De Demolidor a Flash: o mito de que tudo tem um propósito positivo

Você espera por algo impossível? Essa é uma temática recorrente, tanto na ficção quanto na vida real. Às vezes, no mundo por trás da tela, é mais fácil que isso aconteça. Mas, se você é religioso o suficiente, conhece o conceito de milagre. E, mesmo que não seja, há de pensar no acaso, em alguma força maior… enfim.
Mas o que quero trazer como reflexão é: embora eu acredite no impossível, sou obrigada a dizer que nem tudo acontece por algo maior, um motivo especial. Muitas vezes, você só precisa viver aquele momento ruim, pois ele faz parte da vida.
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Atualmente, se ouve muito essa ideia de compensação para momentos tristes ou trágicos. Mas a vida não não tem dessas. Esses dias estava assistindo a Demolidor: Renascido e, assim como muitos fãs da série, queria que Foggy voltasse. Ele é um personagem que morre na temporada anterior e há uma expectativa para que ele volte agora.
Quem sabe a série nos surpreenda? Pode acontecer. Mas não acredito que essa seja a força motriz da trama (não agora). É uma história urbana que se propõe a ser mais realista. Claro que fico na expectativa. Afinal, na ficção, especialmente no universo Marvel, isso é comum. Vai que Foggy retorna? Eu ficaria muito feliz.
Mas precisamos nos agarrar ao que temos agora: ele morreu. Lide com isso! Seu sofrimento não vai gerar nada de produtivo, nada de especial.
Voltando à vida real, quantas vezes estamos passando por um momento ruim e alguém, com a melhor das intenções, tenta nos animar dizendo que “há algo melhor chegando”? Mas não. Uma coisa não depende da outra. Às vezes, não há algo melhor chegando, e precisamos lidar com isso.
Que mundo é esse em que até os momentos ruins precisam ser produtivos, positivos e cheios de propósito?
Haverá momentos ruins, assim como haverá momentos bons. Só não condicione uma coisa à outra.
Quer ver outro exemplo interessante? The Flash. Nossa, que história triste. O menino vê a mãe morrer por um ser desconhecido, enquanto o pai é injustamente responsabilizado e condenado à prisão perpétua. Barry Allen passa boa parte da sua trajetória tentando provar a inocência do pai, ao mesmo tempo em que precisa lidar com a perda da mãe.
Não há compensação.
O mais interessante é que, nesse caso, o realismo vai ainda mais longe. O herói consegue viajar no tempo, alternar entre realidades. Em alguns momentos, pode até rever a mãe. Ele acredita no impossível, porque foi vítima de algo assim. Mas, ainda assim, nada muda as tragédias da vida dele.
Este pode parecer um texto triste ou amargurado. Mas, na verdade, é uma autorreflexão que fiz a duras penas e que tem grande valor para a vida. Nada é 100%. Dias bons e dias ruins sempre vão existir, sem uma dependência necessária entre eles.
Há lutas que passamos simplesmente porque fazem parte do caminho…
Sobre o Autor
- Jornalista de formação, sou redatora há 10 anos. Já escrevi de tudo um pouco e agora estou mergulhando no universo do entretenimento. Há muito o que se descobrir por aí e é através da comunicação que quero fazer isso: this is the way!
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