Crítica | O Justiceiro: Uma Última Morte

Crítica | O Justiceiro: Uma Última Morte

Frank Castle retorna para mais uma vez explorarmos a sua mente perturbada e seus assuntos mal-resolvidos. Na trama de Uma Última Morte, após acabar com os filhos da família Gnucci, Frank é confrontrado por Ma (Judith Light) que coloca a cabeça do Justiceiro a prêmio. Em meio a crises de transtorno pós-traumático, o anti-herói precisa escapar ao mesmo tempo em que busca um propósito para continuar a existir.

Leia também: 7 curiosidades sobre O Justiceiro, anti-herói da Marvel

Uma Marvel violenta e brutal, como deve ser com o Justiceiro

Definitivamente os fãs da era-Netflix das séries da Marvel não terão mais argumentos após assistir a O Justiceiro: Uma Última Morte. Não dá mais para dizer que a Disney amenizou a violência ou algo do tipo. Nesta apresentação especial de 50 minutos temos talvez a maior quantidade de cenas brutais, explícitas e violentas de qualquer outra produção Marvel já feita até aqui.

No embate final, são mais de 10 minutos de porradaria franca, com planos sequência e momentos coreografados de socos, tiros, facadas entre outras artimanhas usadas por Frank Castle para não apenas sobreviver aos ataques, como também para contra-atacar.

Jon Bernthal entrega uma atuação fisicamente brutal, onde seu Frank Castle simplesmente não tem tempo para sentir dor. Por mais que ele apanhe, tenha fogo tacado no corpo ou seja jogado de lugares mais altos, ele precisa focar nos embates e isso torna a ação de Uma Última Morte tão visceral.

Traumas e dores de Frank Castle: não já vimos isso antes?

Um dos grandes problemas do especial em minha análise é que ele não entrega nenhuma novidade em termos de história. Já começa por não nos situar em que período de tempo a obra se passa. É antes da aparição de Frank em Demolidor: Renascido? Ou é depois que ele consegue sair da prisão do porto de Red Hook? Não há esse contexto e isso atrapalha demais em entender o estado em que o personagem se encontra no início da apresentação especial.

Vemos Frank totalmente perturbado com seus traumas, seja pela guerra a qual foi submetido enquanto militar ou pela perda da família, assunto sempre mal-resolvido para ele. No entanto, quando vimos Frank Castle interagindo com Matt Murdock em Demolidor: Renascido, o personagem não só tinha uma postura diferente, como ajudou o Demolidor a reencontrar seu rumo. E aqui ele aparece tão perturbado dessa forma. Se foi antes, até daria para entender (mas só se ignorarmos o final da própria série do personagem). Se foi depois, fica difícil compreender o que aconteceu.

O principal objetivo de Uma Última Morte é então “consertar” o Justiceiro, tirando-o do caminho de vingança pessoal e levando o anti-herói para assumir essa figura de fato, buscando proteger os inocentes, ainda que de seu modo brutal e violento. Mas isso não já aconteceu na 2ª temporada da série do Justiceiro? A sua relação com Amy lá não era justamente para construir isso?

Novamente, o especial só repete os dramas e arcos do personagem, porém condensando isso em 50 minutos e não dando um espaço devido para desenvolver melhor nuances que trariam importantes justificativas para entendermos como e porque Frank Castle está daquela agindo daquela forma. É difícil terminar de assistir o projeto sem ficar com a sensação de que vimos algo incompleto.

Vale a pena assistir?

O Justiceiro: Uma Última Morte é uma coletânea das habilidades de Frank Castle em ação, mostrando que a Marvel pode ser tão brutal quanto o personagem. Parece que é um recado do estúdio dizendo que, se eles quiserem, podem ser violentos dessa forma. No quesito ação, não há o que reclamar.

Porém, o especial é fraco em história e os dramas mostrados em tela são repetidos. Por não nos contextualizar em quando se passa a trama, a obra falha ao deixar essa ponta solta. O lado positivo é o senso de propósito dado ao Justiceiro, que mesmo sendo mais uma repetição, ao menos faz algum sentido.

Para uma história tão concisa, esperava algo mais bem amarrado. Fico dividido em gostar do que vi na ação e achar que ficou faltando muita coisa para tornar a apresentação especial realmente memorável.

Justiceiro
O Justiceiro: Uma Última Morte
Brutal e violento como Frank Castle, especial de 50 minutos da Marvel traz uma ação condizente com o personagem, mas peca ao entregar história incompleta e repetitiva.
2.5

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.