Crítica | Peaky Blinders: O Homem Imortal 

Crítica | Peaky Blinders: O Homem Imortal 

Peaky Blinders foi um sucesso gigantesco, principalmente após chegar ao catálogo da Netflix. Iniciada em 2013, a trama da série da BBC acompanhou a trajetória de Tommy Shelby (Cillian Murphy), sua família e seu grupo de gângsters chamado Peaky Blinders na cidade de Birmingham, Inglaterra. A temporada final foi lançada entre fevereiro e abril de 2022, mas desde então se falava sobre sequências, seja em um spin-off ou um filme.

E aí que chegou ao catálogo da Netflix, em 20 de março de 2026, o filme Peaky Blinders: O Homem Imortal, que traz novamente Tommy Shelby ao foco da história para finalizar seu arco. Mas vale a pena conferir? Faz jus ao personagem e à mística que se construiu sobre ele? Vamos falar a respeito.

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Qual é a história do filme Peaky Blinders: O Homem Imortal?

Após anos em exilio, se afastando da caótica vida que sempre viveu, Tommy Shelby precisa retornar a Birmingham quando seu filho Duke (Barry Keoghan) se envolve em uma trama que pode custar não apenas o futuro da família Shelby, mas de toda a Inglaterra.

A minha primeira preocupação com esse filme era se ele realmente teria “cara de filme” ou se seria somente um episódio estendido da série. A produção possui um orçamento maior, imagens mais cinematográficas, mas ainda assim a história seria melhor desenvolvida com mais tempo do que a duração de 1 hora e 54 minutos. Acontece muita coisa em pouco tempo, e nem tudo dá para ser apreciado.

É justificado ter um filme de Peaky Blinders?

Sabendo que o criador Steven Knight já confirmou que teremos um novo derivado se passando nos anos 1950, encaro Peaky Blinders: O Homem Imortal como uma passagem de bastão. Era necessário encerrar o ciclo de Tommy Shelby antes de partir para uma nova história, e nesse propósito o longa-metragem consegue ter sucesso.

Ainda assim, essa necessidade de continuar o universo da série faz com que tenhamos uma sequência de fechamentos e encerramentos para que história continue, mas ainda tenho dúvida se o “futuro” será tão apreciado quanto o passado.

O filme de Peaky Blinders é bom?

Em O Homem Imortal temos muito do que fez Peaky Blinders ser um sucesso. Com a família cada vez mais reduzida, o foco é quase que totalmente em Tommy Shelby. Cillian Murphy segue excelente no papel, agora com um Tommy mais envelhecido, melancólico e ainda mais atormentado. Há novos elementos que justificam o exilio do personagem e seu retorno convence. Gosto também das cenas que Ada (Sophie Rundle) aparece. Ela segue ácida, impetuosa e corajosa, como era na série original.

Por outro lado, o filho mais velho de Tommy ganha um papel de muito destaque e pouco dá para se afeiçoar ao personagem. Ele inicia com atitudes que lembram a do pai no início da série original, mas sem o mesmo “código moral” que fez Tommy ser conhecido como frio e calculista. São seus erros que fazem Tommy voltar à cena, e há uma clara tentativa de passagem de bastão aqui.

O ponto mais baixo do elenco está no excelente ator Tim Roth, que interpreta o vilão da vez. Ele está bem abaixo de todas as ameaças da série, e seu confronto com Tommy não tem o peso que um filme feito para ser o fechamento de ciclo merecia ter.

A sensação que fica ao terminar Peaky Blinders: O Homem Imortal é que, enquanto um complemento para o desfecho da série, o filme funciona. Para expandir o universo e abrir caminho para novos derivados, falta força. O filme é legal, mas não é épico. Eu gostei, mas queria ter gostado mais.

Peaky Blinders O Homem Imortal
peaky blinders: o homem imortal
Eu gostei, mas queria ter gostado mais.
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Peaky Blinders: O Homem Imortal – Final explicado

É revelado que Tommy foi o responsável por tirar a vida de Arthur Shelby, e isso o levou ao exílio. Tommy estava bêbado e, em uma briga com o irmão que além de bêbado também estava drogado, acabou por encerrar a vida de Arthur. (Essa foi a forma da franquia não utilizar o ator Paul Anderson, envolvido em diversas polêmicas fora das telas). Além de Arthur, Ada morta por John Beckett, o que dá mais motivo para Tommy deixar o exílio.

Após retornar a Birmingham, Tommy Shelby decide acabar com os planos de John Beckett (Tim Roth) de colocar dinheiro falso para circular na Inglaterra, assim colapsando o país financeiramente e facilitando a tomada nazista/fascista. Então, em seu plano final, Tommy e os Peaky Blinders vão até o porto de Liverpool onde soldados nazistas os esperam.

Duke supostamente trai o pai revelando os planos para John, com quem já tinha um acordo anterior. No entanto, Duke mente para o vilão e os Peaky Blinders explodem a doca onde os nazistas estão instalados. Tommy usa uma mina terrestre para queimar todo dinheiro falso que seria usado no plano nazista e por fim mata John, mas não antes de ser atingindo diversas vezes. Ele então pede que Duke use uma bala com seu nome escrito, que havia sido entregue por Kaulo (Rebecca Ferguson), tia do rapaz, para encerrar sua vida.

Dessa forma, Tommy Shelby morre e encontra a paz que tanto buscava. Em seu testamento, Tommy deixa seu carro para Johnny Dogs, suas armas “para quem não precisa usá-las”, seus vinhos para o Pub Garrison e o legado dos Peaky Blinders fica com Duke.

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.