Crítica | Mestres do Universo (2026)

Há produções que parecem nascer fadadas ao fracasso nos cinemas. Mestres do Universo (Masters of the Universe), o novo live-action do He-Man lançado nos cinemas em junho de 2026 pela Amazon MGM Studios e Mattel Films, apresentava exatamente essa perspectiva. O longa realmente teve uma bilheteria pífia (arrecadando cerca de US$ 110 milhões mundialmente para um orçamento estimado em US$ 200 milhões) e já figura entre os grandes desastres comerciais do ano.
No entanto, meses se passaram e o longa-metragem dirigido por Travis Knight (de Bumblebee) já está disponível no catálogo do Amazon Prime Video, onde vem conquistando o público. Com uma representação bastante fiel ao material original e um tom cômico na medida certa, a produção é daquelas que passam voando – apesar das suas mais de duas horas de duração (140 minutos). O Entre Sinopses já assistiu a Mestres do Universo e te conta, em detalhes, se vale a pena dar o play!
Qual é a trama de Mestres do Universo?
Após localizar a Espada do Poder na Terra, o jovem príncipe Adam (Nicholas Galitzine) é transportado de volta ao seu planeta natal, Eternia, agora sob o domínio do vilão Esqueleto (Jared Leto). Com a ajuda da capitã Teela (Camila Mendes), de Duncan, o Mentor (Idris Elba), e de um robô guerreiro, Adam deve liberar seu verdadeiro poder, aceitar o destino como herói e lutar para libertar o mundo.
Com uma abertura marcante focada em apresentar a ameaça de Esqueleto e o visual exuberante de Eternia, o diretor Travis Knight rapidamente consolida os principais aspectos do universo. Em seguida, um salto temporal mostra um atrapalhado Adam, já adulto, precisando lidar com problemas rotineiros na Terra. Enquanto isso, ele segue em uma busca que parece insana para os demais: encontrar a lendária espada mágica de seu planeta de origem.
É quando Adam finalmente a encontra e passa a ser perseguido por monstros. Teela surge para resgatá-lo e levá-lo de volta a Eternia. A partir daí, a narrativa se desenrola em uma sucessão de obstáculos até o inevitável embate frente a frente com o Esqueleto.
Carisma, efeitos visuais e o tom certo de galhofa
O quão “galhofa” precisa ser um filme do He-Man? Na minha opinião, muito. Cores exageradas, trajes extravagantes, piadas de tom duvidoso e muita porradaria estilizada dão o tom do longa. Os produtores optaram por não se levar a sério e até brincam com o fato de o protagonista ser extremamente “bonzinho” e sempre buscar a solução mais pacífica.
O destaque vai para os excelentes efeitos visuais. Graças ao alto orçamento, Mestres do Universo não deixa a desejar e apresenta uma Eternia viva, colorida e com batalhas marcantes. Vale enfatizar a fidelidade no design dos protagonistas – tão precisos que, em determinados momentos, é impressionante o nível do trabalho de computação gráfica e maquiagem empregado.
Esqueleto e Adam são os grandes nomes da produção. Para mim, o vilão de Jared Leto rouba a cena. O design impecável, a risada inconfundível e um humor que mistura o besteirol com pitadas de acidez fazem do Esqueleto o centro das atenções em todas as suas aparições. Há piadas e trocadilhos tão bobos que você certamente dará boas risadas e se perguntará como aprovaram aquilo para um filme teoricamente infanto-juvenil.
Outros personagens, como Teela (Camila Mendes) e Duncan (Idris Elba), possuem destaque relevante e servem como ótimos complementos para a jornada do herói.
Diversão no ponto certo
Em uma trama simples e sem grandes consequências sombrias, Travis Knight se diverte com cenas de ação exageradas e combates que empolgam. Não há violência gráfica no quesito sangue, mas nem por isso as sequências deixam de ser divertidas. Adam vai descobrindo seus poderes e desenvolvendo uma postura heroica aos poucos, enquanto Esqueleto se mantém sarcástico até o fim.
É um filme em que o tempo realmente passa rápido. O segredo é que sempre há algo acontecendo em tela, o que torna a experiência leve e fluida. Claro, vale notar que a trama não tem vergonha de abraçar os elementos clássicos do desenho animado dos anos 1980, incluindo o icônico bordão: “Pelos poderes de Grayskull!”.
Vale a pena assistir a Mestres do Universo no Prime Video?
Mestres do Universo é uma diversão descompromissada. É uma daquelas aventuras dinâmicas, passageiras e que dificilmente redefinirão o gênero de super-heróis ou fantasia, mas que cumpre muito bem o papel de entreter. Trata-se de uma excelente adaptação que merecia sorte melhor nas bilheterias dos cinemas.
Vale lembrar que este é o segundo live-action do herói nas telonas – o anterior foi Mestres do Universo (1987), estrelado por Dolph Lundgren. Inclusive, o novo filme reserva uma divertida sequência dedicada especialmente aos fãs saudosistas do longa dos anos 80.
Ficha técnica de Mestres do Universo (2026)
- Título original: Masters of the Universe
- Direção: Travis Knight (Bumblebee, Kubo e as Cordas Mágicas)
- Roteiro: Chris Butler, Aaron Nee e Adam Nee
- Elenco principal: Nicholas Galitzine (Príncipe Adam/He-Man), Jared Leto (Esqueleto), Camila Mendes (Teela), Idris Elba (Duncan/Mentor) e Alison Brie (Maligna)
- Data de lançamento nos cinemas: 5 de junho de 2026
- Onde assistir: Amazon Prime Video
- Gênero: Ação/Aventura/Fantasia

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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