Crítica | Toy Story 5

Assim como eu, você também deve pensado “pra quê mais um?” quando Toy Story 5 foi anunciado. A franquia teve um encerramento perfeito no terceiro filme, mas resolveram fazer um quarto, que também foi legal e que até teve uma despedida novamente. Quando foi revelado que a temática da animação seria brinquedos vs. tecnologia fiquei curiosa, porém ainda com o pensamento de que não era necessário que existisse. E então, será que depois de assistir esse argumento ainda se sustenta?
Na nova aventura, nossos brinquedos favoritos do cinema enfrentam um novo desafio: a chegada de Lilypad, um tablet que parece oferecer tudo que há de mais interessante no mundo para Bonnie. Após a chegada do dispositivo, rapidamente a garota se esquece de seus brinquedos e os mesmos se metem em diversas enrascadas para tentar recuperar a atenção de sua criança.
Falando do que realmente importa
Antes de qualquer coisa, é preciso dizer: Toy Story 5 é um filme necessário e extremamente relevante. Claro, a Pixar mantém a franquia viva porque ela dá muito dinheiro, sejamos realistas. Todavia, a mensagem trazida pelo longa é, acima de tudo, um grande alerta para os adultos e crianças de todo o mundo. Infelizmente, os pequenos têm sido expostos a conteúdos desnecessários para sua idade cada vez mais cedo e, consequentemente, perdido o tempo precioso da infância se conectando à internet. É verdade que o mundo mudou e que é impossível viver sem o acesso as tecnologias hoje em dia, mas, assim como o próprio filme retrata, é preciso buscar um equilíbrio entre a vida real e o mundo digital.
O filme começa com Bonnie sendo uma criança normal, brincando e imaginando com seus brinquedos enquanto todas as outras estão com os olhos grudados em tablets, celulares e computadores. E aquela imagem me causou tristeza ao mesmo tempo que me pôs para pensar. Lembrei de todas as vezes que estou na rua e passo por crianças tão pequenas com os olhinhos vidrados nas telas, tão quietas, comportadas, silenciosas, inertes. Quantas vezes nós adultos não ficamos assim também? No ônibus, no trabalho, em nossos próprios lares.
Outro alerta importante que o filme traz é do perigo das amizades e chats virtuais para as crianças, afinal, é difícil conhecer alguém de verdade apenas por mensagens em jogos ou aplicativos. Além desse risco, também é muito complicado saber o que eles andam falando e como se comportam na internet. Sim, é papel dos pais instruir a maneira ideal de como se portar, mas ainda assim sabemos que isso nem sempre é suficiente. Você que tem filhos, irmãos, primos, sobrinhos ou netos pequenos que têm acesso livre à internet, já foi verificar o que eles conversam com os amigos?
Crescer, envelhecer, amadurecer
Para além do tópico principal, a animação também pincela sobre o assunto do envelhecer. Jessie, que é a protagonista da história pela primeira vez, encara com muita dificuldade que as crianças crescem e mudam, sempre relembrando como sua primeira criança, Emily, a deixou para trás. Ao lado dos dispositivos Amigo Rolinho, Clica e GPS Atlas, a personagem ganha uma nova perspectiva sobre as mudanças da vida com o passar do longa e aprende que vai ficar tudo bem quando as coisas mudarem. Mais importante do que permanecer ao lado da mesma pessoa para sempre, é entender que você fez diferença enquanto esteve presente. Lição pra vida!
Inclusive, esse tema também funciona como piada dentro da própria história, o que já era de se esperar. Aparelhos tecnológicos contra brinquedos antigos, né? Ah, e se há alguns anos atrás me dissessem que eu veria Woody calvo e barrigudo, certamente pensaria que era uma piada. Pois é, o tempo passa para todos.
Veja também: 30 anos de Toy Story: Conheça a história da animação
Estou aqui, amigo
Quem assistiu Toy Story 4 sabe que Woody se separa da turma no final do filme. Apesar disso, o caubói não fica de fora dessa nova trama, a diferença é que ele não é mais o protagonista da trama e aparece para auxiliar a história a andar. Como já disse anteriormente, Jessie é quem assume o papel principal e isso funciona muito bem. Como ela está presente na saga desde o segundo filme, tudo flui de maneira bem natural e seu maior destaque faz todo o sentido com o tema central do filme. Faz sentido dizer que um brinquedo amadureceu?
Buzz continua na figura de coadjuvante, mas dessa vez em menor destaque do que nas outras histórias. Sua história continua funcionando sendo divertida e trazendo bons momentos de risadas, além de que seu relacionamento com Jessie ganha um novo patamar. Os outros brinquedos originais continuam presentes, mas de forma bem mais pontual. Os novos personagens é que ganham mais força na narrativa ao lado da protagonista.
Desconecte-se do mundo virtual, conecte-se ao mundo real
Toy Story 5 é uma aventura muito divertida, mas que também te põe para pensar. Tratando de um tema muito atual, o longa alerta sobre problemas reais e sugere soluções possíveis para equilibrar a vida real e o digital no dia a dia de crianças e adultos. Apesar de a princípio estar cética quanto à necessidade do filme existir, digo com alegria que a experiência valeu muito a pena. Seja você uma criança aprendendo a navegar a vida ou um adulto relembrando de como é bom ser criança, esse filme é pra você.
E que venha Toy Story 6!

Direção: Andrew Stanton
Ano: 2026
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Greta Lee, Conan O’Brien, Scarlett Spears e mais (vozes originais).
Marco Ribeiro, Guilherme Briggs, Mabel Cezar, Maísa, Rafael Infante e mais (versão brasileira).
Duração: 1h42min
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Sobre o Autor

- Estudando cinema, escrevendo textos e jogando videogame, não necessariamente nessa ordem. Amo falar sobre meus filmes, séries, livros e jogos favoritos.
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