Sherlock Holmes lembrando que nossos pais são seres humanos

Sherlock Holmes lembrando que nossos pais são seres humanos

O Jovem Sherlock Holmes me fez pensar em algumas coisas. Todo mundo passa, em algum momento, pelo choque de perceber que os pais são seres humanos comuns e não os super-humanos com habilidades especiais que imaginávamos. Volto atrás: eles até demonstram forças quase sobre-humanas em certos momentos, mas, no geral, são tão falhos quanto nós. E isso, inevitavelmente, impressiona.

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Cuidado: este texto pode conter spoilers sobre a série Jovem Sherlock e o filme Aftersun.

Enquanto assistia a Jovem Sherlock — recente adaptação de um dos detetives mais famosos da ficção lançada pelo Prime Video —, me deparei com uma cena marcante. Em determinado momento, Sherlock (interpretado por Hero Fiennes Tiffin, de After) revisita memórias de infância que já lhe são familiares. No entanto, ao olhá-las novamente, sob outra perspectiva, ele se depara com algumas decepões.

Essa cena me levou diretamente ao filme Aftersun, um longa aparentemente simples, mas que se torna devastador quanto mais refletimos sobre ele. O peso emocional da narrativa está justamente na relação entre memória, infância e a forma como enxergamos nossos pais ao longo do tempo.

Não quero entregar spoilers, mas, se você já assistiu a Jovem Sherlock ou a Aftersun, provavelmente entende esse sentimento. Caso contrário, vale a reflexão: quantas vezes você revisitou, com olhos adultos, percepções que tinha quando criança? E quantas dessas revisões mudaram completamente o seu entendimento da vida, especialmente em relação aos seus pais?

Complicado, né? Vamos com calma.

Quando somos crianças, naturalmente compreendemos muito pouco sobre a vida e sobre os “porques” que nos cercam. Isso nos leva a interpretações limitadas e, muitas vezes, equivocadas. É normal. É comum. É humano.

Ainda assim, muita coisa fica guardada: flashes, memórias, lapsos. Quando não estão totalmente vivos na mente, fotografias e vídeos ajudam a reconstruir essas lembranças. E, nesse processo, revisitá-las pode nos revelar quem nossos pais eram, ou são, e por que tomavam determinadas decisões, sejam elas boas ou ruins.

Voltando a Aftersun: a protagonista relembra um verão de férias com o pai. Na época, ela não compreendia bem algumas atitudes dele. Anos depois, ao revisitar fotos e vídeos, passa a perceber detalhes antes invisíveis, sinais de um quadro depressivo, agravado por dificuldades financeiras.

Nossos pais são nossos primeiros super-heróis, especialmente quando precisamos de ajuda, o que, convenhamos, acontece durante boa parte da vida. Mesmo na fase adulta, quando conquistamos certa independência, ainda buscamos neles orientação, apoio emocional e direção.

E é justamente nesse caminho que percebemos: eles choram, mentem, falham, erram, se perdem, se encontram, acertam, conquistam. Assim como nós — crianças tentando entender o mundo —, eles também estavam (ou estão) tentando dar sentido às próprias vidas quando cometeram erros ou fizeram escolhas difíceis.

O ponto é simples, mas profundo: existe, sim, um lado quase sobre-humano nos nossos pais e talvez seja bonito continuar enxergando isso, enquanto for possível. Mas, acima de tudo, eles são humanos. Tão humanos quanto nós.

Sobre o Autor

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Ana Cláudia Oliveira
Jornalista de formação, sou redatora há 10 anos. Já escrevi de tudo um pouco e agora estou mergulhando no universo do entretenimento. Há muito o que se descobrir por aí e é através da comunicação que quero fazer isso: this is the way!

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