes shows e momentos da carreira é tranquilo, os bastidores, as falhas, é que precisam também serem retratadas nessas grandes produções.
A música
Este é um musical. Diferente de Bohemian Rhapsody, por exemplo, que apenas traz Freddie Mercury e o Queen cantando em estúdios ou shows, em Rocketman a música faz parte de diferentes momentos da trama. É aquela tradicional pausa em um diálogo para começar a cantoria. Mas acredite, ela é inserida de forma natural e muito fluída – exemplo clássico é a sequência da canção que dá nome ao filme, no terceiro ato.
E, na minha opinião, Rocketman tem algo que falta na maioria das produções do gênero. O ator protagonista, Taron Egerton realmente canta. E muito bem, por sinal. Além da caracterização física e de trejeitos do biografado, a interpretação musical de Egerton dá um charme a mais para a produção.
Vale a pena?
Ô, e como vale. Em meio a tantos artistas mais conhecidos no Brasil, a cinebiografia de Elton John passou mais despercebida no radar. Contudo, ela é uma das melhores do século e merece sim maior atenção do público. Talvez não seja a melhor da história, mas entra no panteão das de melhor qualidade, sim. É um filme psicodélico e meio maluco, mas apaixonante.
Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
Últimos posts
Séries18 de maio de 2026Heartstopper é um fôlego positivo em meio a tantas produções como Euphoria
Filmes18 de maio de 2026Crítica | Devoradores de Estrelas (2026)
Filmes4 de maio de 2026Crítica | O Diabo Veste Prada 2
Séries25 de abril de 2026Crítica | Jovem Sherlock (2026)




