Crítica | Homem-Aranha: Um Novo Dia

Amadurecimento. Essa é a palavra que melhor resume toda a trama de Peter Parker em Homem-Aranha: Um Novo Dia, quarto filme do personagem com Tom Holland o papel principal e sua sétima aparição no Universo Cinematográfico Marvel.
Após um terceiro filme que conquistou o público pela nostalgia e fan service, agora o foco é lidar com temas mais sérios e fazer com que o Homem-Aranha evolua, deixando de ser um herói adolescente para ser um jovem adulto que entende perfeitamente que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.
Na trama, Peter Parker existe cada vez menos e o Homem-Aranha é quem está no comando. Ele trabalha para deter vilões, conta com a ajuda da polícia e se tornou um herói cada vez mais amado pela cidade de Nova York. Ainda que para isso ele tenha que ter se afastado dos seus amigos, da sua namorada e de ter tido a sua existência enquanto Peter Parker apagada com a magia do Doutor Estranho no final de Sem Volta para Casa.
Porém, tudo isso cobra um preço e essa consequência vem tanto em uma mutação em seu próprio corpo que o faz perder o controle, quanto na aparição de uma misteriosa ameaça que não pode ser vista, mas é sentida somente pelo Teioso.
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Muitos personagens, mas holofote está no lugar certo
Uma das grandes preocupações a respeito de Um Novo Dia era a quantidade enorme de personagens na trama, sejam coadjuvantes ou vilões. E fico aliviado em saber que, mesmo concordando que há muita gente em tela e as vezes o tempo não é equilibrado para todos os personagens, o coração e o foco do filme estão no lugar certo: Peter Parker, o Homem-Aranha.
Tom Holland faz aqui o seu melhor trabalho no papel do Homem-Aranha. Como Peter, ele carrega consigo todas as questões que o público há tempo tempo pedia: ele tem problemas e não recorre a soluções mágicas, como ficar apoiado em Tony Stark ou em outras pessoas, mas usa seu intelecto para desenvolver aparelhos, pensar em soluções e principalmente tomar as decisões que julga corretas.
“As vezes para o Homem-Aranha fazer o que é certo é preciso quebrar o coração de Peter Parker”, é uma das frases faladas pelo personagem durante o filme. Aos poucos, Peter vai entendendo que isso é uma verdade em partes, mas que também demonstra que ele não é mais aquele jovem que só queria curtir as férias na Europa e nem queria levar o uniforme do Homem-Aranha na mala. Ele evoluiu, ele amadureceu.
Dá para ser fiel aos quadrinhos e ter substância
Muitas vezes se fala que filmes baseados em quadrinhos precisam somente de fidelidade e nada mais importa. Um Novo Dia é, junto com Thunderbolts talvez, um dos longas que mostram que necessariamente somente ser parecido com as páginas das HQs não impede de um filme ter o roteiro mais elaborado e com substância para ter o que falar.
Além de crescimento e amadurecimento, Um Novo Dia também fala sobre solidão, sobre escolhas, sobre mudanças e como você pode abraçar essa nova fase de sua vida sem ter que deixar tudo o que é importante para você de lado. Toda a jornada do nosso protagonista aqui é para levar a isso.
E fica ainda mais interessante ao vermos como essa evolução do Homem-Aranha, que começou lá em Capitão América: Guerra Civil afirmando para Tony Stark que “Se você pode fazer o que eu posso, e você não faz, e então as coisas ruins acontecem? Elas acontecem por sua causa”, passando por sua sensação de dependência em De Volta ao Lar, a jornada no espaço em Guerra Infinita, o retorno em Ultimato, o descaso em Longe de Casa e a crise de identidade em Sem Volta para Casa, as resoluções de Um Novo Dia ganham ainda mais impacto.
Visualmente perfeito e cenas de ação
Diferente do que Jon Watts fez em sua trilogia, Destin Daniel Cretton aqui opta por mesclar cenas de efeitos digitais com muitos efeitos práticos. Isso foi visto desde as gravações nas ruas que aconteceram ao longo de 2025 e dá para perceber com clareza no filme. Que cenas de “webswing” perfeitas esse filme tem. O Homem-Aranha se balançado por Nova York usando suas teias, praticamente voando nos saltos de fé e tendo combates que em muito lembram o game Marvel’s Spider-Man é realmente digno de aplausos.
Também já passo a considerar esse um dos melhores uniformes do Homem-Aranha nos cinemas junto com o usado pelo Aranha de Andrew Garfield em O Espetacular Homem-Aranha 2. Sabendo que, de acordo com o próprio Tom Holland, esse novo traje é uma mescla do que Tobey e Andrew usaram, fica ainda mais perfeito em tela.
Destin Cretton usa toda a sua experiência com ação, algo que já tinhamos visto em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Aneis para fazer o Homem-Aranha explorar toda a sua fisiclidade em combates corporais, sua inventividade ao não apenas soltar teias, mas usá-las de diferentes manreiras contras os inimigos e nunca abrir mão da característica inteligência que Peter Parker sempre carregou consigo desde a sua criação nas páginas em agosto de 1962.
Conectado, mas não dependente
Um Novo dia também acerta ao ser conectado diretamente com o Universo Cinematográfico Marvel, diferente de outras obras que apenas existiram dentro do MCU mas não usaram na prática essa conexão para ter uma história mais ligada com eventos anteriores e futuros. Porém em nenhum momento o longa-metragem se torna dependente. O que você precisa para entender o filme é da bagagem do Aranha do Tom Holland.
No mais, as aparições especiais e conexões com o futuro são presentes que os fãs mais atentos vão caçar as referências e imaginar o que vem por aí, sem atrapalhar a construção dos principais arcos.
Falando em futuro…
O filme acerta em tudo que faz na jornada de Peter Parker, mas há um elemento essencial que não pode ser falado sem spoilers. Vou, por aqui, somente dizer que estou muito reflexivo sobre algumas decisões pensando mais nas consequências que elas podem trazer.
Em seu papel isolado dentro do filme, acredito que funciona para trazer um contraponto interessante e ajudar a desenvolver e desenrolar ainda mais as questões psicológicas do Homem-Aranha.
Leia a seguir: 10 curiosidades sobre o Homem-Aranha de Tom Holland
Vale a pena assistir?
Homem-Aranha: Um Novo Dia traz muito do que os fãs queriam ver nessa versão do personagem desde o início, servindo como uma correção de rota em alguns pontos e principalmente levando o Teioso para o status que ele sempre merece ter. O Amigão da Vizinhança finalmente chegou ao ponto certo no Universo Cinematográfico Marvel.
É um filme visualmente impecável, com ação que há muito tempo não se via com o personagem e que trata Peter Parker e o Homem-Aranha com muito carinho para desenvolver seus arcos dramáticos de forma satisfatória.
Não consigo dizer que supera Homem-Aranha 2, de Tobey Maguire e Sam Raimi, como o melhor filme do Aranha na versão live-action, além de ter alguns pequenos problemas de ritmo e decisões não sobre o Teioso, mas sobre outros elementos que podem ser polêmicas ou impactar no futuro do Universo Marvel.
Porém é, sem dúvidas o melhor dessa versão de Tom Holland. Vale muito a pena assistir. E reassistir!

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