Foi preciso relatório para apontar o óbvio para a Netflix

Foi preciso relatório para apontar o óbvio para a Netflix

Tem coisas que são tão óbvias que bate uma indignação quando as pessoas só percebem depois de algo externo para dar uma certa validação ao fato. Esse foi meu sentimento ao ler que um relatório da Luminate apontou para a Netflix que grandes intervalos entre temporadas provocam grande queda de audiência.

Sério mesmo que foi preciso uma empresa estudar métricas, analisar comportamentos de espectador e números para constatar uma verdade tão evidente? E pior, é uma prática que infelizmente não é nova.

A produção de séries de TV sofreu uma grande mudança com a ascensão e consolidação dos serviços de streaming. Antes era normal termos temporadas com 20 e tantos episódios saindo anualmente. Até mesmo séries mais caras, como Game of Thrones por exemplo, ainda que lançasse somente 10 episódios, tinha seu lançamento todo ano acontecendo sem problemas.

Eis que os streamings, principalmente a dona Netflix, chega com seu modelo de maratona e produções cada vez maiores com status de quase filmes para a televisão. Não somente os custos aumentaram, como o tempo de produção também. E nem sempre essa demora se transformou em sinônimo de qualidade.

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O caso Stranger Things

De acordo com o mesmo relatório já citado anteriormente, Stranger Things teve em sua TEMPORADA FINAL (o que por si só já seria um chamariz) uma queda de 13% de visualizações em relação ao quarto ano.

Sabe quando tempo demorou de uma temporada para a outra? Simplesmente TRÊS ANOS E MEIO! O elenco infantil cresceu, suas feições mudaram e a história malmente soube como incorporar isso na trama.

Não é difícil entender o que acontece

Fazer o espectador que estava acostumado a ter novas temporadas a cada ano ter que esperar dois, três ou até mais anos para ver a continuação daquela história é um tiro no pé grotesco e que enquanto não houver mudança, vai continuar afetando as audiências.

Se mesmo um fenômeno do streaming em sua última temporada teve essa queda, imagine séries mais “comuns”. Produções como Bridgerton e Wandinha, por exemplo, mesmo com público consolidado, registraram queda de audiência devido a essa gigantesca demora entre temporadas.

A solução é simples

Se o problema não era difícil de perceber, a solução é ainda mais fácil. Reduzir os custos de produção para facilitar com que as obras saiam com menor intervalo, mantendo assim o espectador mais engajado e sem “esquecer” da história da série.

Vamos ver se com o relatório, tanto a Netflix quanto os outros serviços de streaming aprendem a lição e consertam esse problema.

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 30 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.