A Casa do Dragão: 3ª temporada melhora, mas confirma desgaste

É inegável que a segunda temporada de A Casa do Dragão (House of the Dragon) ficou abaixo das expectativas e fez muitos fãs abandonarem a série. Ainda assim, a HBO já havia confirmado mais duas temporadas para a produção e, no último domingo, 9, foi encerrado o terceiro ano da atração. Apesar de contar com episódios excelentes, o enredo esbarra na necessidade de esticar a narrativa ao máximo para render quatro anos de exibição.
O misto de emoções é nítido ao acompanhar A Casa do Dragão. Os primeiros quatro episódios foram magníficos, dignos dos melhores momentos de Game of Thrones: batalhas intensas, traições, disputas políticas afiadas e consequências claras para os atos dos personagens. No entanto, o tempo passou e os três capítulos seguintes foram arrastados, desenvolvendo pouco a trama que, finalmente, culminaria na épica Batalha de Tumbleton.
O “Efeito Hobbit” e os arcos inflados
Diferente de Game of Thrones, que tinha como base a extensa saga de livros As Crônicas de Gelo e Fogo e a presença constante do criador George R.R. Martin na produção, A Casa do Dragão sofre de um efeito similar ao que vimos na trilogia cinematográfica O Hobbit: o de adaptar uma história curta como se fossem livros gigantescos.
Vale lembrar que A Casa do Dragão utiliza como base o livro Fogo & Sangue, obra que integra o universo de Westeros e narra toda a trajetória da dinastia Targaryen – desde a ascensão de Aegon, o Conquistador, até a queda de Aegon III. Cerca de apenas 200 páginas desta obra (que possui mais de 500 no total) são dedicadas à Dança dos Dragões, o confronto apresentado na série da HBO.
Há uma decisão em especial que prejudica diretamente o ritmo da temporada: a inclusão de arcos pouco impactantes. Aemond em Harrenhal, o exército de Criston Cole e toda a trama envolvendo Lorde Corlys são praticamente irrelevantes para o destino final dos personagens, servindo apenas para cumprir tabela em meio a tantos acontecimentos que inflam a narrativa.
Inconstância do roteiro
Por outro lado, é necessário ressaltar que a temporada apresentou momentos épicos e verdadeiramente marcantes. Claro que se torna mais fácil causar impacto quando se tem diversos dragões em tela, mas as sequências de batalha são excelentes, muito bem filmadas e transmitem um senso de urgência real ao espectador.
Da mesma forma, há personagens muito bem desenvolvidos: Aegon II e Ormund roubam a cena ao longo da exibição. Ainda assim, a tradicional inconstância da escrita também marca a trajetória de figuras centrais como Alicent, Rhaenyra, Helaena e outros nomes de peso da trama.
O saldo do terceiro ano
Gostei do terceiro ano de A Casa do Dragão, embora a promessa de encerramento na quarta temporada traga um certo alívio para uma série que, claramente, dá sinais de desgaste. Em um ano que já contou com o lançamento de O Cavaleiro dos Sete Reinos, A Casa do Dragão fica com o posto de segunda melhor série deste universo em 2026..
Espero, ansioso, pelo último ano e por todos os desfechos necessários para encerrar a era em que dragões cortavam com regularidade os céus de Westeros. Fica, para mim, como desafio pessoal, finalizar a leitura de Fogo & Sangue.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
Últimos posts
Séries10 de agosto de 2026A Casa do Dragão: 3ª temporada melhora, mas confirma desgaste
Séries10 de agosto de 2026Review | A Casa do Dragão 3×08 (The Treasons at Tumbleton)
Filmes6 de agosto de 2026Crítica | Backrooms: Um Não-Lugar (2026)
Filmes6 de agosto de 2026Crítica | Dia D (2026)




