Crítica | Avatar: Fogo e Cinzas (2025)

Quem acompanha as lives ou as redes sociais do Entre Sinopses já deve ter escutado eu falar “Não sei o porque o James Cameron segue produzindo Avatar”. E, realmente, não mudei de opinião quanto ao assunto, pois considero um desperdício de talento do diretor em seguir apostando no povo azul de Pandora.
Contudo, a experiência Avatar ainda me surpreende. Em Fogo e Cinzas, não há nada tão inovador e a história parece repetir tudo que já vimos nos dois filmes anteriores. E, mesmo assim, após mais três horas de rodagem, saí empolgado com a produção. Acho que esse é o grande poder de James Cameron e esse universo fantástico.
Pontos positivos de Avatar: Fogo e Cinzas
Após os trágicos acontecimentos que levaram à morte de um dos filhos de Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña), a família tem um novo desafio. A tribo das cinzas, um povo Na’vi hostil, liderada por Varang (Oona Chaplin) intensifica o conflito e se une aos humanos que ainda tentam caçar Sully. Junto a ela, novamente o coronel Miles Quaritch (Stephen Lang), que retorna como Na’Vi com as memórias do falecido coronel.
A trama central envolve Spider (Jack Champion), humano que, após quase morrer e com a ajuda de Kiri (Sigourney Weaver), passa a desenvolver a capacidade de respirar em Pandora. Este, que era um dos personagens mais irritantes de O Caminho da Água, agora tem maior destaque e passa, também, a ser mais importante para a trama.
Na verdade, quase tudo gira ao redor dele. As principais motivações para a batalha e a busca pela família Sully é para estudar o jovem e entender como Spider respira em Pandora e conseguir replicar este feito. Lembrando que Spider é filho do coronel – à época, ainda humano. Por si só, a trama tenta se desvencilhar da dualidade Jake Sully e Coronel – ainda que seja um ponto importante do enredo -, e para isso Spider é essencial.
Junto dele, Kiri, Neytiri e outros membros da família também recebem maior atenção. Assim como a vilã Varang, excêntrica, mas poderosa e magnética quando está em tela. Inclusive, desta vez sem qualquer vergonha, Cameron desenvolve os relacionamentos interespécies de Varang e o Coronel e também de Kiri e Spider. O que traz um caráter mais sensual que, antes, não havia.
Além disso, Pandora também ganha mais vida e os animais, em especial os tulcun, são importantes para o desenrolar do filme e são mais bem aprofundados, para além daquela exibição contemplativa do longa anterior.
Agora, nada no enredo ou nos diálogos se sobressai ao espetáculo visual. A água é mais real que a água de verdade, o mesmo vale para o fogo. Essa é a brincadeira que costumo dizer sobre Avatar. Tecnicamente, o filme é esplêndido, irretocável, uma experiência sensorial mágica. Do primeiro ao último minuto, tudo em tela beira a perfeição visual.
Após duas horas arrastadas, o ato final, que dura quase uma hora, é voltado à ação. Com a qualidade técnica já citada e batalhas em terra, ar e água, Cameron aproveita todas as oportunidades para desenvolver um combate frenético e muito bem dirigido, que, apesar dos ganchos deixados, pode sim ser considerado o início de um despedida para este universo.
Pontos negativos
É tradição de Avatar ter personagens irritantes. Aqui, em especial Jake Sully e o coronel, repetem o que já presenciamos em outros momentos e tem atitudes para lá de cansativas. Sabe quando o roteiro não sabe mais o que fazer com eles e passa a dar destaque ou falas totalmente desnecessárias? É, acontece com frequência.
Esse arco de ‘morde e assopra’ dos dois já passou da hora de ser encerrado – esperamos que tenha sido a última vez que vimos este embate. No entanto, não são apenas eles que irritam, os filhos de Sully e Neytiri também, assim como alguns personagens da tribo da água. Cansamos de decisões idiotas e inconsequentes dos mesmos que já tiveram estes erros e não aprenderam.
Claro, o filme teima em andar em círculos, avançando a passos lentos em diversos momentos. E, nas duas primeiras horas, é necessário fazer uma força tremenda para manter o interesse. Quando passa e a história avança, é um alívio.
Vale a pena assistir Avatar: Fogo e Cinzas?
Creio que Avatar é sempre uma experiência cinematográfica interessante, principalmente em uma sala de cinema. Mas, desta vez, assisti ao filme em casa e fui conquistado pelo conteúdo, da hora final, em especial. Entre os três até agora, é o segundo melhor e mostra que a fórmula está cansada, mas consegue entregar algo ainda mágico.
Novamente, o filme ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais e James Cameron já prometeu encerrar a saga com cinco filmes. Veremos.
Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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