Crítica | O Diabo Veste Prada 2

A atual moda de Hollywood é resgatar franquias de 20 anos atrás e entregar filmes que, em sua maioria, apostam exclusivamente na nostalgia para engajar o público. Por vezes, nem precisam ser franquias, apenas produções isoladas de sucesso. Neste cenário, nasceu O Diabo Veste Prada 2, novamente protagonizado por Meryl Streep e Anne Hathaway.
Admito que não esperava tanto e fui surpreendido. O retorno destes sucessos, ultimamente, não passam de caça-níqueis, voltados a levar o público ao cinema, sem ter uma história para contar. O Diabo Veste Prada 2 não tem a trama mais original da história, mas acerta em cheio em apostar na atual realidade vivida pelo jornalismo e pela moda, e não apenas em reviver momentos marcantes do passado. O Entre Sinopses já assistiu e traz, em detalhes, tudo que você precisa saber. Vale a pena?
O reencontro
Duas décadas se passaram desde que Andy (Anne Hathaway) trabalhou para Miranda (Meryl Streep). Agora, ela se tornou uma renomada jornalista e Miranda encara uma crise institucional e o declínio da revista Runway. O reencontro ocorre após a demissão de Andy do jornal onde trabalhava, o The Vanguard, e a necessidade de uma gestão de crise na Runway. Niegel (Stanley Tucci) e Emily (Emily Blunt) também retornam.
Esta é a justificativa para unir o elenco original. Ela não é muito original, assim como a competição necessária para manter a Runway ativa. No entanto, as tramas se encaixam e os diálogos são tão convincentes, que o público facilmente vai ‘aceitar’ as motivações.
É possível dividir o longa em dois. A primeira parte é dedicada à reunião, com as belas tiradas de Miranda ao não lembrar de Andy (está no trailer) e também repetindo cenas do antecessor. Depois, quando Emily entra em cena, a trama começa a mudar.
Mas, na verdade, um acontecimento na metade da rodagem é o responsável por alterar completamente o enredo. A partir disso, é uma luta contra o tempo para salvar a Runway e a carreira de Miranda.
Jornalismo e moda
Diferente do primeiro, que era uma ode à moda, este tem maior foco no jornalismo. Somos inseridos neste meio editorial que convive com a necessidade de engajamento em sites e redes sociais, a falta de publicidade e as adaptações para ‘viralizar’ ao invés de criar um conteúdo relevante.
A moda acaba ficando secundária, com pitadas em determinados momentos. Ainda assim, o glamour percorre todo o longa, com figurinos incríveis e a aparição especial de personalidades do meio. Além disso, é válido citar a adaptação ao politicamente correto, com tiradas excelentes dos produtores.
Amari (Simone Ashley), a nova assistente de Miranda, é a responsável por frear a protagonista quando ela passa dos limites aceitos em 2026. Vale para abusos e pressões no trabalho, vale para estilo de moda e perfil das modelos.
As três locações, e destaque para as cenas filmadas na Itália, dão um frescor de realidade nesta Hollywood que tanto opta por filmar dentro de estúdios. Foi um dos charmes do filme para mim.
O carisma do elenco de O Diabo Veste Prada
O quarteto protagonista carrega o filme. Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci parecem que não envelheceram um dia sequer desde o primeiro longa. Estão tão magnéticos quanto antes, em personagens que são extremamente carismáticos.
O mesmo não dá para dizer de BJ Novak e Justin Theroux, responsáveis por dois personagens caricatos de jovem bilionários. Ainda assim, e somadas às participações especiais, o elenco é o principal responsável pela qualidade do filme e por garantir o excelente resultado nas bilheterias.
Vale a pena ver O Diabo Veste Prada?
Gostei de O Diabo Veste Prada 2. Ele foge da fórmula simples do sucesso, para contar uma história atual com personagens carismáticos. Quem é fã do primeiro filme, com certeza vai se apaixonar novamente pela trama e gostará bastante deste segundo. Aliás, nem é necessário assistir ao primeiro para ver este segundo, que funciona apesar do primeiro – ainda que tenha diversas referências e notáveis tramas que só são absorvidas por quem conhece o primeiro.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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