Crítica | Pânico 7

Em um gênero onde as franquias são marcadas por sequências intermináveis e de baixa qualidade, tem uma que ainda escapava à regra. Pois bem, com Pânico 7 a saga do assassino Ghostface mostrou que, apesar de demorar sete filmes, finalmente produziu uma continuação que deixa a desejar. Mas, vamos ser sinceros, a produção deste sétimo longa foi o mais puro suco do caos, então é previsível que ele fosse mais fraco que os anteriores.
Ainda assim, mais de US$ 200 milhões nas bilheterias e um relativo sucesso. Baseado em que? Na nostalgia. Pânico 7 aposta, quase que exclusivamente, em revisitar o início da franquia e em mortes cada vez menos criativas. Ainda vale a pena?
Me lembrou Halloween Kills
Após conquistar, com eficiência, um novo público com o ressurgimento da saga em dois longas protagonizados por Melissa Barrera (Sam) e Jenna Ortega (Tara), a saga sofreu um baque gigantesco. Melissa foi demitida por comentários políticos, Jenna abandonou a produção e a direção também foi trocada para esta sequência.
Com isso, os responsáveis apertaram o botão o pânico e trouxeram Neve Campbell, a eterna Sidney Prescott, de volta para a trama. E, basicamente, o enredo gira em torno de uma nova ameaça sob a máscara de Ghostface, com o possível ressurgimento de um vilão dos primeiros filmes.
É tão genérico quanto você está pensando. A trama até tenta utilizar a Inteligência Artificial como arma do vilão para manipular os protagonistas. O objetivo é se vender como moderna e atualizada. No entanto, só fica ainda mais óbvia.
Sabe quando o verdadeiro vilão aparece pela pela primeira vez em tela, como uma pessoa normal, e você tem certeza de que ele ou ela é o assassino, pois bem, é exatamente isso que acontece. Com 15 minutos de filme é possível desenhar o roteiro completo, incluindo quem vai morrer – bom, até aqui sempre é bastante óbvio adivinhar.
Ainda que tenha boas cenas, destaco uma que envolve uma parede e o ataque do Ghostface, durante a fuga e Sidney e sua filha, Tatum (Isabella May), a pouca criatividade da direção, encabeçada por Kevin Williamson, roteirista dos primeiros filmes (que tinham a direção do gênio do terror Wes Craven), estraga completamente a experiência.
Admito que me lembrou bastante Halloween Kills, o segundo da nova trilogia de Michael Myers. Aqui o que é entregue são personagens irritantes, decisões idiotas e mortes inexpressivas. Bem parecido com o que vimos em Halloween, que teve uma continuação pior que a outra. É tudo que a série nunca foi. Aliás, a tão conhecida e marcante metalinguagem foi jogada no lixo nesta sequência.
Pânico vivendo de homenagens?
A trama, feita às pressas, mostra que, nem sempre, apostar na nostalgia resolve todos os problemas. Gail (Courtney Cox) e Stu (Matthew Lillard) estão de volta, em papeis completamente dispensáveis. Até Dewey, interpretado por David Arquette tem uma aparição breve. Sendo que, na verdade, o que os produtores tanto gostariam é que os personagens dos filmes 5 e 6 pudessem retornar.
Vale a pena assistir Pânico 7?
Na minha opinião, não. É uma sequência totalmente dispensável e que fere a trajetória de sucesso desta franquia. A ver como será o futuro a partir de agora, já que os principais responsáveis pela retomada da saga não vão retornar. Para resumir, Pânico 7 é um desperdício de nostalgia.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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