Crítica | Jovem Sherlock (2026)

Eu fui surpreendido. Quando os primeiros trailers de Jovem Sherlock começaram a passar pela minhas redes sociais, até fiquei curioso sobre a série da Amazon Prime Video. No entanto, demorei a iniciar e, sinceramente, não esperava algo tão criativo e surpreendente.
Sempre fui um fã dos livros de Arthur Conan Doyle e, quando adolescente li diversas histórias de Sherlock Holmes. Também devorei a série protagonizada por Benedict Cumberbatch e gostava, com parcimônia, dos filmes protagonizados por Robert Downey Jr. Contudo, nos últimos anos, com lançamentos como Enola Holmes, que apenas utilizavam o nome do personagem para trazer uma aventura genérica, fiquei com o pé atrás.
E agora, Jovem Sherlock nos entrega uma série bem inovadora ao apresentar um versão jovem adulta do famoso detetive. E ai, vale a pena?
Trama frenética
Dirigido por Guy Ritchie (Magnatas do Crime, Snatch e Sherlock Holmes), Jovem Sherlock acompanha o início da trajetória do personagem. Em uma trama que mistura a apresentação do núcleo central, formado por Sherlock, Mycroft e o famoso vilão James Moriarty – aqui, ainda amigo -, somos imersos no primeiro caso a ser desvendado pelo protagonista.
A início, parece que envolve uma grande conspiração, com assassinatos e riscos à nível mundial. No entanto, com o decorrer dos episódios, entendemos que o que os produtores querem é contar os meandros da família Holmes – bem problemática, falando nisso.
Para unir esses dois núcleos, o pai de Sherlock, Silas, é apresentado. Tenho opiniões mistas sobre este personagem, ainda que seja cheio de camadas e um vilão bastante interessante, parece que a série muda demais o foco quando ele aparece. Admito que gosto da trama que envolve ele, mas prefiro os primeiros episódios desta temporada.
Nos primeiros cinco episódios, a dupla Sherlock e Moriarty é apaixonante. Os dois se complementam com perfeição e a maneira como vão desvendando os mistérios é enervante. A cada nova descoberta, fiquei com os olhos grudados na tela para tentar entender a teia que uniria todas as pontas. Inclusive, a presença de Sho’Un também é cativante, essencial para o desenvolvimento da trama central.
Após a entrada de Silas, a trama fica menos criativa. O objetivo é mostrar como nem sempre podemos confiar na família e o mistério passa a integrar este núcleo familiar. São boas ideias e tem uma meta clara para desenvolver os protagonistas, principalmente Sherlock e Moriarty, mas podiam ter sido melhor trabalhadas.
É preciso esclarecer que, caso você espere grandes mistérios, bem desenvolvidos e aprofundados, não irá encontrar aqui. A trama é interessante e chamativa, mas as resoluções são mais simples e rápidas, com pouco tempo para os personagens realmente pensarem nos mistérios.
Além disso, a recriação de época, dessa Inglaterra dos anos 1800 é muito boa. Assim como a breve passagem pela França na era da revolução.
O que esperar da segunda temporada de Jovem Sherlock?
Com um gancho forte e uma boa recepção, o primeiro ano garantiu, ao menos, uma segunda temporada no Prime Video. Assim como já foi antecipado pela produção, o objetivo será desenvolver a relação entre Sherlock e James Moriarty, que ainda flertará com essa amizade e início de rivalidade. Outros nomes recorrentes também devem retornar, como os irmãos Holmes, Beatrice e Mycroft.
No entanto, fica a curiosidade sobre o rumo que será tomado. Além da rivalidade, também é necessário aprofundar o Sherlock como este gênio que conheceremos no futuro e destrinchar suas técnicas de investigação.
Vale a pena ver Jovem Sherlock?
Gostei bastante da temporada. Ela não é extremamente inovadora, mas consegue cativar com uma história diferente deste personagem que já ganhou tantas adaptações. Com personagens carismáticos e uma trama coesa, apesar de algumas fragilidades e simplificações, possivelmente você também ficará imerso neste início de trajetória do clássico Sherlock Holmes.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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