Crítica | Devoradores de Estrelas (2026)

Vez ou outra, Hollywood ainda consegue surpreender. Foi assim com Devoradores de Estrelas, um daqueles filmes que ninguém sabia muito antes do lançamento e acaba por conquistar o público após a exibição. Protagonizado por Ryan Gosling, a produção nos coloca no centro de uma viagem para salvar o mundo da destruição total.
Com conceitos fidedignos em áreas como astrofísica, química e microbiologia – além de alguns exageros e invenções -, a trama é muito eficiente em nos apresentar algo mais intimista, apesar de toda a urgência da situação. O Entre Sinopses já assistiu e te conta mais sobre Devoradores de Estrelas!
O espaço é fantástico
O professor de ciências Ryland Grace (Ryan Gosling) acorda em uma nave espacial sem nenhuma lembrança de quem é ou como chegou lá. Conforme sua memória retorna lentamente, ele logo descobre que deve resolver o enigma por trás de uma misteriosa substância que se alimenta do sol. Esta substância, chamada de Astrofágico, pode devorar o sol, a partir de Vênus, em até 30 anos – e está fazendo isso com diversas estrelas (daí o nome do filme em português, que no original é Project Hail Mary, algo como Projeto Ave Maria, em tradução livre).
O primeiro aspecto essencial é a forma de narrativa. Ao optar por iniciar com Grace na nave, sem dar muitas explicações, o enredo já capta o espectador pela curiosidade. No desenrolar do longa, que poderia ser monótono em decorrência da locação limitada e de apenas um personagem em tela (calma, vai ter outro), há uma variação entre as linhas do tempo, para contar toda a história de como o protagonista foi parar onde está.
Além disso, o visual é de brilhar os olhos. A originalidade, em especial com relação a nave de um dos personagens, e dos planetas chama a atenção, além de que o espaço é sempre um destino fantástico para produções deste estilo. Nos ambientes internos, destaque para o extraterrestre Rocky (na voz de James Ortiz no original e Heitor Assali no Brasil), uma espécie de pedra com ângulos bem definidos, formato quadrado, mas que exprime carisma em cada situação – é apaixonante. Ele é o grande alívio na solidão de Grase durante a estadia no espaço.
Os efeitos especiais para tornar esta aventura crível também merecem o devido respeito. Longe da artificialidade, tudo parece muito real. Méritos para os responsáveis pelo setor e para quem realizou o design dos elementos.
Uma amizade sem fronteiras
Rocky e Grase são incríveis juntos. No que parecia ser apenas uma busca por um objetivo em comum, se torna em uma das grandes amizades do cinema nos últimos anos. O aprendizado necessário para que ambos consigam desenvolver o diálogo e a conexão no mesmo ambiente mostra como somos pequenos no universo e o quanto podemos aprender – ainda que estejamos falando de uma ficção.
Rocky é o carisma, ainda que seja mais inteligente que Grase e seja retratado, por vezes, quase como um pet para ser mais agradável ao público. Aliás, destaque para Ryan Gosling, que brilha no papel de Grase. É pelos olhos dele que acompanhamos quase 100% da trama e vamos descobrindo, junto do protagonista, como o mundo chegou ao ponto de depender apenas dele (e de dois outros tripulantes que morrem antes de chegar ao destino) para salvar o planeta Terra.
A emoção na relação entre os dois é surpreendente e são diversos os momentos onde os olhos vão marejar com o heroísmo de ambas as partes.
O núcleo no planeta Terra tem seus momentos também. Em especial com relação as reviravoltas que levaram Grase para a nave, um destino com combustível apenas para ida. Sandra Hüller, como a responsável pelo projeto Hail Mary está fantástica como sempre, exibindo a dureza necessária para o programa.
Vale a pena ver Devoradores de Estrelas?
As surpresas da vida e como podemos aprender com ela. Assim é uma das melhores definições para Devoradores de Estrelas. Um filme contemplativo, sem ser chato ou monótono. Carismático, mesmo com elenco reduzido. Espetacular visualmente, ainda que trate de algo pouco mundano. Uma das grandes surpresas do ano até o momento.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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