Crítica | Enola Holmes 3

Chegamos à terceira aventura focada na irmã mais nova de Sherlock Holmes, Enola. Com inspiração nos livros escritos por Nancy Springer, a franquia da Netflix traz Millie Bobby Brown (Stranger Things) no papel principal e Henry Cavill vivendo o detetivo mais famoso da literatura.
Após dois bons filmes, neste terceiro capítulo acompanhamos uma Enola mais adulta e prestes a casar com Tewkesbury. No entanto, quando está partindo para o local onde se casaria em Malta, Enola recebe do Dr. Watson (Himesh Patel) a informação de que Sherlock foi sequestrado. Pouco depois, Lady Tewkesbury (Hattie Morahan) também é raptada. Caberá então a Enola, com ajuda de alguns amigos, descobrir o que aconteceu e salvar seus entes queridos antes que uma tragédia aconteça, ao mesmo tempo em que situações do passado vem à tona e uma maléfica figura volta a assombrar a família Holmes.
Leia a seguir: crítica da 1ª temporada da série Jovem Sherlock
Novos ares, novos mistérios
Após dois filmes usando Londres como ambientação principal, essa terceira aventura vai para Malta e isso traz toda uma ambientação diferente. Saímos da cinzenta capital inglesa para a ensolarada ilha, o que poderia representar também um mistério ainda maior e mais complicado.
No entanto, existe um grande problema que permeia todo o filme: o roteiro. Desde a falta de consequências para uma cerimônia não-realizada, pessoas que chegam e saem de ambientes sem serem percebidas e até mesmo a diversão de acompanhar as capacidades investigativas de Enola aqui é reduzida.
Por outro lado, o filme tenta colocar temas mais sérios como as invasões britânicas a países como o Afeganistão e a própria busca pela independência de Malta. Temáticas que parecem meio deslocadas, mas que acabam sendo o catalisador dos eventos finais do filme.
Falta sensação de urgência
Ao mesmo tempo em que Enola deixa de ir para seu próprio casamento devido ao desaparecimento de Sherlock, ela cai facilmente em armadilhas e desperdiça oportunidades de investigar mais a fundo as poucas pistas que encontra pelo caminho.
Também falta sensação de urgência por trás da grande ameaça, que consegue levar não apenas Sherlock em cativeiro, como também a Lady Tewkesbury, porém nunca encontramos de fato o verdadeiro propósito dessa situação.
Dos três filmes da franquia Enola Holmes, esse é o que tem o pior mistério e as piores investigações, o que é uma pena pois agora deveríamos evoluir ainda mais nesses quesitos.
Também é inconcebível o que fazem com a principal ameaça do filme. Quem conhece a franquia já deve imaginar o responsável por trás dos acontecimentos, e a forma como tal figura é retratada aqui fica muito aquém do que até mesmo já foi construído.
Enola é tão divertida e poderia ter mais espaço para “brincar”
Sem dúvidas Millie Bobby Brown é o destaque da franquia e aqui segue sendo a melhor coisa do filme, mas questiono a decisão de dividir o espaço e tempo de tela dela com tantos outros personagens.
Até mesmo as icônicas quebras da quarta parede aqui são mais tímidas. Ok que a personagem cresceu, está mais adulta e prestes a casar, mas isso não justifica tirarem tanto da parte mais divertida dela.
Em termos dramáticos, o filme não se aprofunda muito em nenhum drama, mas consegue demonstrar bem a fofa história de amor entre Enola e Tewkesbury. As poucas cenas de romance funcionam perfeitamente e fica aquele gostinho de que, talvez o filme pudesse ter investido mais tempo mesclando o relacionamento dos dois com um mistério mais próximo do casal.
Ainda assim, vale a pena assistir?
Mesmo com problemas, Enola Holmes 3 é divertido. Acaba sendo o filme mais fraco da trilogia, mas nem por isso digo que pode passar batido. Se você já gostou dos dois filmes anteriores, não perca essa terceira aventura. Não é a melhor porta de entrada para essa saga, mas serve como um complemento às tramas já construídas até aqui.
Acredito que não fique espaço de forma tão direta para um novo filme, mas não me surpreenderia se em breve a Netflix anunciasse ou o quarto filme da saga principal ou algum derivado focado no Sherlock de Henry Cavill.

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