Crítica | Emergência Radioativa (2026)

Crítica | Emergência Radioativa (2026)

Envolta em algumas polêmicas, a Netflix lançou a série que pode ser considerada a ‘Chernobyl brasileira’. A referência, comedida dentro das próprias realidades, define Emergência Radioativa, produção que conta o trágico incidente com Césio-137 em 1987, em Goiânia. Este que, até hoje, é considerado o maior desastre radioativo que não envolve uma usina nuclear em todo o planeta.

Com licenças poéticas e muita dramatização, a série é eficiente em apresentar, de forma coesa, um dos momentos mais assustadores e inesperados da história brasileira. O Entre Sinopses já assistiu aos cinco episódios da minissérie e te conta tudo!

Fatos reais

A trama inicia em 1987, quando dois catadores encontram uma substância desconhecida em um hospital de radioterapia abandonado em Goiânia, no estado de Goiás. Sem conhecimento sobre o risco que estavam correndo, os dois vendem este material, ainda fechado em uma estrutura de chumbo, a um ferro-velho. Neste local, o compartimento é aberto e o brilho encanta a todos.

O material radioativo, Césio-137, passa de mão em mão, contaminando a todos que tiveram exposição a ele. O enredo da minissérie se inspira diretamente nos envolvidos para criar personagens com nomes fictícios e, em alguns casos, condensar diversas pessoas em apenas uma ou duas para melhor fluidez da trama.

O físico Márcio (interpretado por Johnny Massaro) é o responsável por ser o elo condutor da trama. Personagem fictício, ele foi criado para dar mais dramaticidade ao enredo, facilitar e condensar a narrativa central. Além dele, boa parte dos demais personagens centrais tem inspiração real.

O caos

Em um país onde poucos são os protocolos para emergências, confrontar uma situação alarmante envolvendo um elemento radioativo é sinônimo de caos. Já seria se fosse em 2026, agora você imagine como foi em 1987, logo após o desastre de Chernobyl, na antiga União Soviética.

Falta de protocolos, decisões políticas questionáveis, ausência de especialistas preparados para a situação, o drama das famílias, clamor e cobranças da população. Emergência Radioativa é eficiente em mostrar como Goiânia reagiu ao incidente. Todo o ambiente apresentado com qualidade pela produção, proporciona o desespero e a falta de convicção nas decisões.

Exatamente por conta disso, a trama acaba por ser envolvente. Ainda que recaia uma comparação com Chernobyl, série da HBO, é preciso colocar os pés no chão e entender as limitações da minissérie nacional da Netflix. Ao mesmo tempo, o que torna as duas séries ótimas para maratonar é o mesmo motivo: a curiosidade. Mesmo que sejam fatos reais, o conhecimento geral sobre os assuntos não é amplo o suficiente para que tornem as produções meras reproduções de um período.

Este ritmo, com acontecimentos o tempo todo, deixa o espectador angustiado para saber os próximos desdobramentos e o destino dos envolvidos. E, por falar em envolvidos, precisamos destacar alguns personagens: a jovem Celeste (Mari Lauredo), inspirada em Leide das Neves, é uma das histórias mais comoventes e fiéis da série; o casal Antônia, papel de Ana da Costa, e Evenildo (Bukassa Kabengele) são o fio condutor para os principais acontecimentos.

Entre os especialistas, Dr. Orenstein (Paulo Gorgulho) e Eduardo (Antonio Saboia) são essenciais para o desenvolvimento da trama e mostram todas as dificuldades impostas por um caso inédito, não apenas no Brasil, como no mundo.

A maquiagem também é um ponto forte. Não chega a impressionar e causar aquele espanto como foi em Chernobyl, mas também impressiona por mostrar todo o impacto da exposição contínua ao Césio-137 e os efeitos nos atingidos.

Algumas fragilidades

Diferente da sutileza narrativa de Chernobyl, Emergência Radioativa peca ao ser extremamente expositiva em determinados momentos. Discursos que parecem artificiais, explicações e diálogos desnecessários são os principais problemas. É comum, inclusive, que estes momentos irritem o espectador, pois os produtores diminuem o potencial de interpretação do público, transformando cenas importantes em conversas que soam como roteirizadas e nada reais.

A produção também sofreu críticas dos sobreviventes. Os responsáveis não consultaram nenhum dos envolvidos na construção do roteiro e as vítimas relatam dramatização em excesso por parte dos desenvolvedores. Assim como o fato de as gravações não ocorrerem em Goiânia e sim no interior de São Paulo, que gerou fortes cobranças.

Vale a pena?

A minissérie me entreteve. Assisti aos cinco episódios rapidamente e, logo depois, também tive interesse em pesquisar mais sobre a história real. Sendo assim, acho que cumpriu o seu papel. Uma boa produção nacional adicionada ao catálogo da Netflix.

EMERGENCIA
emergência climática (2026)
A minissérie me entreteve. Assiste aos cinco episódios rapidamente e, logo depois, também tive interesse em pesquisar mais sobre a história real
3.5

Sobre o Autor

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.