Review | Um Beijo Inesquecível

Quem disse que histórias de amor não podem ser cheias de mistério e aventura? Paixão e adrenalina podem siim caminhar lado a lado! O sétimo livro da saga Os Bridgertons, Um Beijo Inesquecível, vai te mostrar que o amor pode nascer das circunstâncias mais malucas.
Depois de quatro anos no mercado casamenteiro, Hyacinth Bridgerton ainda não conseguiu conquistar um cavalheiro, muito provavelmente por ela não ser o melhor exemplo de dama delicada e recatada. Hyacinth é obstinada, sincera ao extremo e encara qualquer conversa, especialmente com seus pretendentes, como um desafio. Então, em um baile, ela conhece Gareth St. Clair, neto de sua amada amiga Lady Danbury. O jovem, conhecido por sua natureza charmosa e conquistadora, até tenta flertar com a garota, mas ela resiste a seus encantos, mesmo que as vezes ele consiga o raro efeito de deixá-la sem palavras.
Certo dia, Gareth recebe de herança o diário de sua falecida avó paterna, que pode conter informações cruciais sobre seu passado. Porém, há um problema: tudo está escrito em italiano. Para sua sorte, Hyacinth consegue entender um pouco do idioma e decide ajudá-lo em sua busca. Após vários encontros, os dois acabam se tornando cada vez mais próximos, até que o decoro e bons modos vão para o ar e eles trocam um primeiro beijo. Depois disso, ambos percebem que não há nada de tão simples e de tão complicado como um beijo, além de embarcarem em uma grande aventura para descobrir mais sobre o passado de Gareth.
Talvez seja pelo contraste com a história mais madura e séria do livro 6, mas senti uma leveza e ar de jovialidade muito grandes nessa história. O fato de Hyacinth ser a filha mais nova e, portanto, mais despreocupada com sua relevância social, pode ter pesado nesse sentimento também. Além disso, esse é o livro mais curto de toda a saga, com apenas 272 páginas, e consequentemente, com a história mais simples e “menos profunda” até aqui. Toda a trama é bem divertida, com uma pitada de mistério, aventura e momentos genuinamente engraçados. Algumas situações beiram o inacreditável e te fazem rir, seja pelo humor das cenas em questão ou pelo absurdo delas.
Sobre nossa protagonista da vez, posso resumi-la em uma palavra: louca. Hyacinth é, definitivamente, a mais espirituosa, corajosa e maluca de todos os Bridgertons. Como já disse anteriormente, isso possivelmente acontece por ela não viver carregada de expectativas sociais como sua irmã Dapnhe, protagonista do primeiro livro, por exemplo. E diferentemente de suas outras irmãs, Eloise e Francesca, Hyacinth adora a vida de bailes e eventos. Para ela tudo aquilo é muito divertido, porque sempre há uma oportunidade de descobrir uma nova fofoca e de poder vencer alguém nos argumentos, nem que seja de cansaço. Apesar disso, em determinado momento ela se percebe um pouco cansada da mesmice que essa vida trás e, com a “missão” de traduzir o diário de Gareth, ela sente que encontrou um novo objetivo de vida.
Gareth é, assim como a maioria dos homens dessa saga, um Libertino com “L” maiúsculo mesmo. Acostumado com a facilidade de conquistar, ele encontra um certo desafio em Hyacinth, que não se rende tão facilmente a seu charme. Esse fato, que poderia afastá-lo dela, é justamente o que mais lhe chama a atenção. Apesar de hoje em dia essa frase ser mais usada em tom de piada, ela é, de fato, uma garota diferente das outras. Gareth também tem um passado nebuloso e conturbado, e encontra nela a segurança e familiaridade que sempre almejou. Posso dizer, então, que eles foram feitos um para o outro mesmo. No fim das contas, tudo o que procuravam acabaram encontrando um no outro.
O casal da vez é muito divertido, leve, cheio de energia (especialmente Hyacinth) e jovial, não pela idade, mas pela forma como se comportam e como lidam com as situações em sua volta. Sinto que eles seriam aquele casal que, mesmo na terceira idade, cometeriam loucuras e arranjariam problemas só para poder rir e se divertir. Gosto de como eles se dão bem desde o princípio e vão se sentindo cada vez mais à vontade um com o outro. Assim como qualquer outro casal eles também tem conflitos e lidam com problemas, mas suas diferenças nunca se demoram demais a se resolver.
Os maiores conflitos da trama acontecem entre Gareth e um outro personagem que está presente em boa parte da história. Sobre a trama em si, acredito que alguns momentos importantes, especialmente a resolução de um dos maiores conflitos da obra, são resolvidos muito rapidamente, sem aprofundar demais.
E falando rapidamente sobre duas personagens secundárias (mas que sempre são protagonistas em nossos corações) temos Lady Danbury, que com seus comentários caóticos e divertidos está sempre na torcida pela felicidade de sua jovem amiga e seu neto, principalmente se estiverem juntos, e a querida matriarca Violet Bridgerton, que compartilha uma cena muito linda e especial com sua caçula (amamos ela!).
Resumidamente, Um Beijo Inesquecível é um livro leve, divertido, engraçado e com uma história meio maluca. Sua história também nos lembra como a aventura pode ser um bom pontapé para uma boa história de amor.
Os Bridgertons – Um Beijo Inesquecível

Autora: Julia Quinn
Ano de publicação: 2005
Páginas: 272
Gênero: romance
Nota:⭐⭐⭐ (3/5)
Classificação indicativa: 16 anos
Sobre o Autor

- Estudando cinema, escrevendo textos e jogando videogame, não necessariamente nessa ordem. Amo falar sobre meus filmes, séries, livros e jogos favoritos.
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