Heartstopper é um fôlego positivo em meio a tantas produções como Euphoria

O caótico mundo dos anos 2020 é refletido em produções que emulam este cenário. O mais recente caso, envolvendo em especial o universo adolescente, é Euphoria, que tem a terceira temporada em andamento na HBO e sofre com as críticas, desde os primeiros episódios, de utilizar da tática de “chocar por chocar” e não aprofundar de verdade as importantes temáticas envolvidas.
No entanto, Euphoria não é um exemplo isolado. Grande parte das produções voltaram seu olhar para o exagero visual e as situações angustiante, com o objetivo de angariar um público cada vez mais sedento pela insanidade. E assim, a série da HBO tem méritos em diferentes momentos, ainda que não retrate da forma mais fiel a passagem da adolescência para a vida adulta – pelo menos na realidade da maioria dos jovens.
Ainda assim, me cansei de séries nesse estilo. É muito complicado simpatizar com personagens que o fazem ficar irritado ou que buscam, a cada instante, surpreender ou, no mais comum, dar uma lição de moral e apresentar uma realidade muito pesada. Em meio a este ‘detox’, conheci Heartstopper, produção que também aborda o autoconhecimento e as descobertas da vida jovem. E admito que, com algumas ressalvas, a produção me chamou a atenção.
O que faz Heartstopper ser diferente?
Baseada no livro homônimo de Alice Oseman, a produção acompanha o relacionamento entre Charlie (Joe Locke) e Nick Nelson (Kit Connor). Os dois são alunos de uma escola apenas de meninos e descobrem, aos poucos, que não apenas amigos. Charlie é gay assumido, enquanto Nick, o esportista e um dos mais populares da escola, ainda está descobrindo sua sexualidade.
Além disso, completam o grupo Tao (William Gao), Elle (Yasmin Finney), Tara (Corinna Brown) e Darcy (Kizzy Edgell), entre outros personagens relevantes. O romance de Charlie e Nick, que começa como amizade, se desdobra de forma natural, sem forçar ou avançar qualquer etapa. Inclusive, é nítido como, mesmo juntos, Nick ainda tem dúvidas sobre sua sexualidade.
Heartstopper até sofre com alguns clichês, como o bullying na escola e a dificuldade de aceitação de determinados personagens. No entanto, ao contrário de outras produções, este não é o foco central da trama, apenas um apêndice, corriqueiro e que serve para dar prosseguimento em subtramas – assim como os casos de violência que ocorrem.
A produção suaviza este crescimento e autoconhecimento, sem romantizar completamente. Por conta disso, os personagens são bem aprofundados e erram como adolescentes errariam, no processo natural de se entender. Aliás, por vezes você até questiona como os protagonistas tem atitudes tão maduras, mas logo na sequência eles aparecem tão jovens como deveriam ser.
De forma geral, a produção me passou a sensação de calor, afeta e um sentimento positivo. Não que tudo esteja resolvido, mas que nem tudo é tão complicado assim de resolver. Como se o mundo fosse mais leve. São apenas três temporadas, episódios bem curtos e estão todos disponíveis na Netflix, vale a pena dar uma chance.
Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
Últimos posts
Séries18 de maio de 2026Heartstopper é um fôlego positivo em meio a tantas produções como Euphoria
Filmes18 de maio de 2026Crítica | Devoradores de Estrelas (2026)
Filmes4 de maio de 2026Crítica | O Diabo Veste Prada 2
Séries25 de abril de 2026Crítica | Jovem Sherlock (2026)




