Crítica | Obsessão é o melhor e mais perturbador terror de 2026

Crítica | Obsessão é o melhor e mais perturbador terror de 2026

Finalmente tive a oportunidade de assistir ao elogiadíssimo e aclamado nas bilheterias, Obsessão (2026). Com um roteiro para lá de original, o longa coloca o espectador envolto em uma trama tensa e com diversas reviravoltas.

A produção já ultrapassou os R$ 400 milhões em bilheteria mundial e se tornou o melhor resultado financeiro da história para um filme com orçamento abaixo de R$ 1 milhão — a estimativa aponta para modestos R$ 750 mil gastos durante as filmagens.

Os feitos do filme de Curry Baker não param por aí. Ele também se tornou a maior bilheteria de um longa live-action original, superando o valor arrecadado pelo multi-oscarizado Pecadores. O Entre Sinopses assistiu à produção e te conta, em detalhes, por que ela recebeu todo esse hype e se, sim, vale muito a pena dar uma oportunidade. Spoiler: é a nova safra do terror dando aulas!

Um desejo que dá terrivelmente errado

Bear, interpretado de forma irritantemente precisa por Michael Johnston (e isso não é uma crítica, é elogio ao talento dele), está apaixonado há anos pela melhor amiga, Nikki (Inde Navarette). Contudo, ele não tem coragem de se declarar e passa a viver essa paixão escondido, admirando-a a todo momento.

Em determinado dia, ele decide, finalmente, contar o que sente. Antes do encontro, passa em uma lojinha de itens peculiares e compra um presente para ela: um salgueiro dos desejos. A princípio, parece ser apenas um brinquedo barato.

Após passar a noite no bar com os amigos Sarah (Megan Lawless) e Ian (Cooper Tomlinson), Bear leva Nikki para casa com o objetivo em mente. No entanto, quando ela desce do carro, a coragem some e ele esquece de entregar o presente. É nesse momento que, em um ato impensado, ele segue a orientação mística do objeto, quebra o brinquedo e pede: “Quero que a Nikki me ame mais do que tudo na vida”.

Pois bem, desejo realizado. Parabéns para ele, certo?

Nota: Cuidado com o que você deseja, especialmente no cinema de terror.

Ou nem tanto. Rapidamente, Nikki muda de comportamento e passa a ter um hiperfoco e uma necessidade doentia de estar próxima de Bear. Ele, que tanto sonhou com isso, tem dificuldades de aceitar a mudança no começo, mas com o tempo se deixa levar pela paixão e inicia um namoro com a antiga amiga.

No entanto, não demora para essa paixão se transformar em uma obsessão literal, e Nikki passa a escalonar na insanidade. Ela não consegue passar um minuto longe de Bear, necessita de apoio psicológico e palavras de carinho o tempo todo, não consegue dormir e desenvolve um ciúme doentio pelo protagonista. Bear, ainda assim, tem dificuldade de aceitar que ela não está bem e que a situação é insustentável. Com o tempo, o cenário descamba para a violência física e psicológica.

Uma analogia precisa sobre relacionamentos tóxicos

A estranheza e a esquisitice fazem parte do DNA de Obsessão. Principalmente por conta da atuação visceral de Inde Navarette: ela entrega trejeitos assustadores e explode com uma frequência perturbadora. É, desde já, uma forte candidata a surpreender na temporada de premiações.

Navarette dá o tom para os sustos e para os momentos mais marcantes do filme, transitando de cenas angustiantes até momentos de pura insanidade. Inclusive, a produção assume um ar meio trash em diversos momentos, homenageando clássicos do gênero dos anos 1970 e 1980.

A violência, o sangue e a escatologia também fazem parte do enredo de Curry Baker. O que, inclusive, dá um tom de horror mais purista, já que a trama se propõe a debater temas muito sérios, ainda que por meio de analogias. Vale um elogio especial para a montagem ágil e para a maquiagem impressionante do longa.

A grande originalidade do roteiro está em debater relacionamentos tóxicos usando uma entidade como pano de fundo — uma maldição que assume o corpo de Nikki. O que fica claro durante a projeção é que o desejo egoísta de Bear destrói a vida da garota. Ela nunca esteve apaixonada por ele; pelo contrário, foi tomada por uma força maligna que controla todas as suas ações e aniquila sua identidade anterior.

Enquanto isso, como se mostrou desde o início da projeção, Bear tem dificuldade de encarar o problema de frente. Ele vai “empurrando com a barriga”, como se não fosse o culpado por tudo o que está acontecendo. É uma analogia dolorosamente precisa de diversos relacionamentos abusivos do mundo atual.

Humor e tensão na medida certa

Me chamou a atenção como Obsessão, apesar da temática pesada e das cenas violentas, ainda consegue encaixar alívios cômicos cirúrgicos para quebrar a tensão. Eles dão um plus no filme, pois servem para desarmar o público para, na sequência, entregar outra porrada psicológica. O humor aqui não é simples ou bobo; ele casa perfeitamente com a estranheza da produção e está muito mais próximo do desconforto e da vergonha alheia do que do riso frouxo.

O que significa o final de Obsessão?

Como o final deixa pontas em aberto para o debate posterior, teremos um texto inteiramente dedicado a todas as minhas teorias e interpretações sobre o desfecho da trama. Fique ligado aqui no Entre Sinopses para não perder essa análise nos próximos dias!

Veredito | Vale a pena assistir a Obsessão?

Com certeza! Este é, até o momento, o melhor filme de terror do ano. Uma analogia espetacular para a toxicidade nos relacionamentos modernos, sem abrir mão de um horror corporal e psicológico dos mais marcantes e perturbadores da década.

Cena do filme de terror Obsessão (2026) com a atriz Inde Navarette em uma expressão perturbadora.
OBSESSÃO (2026)
Obsessão, terror de Curry Baker que virou fenômeno de bilheteria, debate relacionamentos tóxicos
4.5

Sobre o Autor

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.

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