Crítica | Spider-Noir

Nicolas Cage como Homem-Aranha em uma série em preto e branco. O que poderia dar errado?
Após o sucesso das animações do Homem-Aranha no Aranhaverso, a Sony em parceria com a Amazon avançou com uma série live-action onde o ator Nicolas Cage reprisaria seu papel de Aranha-Noir, mas agora atuando não somente com a voz. A produção foi lançada no final de maio de 2026 com oito episódios lançados todos de vez.
O que funciona e o que não foi tão bom? Vamos falar a respeito. Confira a seguir a crítica da série Spider-Noir, do Amazon Prime Video.
Qual é a história de Spider-Noir?
Na trama da série acompanhamos o detetive Ben Reilly. Há cinco anos ele perdeu o grande amor da vida, Ruby, após não conseguir salvá-la. Desde então, Ben desistiu de ser o herói de Nova York, O Spider. Nesse tempo, o mafioso Finn Byrne, conhecido como Silvermane (Cabelo de Prata) passou a dominar a cidade.
Então, quando Reilly se vê diante de uma investigação que o coloca frente a frente com um homem com poderes de fogo, ele entende que existem outros supers além dele e precisará decidir se volta a ativa para resolver a situação antes que as coisas piorem. Ele também se envolve na história de Cat Hardy, mulher que possui perigosas ligações com Silvermane e pode acabar levando o detetive à ruína.
Preto e branco ou em cores?
A série foi disponibilizada em duas versões, sendo a principal em Preto e Branco, referenciado histórias do estilo Noir, e a segunda Em Cores, com uma colorização bem forte, usando cores vivas e apresentando detalhes de cenário que dão um contraste interessante à história.
Apesar de ter uma tendência a preferir o estilo em Preto e Branco, assisti a maioria dos episódios na versão Em Cores e a experiência foi boa. A Nova York da série é bem viva, e poder vê-la em detalhes ajudou na imersão da história. Não acredito, no entanto, que qualquer uma das escolhas faça realmente grande diferença.
Se puder deixar uma recomendação, assista aos dois primeiros episódios um em cada versão e depois decida o que melhor te agradar.
Pontos positivos
Uma das melhores coisas a respeito de Spider-Noir é Nicolas Cage como protagonista. O ator, apesar de ter ficado marcado por escolhas questionáveis na carreira, tem muito talento e aqui ele encaixa perfeitamente com as esquizicites que o papel exigia. Seu Ben Reilly é amargurado e desleixado, mas também traumatizado e repleto de maneirismos e fisicalidade que Cage consegue entregar com maestria. Ele ainda consegue ser debochado, divertido e espirituoso para entregar a essência do Homem-Aranha, ainda que seja uma versão totalmente diferente da que estamos acostumados a acompanhar.
O elenco de apoio também está muito bem, com destaques para Karen Rodriguez como a divertida secretária Janet, o repórter Robbie Robertson de Lamorne Morris, quase um sidekick do Spider, além da misteriosa Cat Hardy interpretada por Li Jun Li e o Silvermane de Brendan Gleeson, que é um ótimo vilão misturando elementos de máfia italiana e lembrando por muitos momentos uma espécie de Rei do Crime, velho conhecido da Marvel.
Mesmo com limitações orçamentárias e aparecendo pouco, as cenas de ação estão bem feitas. O web-swing (o balançar do Aranha pela cidade usando teias) é muito digno. Os poderes do herói são mostrados de forma perfeita em tela. Elogios também para a ambientação, que é cartunesca e emula bem não somente a época, mas reproduz muito bem obras mais antigas.
Pontos negativos
Uma escolha narrativa não me agradou, que foi o foco em alguns romances. Não entrarei em detalhes para evitar spoiler, mas preferia muito mais que a série usasse mais seu tempo para investigações e mistérios do que em trazer à tona dois romances que acontecem quase que em paralelo e servem para trazer um drama que nem combina com a temática.
Faltou também dar mais substância a história de personagens secundários que aparecem como outras ameaças além de Silvermane. Também não curti muito como a série busca amarrar a trama principal com um evento do passado. Não pela história, mas pela forma como foi contada. Mais um elemento que seria beneficiado se o arco com interesses amorosos simplesmente não existisse.
Ainda há facilitações narrativas, soluções milagrosas e situações onde faltam algumas linhas de diálogo para esclarecer o que aconteceu sem deixar espaço para brechas ou furos de roteiro.
Ah, não podia deixar de falar da decisão de não traduzir o nome do herói. Aqui ele não é o Homem-Aranha, e nem o Aranha. Ele é o Spider. Não é chamado de Homem-Aranha por questões envolvendo direitos, e a opção por deixar o nome em inglês mesmo é algo similar ao que vem acontecendo com o Superman (que deixou de ser traduzido em legendas e dublagem como Super-Homem há muitos anos). Não me incomoda, mas acredito que há quem não vá gostar disso.
Vai ter segunda temporada?
A produção não deixa de forma explícita um gancho para uma nova temporada, fechando suas tramas de forma satisfatória. Mas, claro, há sempre como continuar. E acredito que isso vá acontecer eventualmente. Não espere cenas pós-crédito ou aparições surpresa, pois isso não acontece aqui.
Vale a pena assistir Spider-Noir?
Eu me diverti assistindo Spider-Noir. Fui com o coração aberto, sem esperar uma adaptação fiel aos quadrinhos e isso foi essencial para a experiência. Tive algumas ressalvas, mas no geral foi muito bom ver algo novo, sem amarras a outras obras e acima de tudo feita com carinho.
Vale a pena assistir. Se chegar ao fim aqui, estou satisfeito. Se tiver nova temporada, fico feliz. Por mais produções de super-heróis focadas em contar uma história em vez de já começar pensando no que virá pela frente.

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