Crítica | Extermínio: O Templo dos Ossos (2026)

São raros os casos de franquias que chegam ao quarto filme e seguem buscando se reinventar. E tem uma, que voltou após quase 20 anos, e está nos proporcionando sequências que dividem o público, mas não deixam de ser autênticas. Extermínio é o nome dela.
No ano passado, novamente sob a direção de Alex Garland – responsável pelos primeiros dois longas -, o retorno de Extermínio foi marcado pela passagem temporal, câmera frenética e trama caótica. Pois bem, apenas um ano depois, agora capitaneado por Nia DaCosta (A Lenda de Candyman e As Marvels), a produção muda completamente o ritmo e traz um debate mais filosófico do que violento. O Entre Sinopses já assistiu e te conta, em detalhes, tudo sobre o filme que estreou há poucos dias no HBO Max!
Pontos positivos de Extermínio 4
Apresentado no filme anterior, Dr. Kelson (Ralph Fiennes) acaba envolvido com uma seita satânica comandada por Jimmy Cristal (Jack O’Connell). Os Jimmies, como são chamados, dos quais o protagonista do longa antecessor, Spike (Alfie Williams), acaba fazendo parte a contragosto, acredita que Kelson é, na verdade, o velho Nick, uma representação de satã.
Extermínio 4 pode ser dividido em dois momentos. Antes e depois do encontro entre Kelson e os Jimmies. Na primeira parte, acompanhamos o doutor se aproximando de um Alfa – aqueles infectados mais fortes e que lideram os demais -, e, com a utilização de morfina, passa a conversar e desenvolver uma relação de amizade com Sansão, nome que ele o chama. Em outro lado, são mostradas as formas de torturas do grupo dos Jimmies e como são as relações internas entre eles.
Esse contato de Kelson com Sansão é, de longe, um dos pontos mais interessantes do longa. Ao entender que o infectado sofre com uma espécie de psicose que o faz ser violento, o médico passa a compreender como funciona a doença e as formas de tratá-la. Até que, em determinado momento, arrisca a própria vida para encontrar esta solução. É o debate científico da trama.
Após o encontro, Kelson passa a dialogar mais fortemente com Jimmy Cristal e entender a insanidade que este personagem preferiu acreditar neste mundo apocalíptico. O embate entre ciência e religião, as diferentes formas de ver o mundo, impactam no desenvolvimento do enredo e fazem o espectador pensar sobre diversos temas. Tudo resulta em uma sequência apoteótica no terceiro ato.
Este foco nos humanos e não nos zumbis muda completamente a forma de analisar o filme. Inclusive, com a direção de Nia DaCosta, menos caótica e mais focada, O Templo dos Ossos poderia facilmente ser um filme isolado e não integrar a saga Extermínio. Ainda que beba da fonte dos longas anteriores e dê uma sequência direta na trama.
Por fim, a violência dos filmes anteriores se mantém. E segue chamando atenção por ser bastante visceral.
Pontos negativos
O final de Extermínio 3 deixou muitos espectadores irritados. O grupo dos Jimmies é apresentado de forma circense e totalmente fora de tom. Como protagonistas deste filme, eles seguem sendo um problema. Apesar dos debates morais, são exagerados ao ponto de quase estragar a experiência com a produção.
Me parece que a ideia, com toda a insanidade proposta, é interessante. Mas o resultado é algo totalmente fora do que estamos acostumados com Extermínio – e até com o que este filme se propõe a debater.
Inclusive, é por culpa deles que o primeiro ato é tão cansativo. Fica difícil dar prosseguimento na trama quando acompanhamos personagens tão desinteressantes.
Vale a pena assistir Extermínio: O Templo dos Ossos?
Sempre valorizo produções que tentam fugir do padrão pré-estabelecido. É o caso de O Templo dos Ossos, que reinventa uma saga consolidada e aposta em um debate esquecido no gênero de zumbis e infectados.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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