Crítica | Era Uma Vez Minha 1ª Vez

Era Uma Vez Minha 1ª Vez é como voltar aos bons tempos de Malhação, quando chegavam naqueles capítulos específicos em que a trama precisava abordar sexualidade. Essa é uma coisa boa do filme, mas também seu pecado.
Adaptação do livro homônimo de Thalita Rebouças, dirigido por Claudia Castro, o filme conta com a saga de quatro amigas adolescentes que estão no auge das descobertas da própria sexualidade: Teresa, Clara, Tuca e Patty, interpretadas por Letícia Braga, Castorine, Lívia Silva e Duda Matte.
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Era Uma Vez Minha 1ª Vez é como voltar aos anos 2000
Quem cresceu assistindo Malhação vai entender o ponto aqui. Toda temporada tinha um arco que falava sobre descoberta da sexualidade, primeira relação sexual, doenças sexualmente transmissíveis e por aí vai.
Isso é bem legal no filme, bem feito por sinal, graças a amizade bem construída e interpretada pelas meninas. Há de se dizer também que o fato de ter uma mulher na direção, fora outra mulher no roteiro, certamente fizeram a diferença aqui. Elas conseguem dar o tom certo da amizade das meninas, dos problemas individuais delas e etc.
Mas, por outro lado, fica o questionamento se esse modelo ainda se comunica com a geração atual. Os adolescentes de hoje que talvez nem assistiram Malhação ou tiveram Thalita Rebouças como um “guru”.
Falta profundidade na parte séria do assunto
Em outro ponto, vejo que seria interessante aprofundar mais a conversa e puxar mais reflexões além de mostrar que o adolescente tende a achar que todo problema dele é o fim do mundo.
O filme faz um bom trabalho ao mostrar que existem jovens de 17 anos que já tem vida sexual ativa – e não romantiza mais isso, enquanto outras que ainda sonham com algo especial para a primeira vez.
Porém, nesse meio tempo, faltou a participação de mais gente além do mundinho adolescente, seja por desconfiança dos adultos que algo estava acontecendo ou pela confiança das adolescentes em procurar por alguém.
É natural que pais com filhos que namoram falem ou ao menos questionem sobre a vida sexual deles. Não há menção disso em nenhum momento. Na escola também não, embora haja um foco na matéria biologia, o assunto não é pautado nenhuma vez.
Não haver diálogo entre adultos e adolescentes sobre o tema do filme foi algo que me chamou a atenção. Porém, entendo que é para elucidar o mundo dos mais novos. Ainda assim, sinto falta dessa responsabilidade diante do tema tratado.
Era Uma Vez Minha 1ª Vez é um filme legal, divertido para ver entre amigas! Sejam elas mais novas e aprofundar a discussão que traz no filme, ou mais velhas e trazer a memória as inseguranças do passado, lembrando que todo o fim o do mundo do ensino médio não passou de uma tempestade no copo d’água.

Sobre o Autor
- Jornalista de formação, sou redatora há 10 anos. Já escrevi de tudo um pouco e agora estou mergulhando no universo do entretenimento. Há muito o que se descobrir por aí e é através da comunicação que quero fazer isso: this is the way!
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