Review | O Duque e Eu

Poucas coisas são tão comuns na vida das pessoas como o prazer de ver o desenrolar de um bom romance fictício. Estreamos as reviews de livros aqui no Entre Sinopses falando sobre esse sucesso mundial que conquistou o coração de muitos leitores: o primeiro livro da saga Os Bridgertons, O Duque e Eu.
Situada em Londres no ano de 1813, conhecemos um pouco da história da nobre família Bridgerton, mais especialmente da quarta filha, Daphne. A jovem tem um sonho simples, mas quase impossível para a época em que vive: se casar por amor. Em contrapartida, também somos apresentados a Simon, um homem libertino que jura jamais se casar e ter filhos. Por coincidências do destino, os dois acabam se conhecendo e construindo uma bela amizade. No entanto, por motivos que são convenientes para os dois, eles decidem fingir que Simon está cortejando Daphne. A partir daí, a amizade vai se transformando em uma paixão tão intensa que fica cada vez mais difícil de esconder que eles não se gostam.
Essa dinâmica de relacionamento definitivamente não é novidade no mundo da ficção. O fake dating é justamente isso: duas pessoas fingem estar em um relacionamento para benefício de uma ou ambas as partes. Também não é novidade de que em 99% das vezes, as pessoas atuantes na farsa se apaixonem. Desde a leitura da sinopse do livro, você já tem certeza de onde a história vai parar. Porém, o que realmente te intriga e instiga a continuar lendo é como as coisas vão chegar a esse ponto. E, apesar da previsibilidade do gênero, a história ainda conta com boas surpresas e momentos que vão te deixar de queixo caído.
O desenvolvimento do relacionamento dos protagonistas é bem gostoso de acompanhar. Daphne e Simon são muito diferentes em praticamente todos os aspectos. Seus desejos e objetivos são completamente opostos, mas mesmo assim, o sentimento que tem um pelo outro é tão forte que supera qualquer barreira. Eles têm alguns conflitos ao longo da história por isso, mas sempre dão um jeito de seguir em frente.
Apesar das circunstâncias, a protagonista não é uma mocinha indefesa. Ela é sim muito inocente com relação a vários assuntos, mas isso não a torna fraca. Daphne é uma mulher forte e bastante convicta de seus ideais (algumas vezes convicta até demais, quem já leu o livro ou assistiu a primeira temporada da série Bridgerton vai entender exatamente o que quero dizer). Só senti que ela não é tão explorada e aprofundada quanto poderia. Me parece que sua história fica mais retida aos acontecimentos do tempo presente do livro, enquanto a de seu parceiro é mais bem desenvolvida nesse sentido.
Simon tem uma história de origem bastante conturbada, o que o leva a tomar certas atitudes que são extremamente importantes para o seguimento da trama. Todo o trauma que ele carrega consigo desde a infância molda seus pensamentos até a vida adulta, o que sempre gera conflitos e desencontros com seus sentimentos no presente. A forma como ele, juntamente a ela, vai lidando com seus fantasmas do passado, é bem bacana de se ver.
Pode-se dizer que a mensagem que o livro passa é que o amor é o remédio mais poderoso contra qualquer dor existente no mundo. Esse sentimento sobrepassa qualquer dificuldade e é capaz de remendar até o coração mais ferido, mesmo que muitas vezes este nem perceba o quão machucado está. E isso é lindo!
Um detalhe interessante é que a história é bem intimista. Não temos tantas interferências de personagens secundários e suas histórias, exceto pela presença dos comentários da fofoqueira mais amada (e odiada) de Londres, Lady Whistledown, que está sempre presente no comecinho de cada capítulo. Inclusive, o segredo de sua identidade é algo que percorre o livro inteiro, não revelando quem é a grande fonte de todas aquelas informações em nenhum momento.
O livro tem uma linguagem simples, apesar da história se passar no século 18, e isso torna a leitura leve e bastante tranquila. Se isso é um ponto positivo ou negativo, cabe ao leitor decidir. Se você ama ler, com certeza vai acabar com ele bem rapidinho. Claro, a história envolvente e bem escrita ajuda bastante no processo.
No final das contas, O Duque e Eu é delicioso de ler. Você se apega aos personagens e sua curiosidade de saber aonde aquilo vai dar prendem sua atenção ao longo de todo o livro. Se você ama o amor (assim como o Terry, de Brooklyn 99) com certeza vai ter um bom tempo lendo essa obra. Ah, um recado importante. Fique sempre atento a classificação indicativa antes de iniciar suas leituras. (Isso vale pra qualquer livro!).
Atenciosamente,
Luane Mota
Os Bridgertons – O Duque e Eu

Autora: Julia Quinn
Ano de publicação: 2000
Páginas: 288
Gênero: romance
Nota:⭐⭐⭐💫 (3,5/5)
Classificação indicativa: 16 anos
Sobre o Autor

- Estudando cinema, escrevendo textos e jogando videogame, não necessariamente nessa ordem. Amo falar sobre meus filmes, séries, livros e jogos favoritos.
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