Review | Casa do Dragão 3×01 (Salt and Sea, Fire and Blood)

Review | Casa do Dragão 3×01 (Salt and Sea, Fire and Blood)

Os dragões estão de volta. Assim como a disputa entre vermelhos e verdes pelo trono de ferro. Estreou, de forma bombástica, na noite de domingo, 21, a terceira temporada de Casa do Dragão (House of the Dragon) em simultâneo no canal HBO e no serviço de streaming HBO Max.

O público aguardava com ressalvas o novo ano. Após a segunda temporada deixar a desejar e desenvolver, a passos lentos, a trama central, os espectadores projetam para este ano o ápice do confronto, a famosa ‘Dança dos Dragões‘. E assim, sejamos sinceros, o primeiro episódio ‘Salt and Sea, Fire and Blood’ entrega tudo que faltou na temporada anterior, com caos, batalhas, mortes e muitas surpresas – inclusive para quem já leu o livro ‘Fogo e Sangue’. Pois bem, vamos parar de enrolação e falar deste primeiro capítulo caótico da terceira temporada.

Atenção, este texto conterá spoilers da terceira temporada de Casa do Dragão.

Onde paramos

A segunda temporada encerrou com Rhaenyra e Alicent firmando uma espécie de acordo para encerrar a guerra sem o derramamento de sangue (Aemond a parte, claro). Assim inicia o novo ano, com diferentes frentes de batalha e a rainha vermelha tentando convencer o conselho a confiar na promessa de Alicent.

Em paralelo, Daemon com apoio dos povos das Terra Fluviais marcha e derrota os Lannisters – inclusive, com apoio dos Stark ao final da batalha, que não é mostrada em tela. Ainda por terra, Sor Criston Cole não acompanha os Lannisters e mantém frente de batalha à espera de Aemond e a dragão Vhagar. Pela água, Lorde Corlys, o Serpente Marinha, está em Dragonstone para enfrentar a Triarquia de Essos.

Enquanto tudo acontece, Rhaena tenta domar o Roubaovelhas, um dragão selvagem – não esqueça disso.

Os dois lados da mesma moeda

Rhaenyra e Alicent precisam debater com os filhos, Jacaerys e Aemond, sobre os melhores rumos a tomar na batalha. No lado vermelho, Rhaenyra sofre a resistência de Jace, principalmente com relação à confiança da rainha com a antiga amiga Alicent. Na outra ponta da batalha, a relação entre Alicent e Aemond dá sinais de dissimulação e uma perigosa aproximação – lembrando que o rei Aegon II fugiu pelo risco de ser morto pelo irmão.

Aemond consegue o que sempre sonhou: o trono de ferro e a atenção da mãe. Essa aproximação, ainda que tendo claros objetivos de Alicent, é bem interessante para o desenvolvimento dos personagens, mas nos proporciona uma das cenas mais emblemáticas e perturbadoras do episódio: o beijo entre mãe e filho. Já Rhaenyra acaba desrespeitada e vê a guarda-real obedecer ao filho e ela fica presa, sem possibilidade de ajudar o Serpente Marinha.

Quem assume a responsabilidade é Jace e Baela. Montados em Vermax e Bailalua, os dois aparecem em momento decisivo para ajudar Corlys e sua frota. E, a princípio, realmente são importante, desafogando o impacto da grande quantidade de navios da Triarquia e possibilitando para Corlys buscar uma solução para encurralar os adversários.

Com isso, Corlys encontra uma forma de avançar sobre um trecho acidentado e estreito e se livra, pelo menos ao que parecia, de Lohar e seus aliados. É um belo momento para mostrar toda a habilidade do Serpente Marinha e como ele se tornou esse grande marinheiro que domina os mares de Westeros. No entanto, Lohar também é astuta e consegue alcançar o navio de Corlys que, em um ato de desatenção, perde o foco ao ver seu castelo queimando e os marinheiros passam a ser dominados pelos adversários.

O mano a mano de Lohar e Corlys é um dos pontos altos da trama. Ainda que vitoriosa, Lohar fica a mercê do filho bastardo de Corlys, Alyn, que finaliza a rival de Essos. Enquanto isso acontece, no ar Vermax e Bailalua têm dificuldades para serem imponentes e efetivos, claramente mostrando a fragilidade e falta de experiência, tanto dos dragões quanto dos montadores. Tudo fica ainda mais complicado quando Rhaena, a irmã de Baela, aparece com o selvagem Roubaovelhas. E, como um dragão selvagem que recém foi montado deve ser, ele não respeita as decisões da jovem e passa a colocar fogo em tudo. É Dracarys sem querer para todos os lados, aliados e adversários.

Sendo assim, ele é o principal responsável pela queda de Vermax e Jace e a grande surpresa do episódio: a impactante morte dos dois.

Faltou estratégia

Para mim, o grande destaque deste episódio é realmente a forma imprudente que os Targaryen trabalham. O fato de ter um dragão em mãos faz com que a família tenha dificuldades em planejar e analisar melhor as situações. Foi o caso de Jace e Rhaena, que tomaram decisões inconsequentes e ocasionaram consequências graves que impactam no tabuleiro da guerra. É algo recorrente na história da família.

Por outro lado, gostei da Batalha da Goela e desse tom épico que a série pretende dar para a temporada. Ainda que, é necessário deixar claro, achei o episódio com problemas de direção, uso complicado dos efeitos especiais e, principalmente, com uma correria desenfreada em alguns instantes. De forma geral, um dos melhores episódios da série e que dá o pontapé para uma temporada com ótimas expectativas.

Sobre o Autor

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.

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