Crítica | O Drama (2026)

Protagonizado por Robert Pattinson e Zendaya, O Drama chegou aos cinemas neste semestre com uma proposta ousada: desmistificar o romance perfeito. Admito que, com esse elenco estelar e uma premissa intrigante, o longa chamou a minha atenção. Contudo, após assisti-lo, posso cravar sem medo este como uma das principais decepções do ano.
O enredo aposta fichas em diálogos desconfortáveis e cenas constrangedoras. A provocação central é simples: você ainda amaria alguém após saber da pior ação que essa pessoa já cometeu? O Entre Sinopses assistiu ao longa e te conta, em detalhes, se a experiência vale ou não o seu tempo.
Um casamento nada perfeito
Perdidamente apaixonados, Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson) planejam o casamento dos sonhos. No entanto, durante a comemoração após o pedido, junto a um casal de amigos, eles têm a infeliz ideia de brincar de perguntas e respostas. A indagação da vez é: “Qual a pior atitude que você já cometeu na vida?”.
A partir daí, todos revelam atos bastante questionáveis. Mas o balde de água fria vem quando Emma, a última a se pronunciar, revela que, durante a adolescência, planejou um atentado a uma escola – embora tenha desistido antes de executar a ação.
Este segredo impacta imediatamente o casal de amigos e, principalmente, Charlie, que passa a questionar tudo o que conhecia sobre a futura esposa. Ainda assim, em vez de conversarem de forma aprofundada sobre o assunto, eles decidem manter a cerimônia de casamento em pé, mesmo com o fantasma do tema permeando os pensamentos de ambos a cada segundo.
Desconfortável (mas pelos motivos errados)
Além dos temas extremamente sensíveis, as atuações de Pattinson e Zendaya deixam o filme ainda mais difícil de digerir. Os personagens são inconstantes, irritantes e tomam atitudes para lá de questionáveis. Pelo lado positivo, como causar esse incômodo era o objetivo claro do roteiro, a meta é cumprida com precisão.
No entanto, a inconstância dos personagens, em especial a interpretação de Pattinson, tirou um pouco do peso do enredo. São assuntos sérios e pesados sendo debatidos em tela, contudo, o ator está tão over (exagerado) que parece uma caricatura de si mesmo, falhando em entregar o realismo dramático prometido pelo marketing do filme. No final, a forte impressão é de que estamos acompanhando uma sátira involuntária.
E acredito genuinamente que essa não era a meta do controverso diretor Kristoffer Borgli. Pelo contrário, a produção tenta se levar a sério a cada linha de diálogo, mas torna tudo tão superficial e até bobo em determinados momentos que distrai o espectador e sabota o efeito dramático desejado.
Sim, a crítica aos romances tradicionais de Hollywood funciona. Aqui, nada é perfeito como o cinema costuma pintar. A paixão existe, mas os envolvidos são tão problemáticos e disfuncionais que jamais se tornarão uma “meta de relacionamento” para o público.
Apesar de toda a bagunça, o final tenta forçar um tom agridoce, sugerindo um possível encerramento feliz onde o casal simplesmente decide esquecer tudo o que aconteceu. Para mim, este foi mais um erro grave dos produtores – ainda que dê para entender a intenção por trás da crítica social.
Incoerência narrativa de O Drama
Dentre todos os temas debatidos, o impacto maior da revelação recai sobre a cultura do público americano. Ainda assim, há um erro de peso na balança do roteiro: todos os personagens da mesa têm falhas graves e cometeram atitudes altamente questionáveis no passado, contudo, as consequências e o julgamento moral recaem esmagadoramente apenas sobre Emma.
O que me parece totalmente deslocado e injusto dentro da própria lógica do filme. Afinal, ela é a única que, na verdade, não cometeu o ato de fato — apenas o planejou na juventude. Complicado defender as escolhas desse roteiro.
Veredito | Vale a pena assistir a O Drama?
Sendo bem sincero, fiquei profundamente decepcionado. O Drama não entrega o que promete. Trata-se de uma premissa excelente e cheia de potencial psicológico que, infelizmente, perde o tom, se perde nas atuações caricatas e nunca chega a atingir o seu verdadeiro potencial. Se você busca um suspense psicológico instigante, este aqui vai te deixar apenas frustrado.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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