Crítica | Maldição da Múmia

Pelo menos uma vez por mês, algum filme de terror desconhecido chama a atenção do público. Recentemente, um desses exemplos foi Maldição da Múmia, dirigido por Lee Cronin (de A Morte do Demônio: Ascenção), que garantiu sustos e, principalmente, agonia dos espectadores. Pois bem, a produção já chegou aos streamings e é um bom momento para comentar sobre ela.
A trama aposta no terror físico para impressionar. E, utilizando deste aspecto, é bastante eficiente, ainda que caia nos clichês mais conhecidos do gênero, como o final digno de filme de super-herói. Mas, sendo assim, vale a pena assistir Maldição da Múmia?
Religião e nojeira
A filha de um jornalista desaparece sem deixar rastros enquanto ele é correspondente no Egito. Oito anos depois, a família é surpreendida ao receber a notícia de que a filha está viva, mas em uma situação inesperada. Quando retorna para os Estados Unidos, pais e irmãos percebem que Katie (Nathalie Grace) não é mais a mesma.
O diretor irlandês Lee Cronin que, inclusive, assina o título do longa (Lee Cronin’ The Mummy, no original), mostra mais uma vez as marcas que o tornaram conhecido. Quem assistiu ao mais recente A Morte do Demônio: Ascensão (Evil Dead: Rise) está familiarizado com as técnicas apresentadas em Maldição da Múmia. As mutilações, dilacerações e outras formas de violência e terror corpóreos são parte essencial dessa trama.
Possuída por um espírito maligno da antiguidade, a personagem Katie sofre com hábitos inesperados, que incluem agressões e automutilações. Além disso, a trama mostra que a entidade é mais poderosa do que aparentava e que os efeitos serão sentidos por toda a família.
Chama a atenção o excelente trabalho de maquiagem. Como o nojo e as cenas angustiantes precisam ser realistas, os responsáveis pelo setor necessitam de cuidado e atenção. Caso não fossem tão realistas, o peso dramático do contexto em tela perderia boa parte do impacto. E aqui o filme brilha. Não é raro fechar os olhos ou reagir com aquela expressão de nojo em determinadas circunstâncias.
A trama, por si só, é bastante simples. Uma filha amaldiçoada retorna para a família e passa a atormentar a vida dos entes queridos, enquanto eles investigam alguma forma de controlar o mal e salvar a jovem. Em meio a isso, é inserida uma trama religiosa do Egito antigo que serve mais de pretexto para as loucuras que vemos em tela do que realmente traz algo profundo para o roteiro.
O desfecho, cru e violento, também merece destaque. Até porque a última cena, em especial, mostra uma crueldade e senso de justiça até inesperada para o que era apresentado até então.
Erros comuns do terror em Maldição da Múmia
Dois problemas me chamaram a atenção. E eles são bastante comuns em filmes do gênero. O primeiro são as gravações injustificadas, cenas que parecem totalmente aleatórias onde os vilões realizam filmagens comprometedoras. É o momento onde os roteiristas perdem a criatividade e solucionam as dificuldades de investigação com vídeos e cenas que não fazem sentido.
E outro erro crasso do terror é o final ‘X-men’ como gosto de chamar. Quando vira um show pirotécnico de gente voando e poder para um lado e para o outro. Em vez de chocar pela crueldade anterior, a trama opta pelo exagero. Infelizmente, estes momentos perdem o impacto para mim.
Vale a pena ver Maldição da Múmia?
Nojento, sangrento e violento. Assim eu defino Maldição da Múmia (passei o texto inteiro escrevendo com o artigo A na frente, parece que ele faz falta neste título). Um filme com a cara de seu diretor e que, com certeza, vai impactar quem o assistir. Não é inovador, mas muito competente.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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