Crítica | All Her Fault

Crítica | All Her Fault

Série lançada em 2025 e estrelada por Sarah Snook (Succession, O Predestinado), All Her Fault chegou ao Brasil no catálogo do Prime Video e vem chamando atenção da crítica e do público. Na trama, Marissa Irvine vai até a casa de Jenny (Dakota Fanning) buscar seu filho Milo (Duke McCloud). No entanto, ao chegar lá, não é a casa da quem ela esperava ser e muito menos seu filho está lá. A partir desse momento, a série mergulha em uma história de crime envolvendo sequestro infantil e segredos familiares, onde absolutamente todos se tornam suspeitos.

A cada episódio, All Her Fault constrói sua tensão revelando pequenos e grandes detalhes da trama principal. A série aposta em pistas falsas e informações sutis que tanto ajudam a guiar o espectador quanto servem para aumentar a sensação de mistério e desconfiança. Mas será que funciona como minissérie? E mais importante, vale a pena assistir?

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Suspense envolvente que prende desde o início

Um dos maiores acertos de All Her Fault está na forma como sua história é apresentada. Desde o primeiro episódio, a narrativa já começa forte. O público fica confuso e angustiado, assim como a protagonista. Quando Marissa percebe que nunca falou diretamente com Jenny e que o número usado para combinar a busca de Milo foi desativado, a ficha dela cai e ela percebe que algo terrível aconteceu.

Um dos principais recursos utilizado pela série são os cliffhangers ao final de cada episódio. Sempre há uma revelação ou uma nova dúvida que faz com que seja difícil parar de assistir. Existe aquela sensação constante de que uma peça importante acabou de ser entregue, mas que no próximo capítulo tudo pode mudar novamente. Esse jogo de expectativas funciona bem e explica o sucesso da minissérie entre quem gosta de histórias para maratonar.

Outra coisa interessante é como o roteiro é feito de forma a fazer com que o espectador desconfie de todos os personagens. Seja por um diálogo, uma atitude estranha ou as duas coisas ao mesmo tempo. Até mesmo Marissa e Peter, os pais da criança, entram nesse “barco”. Será que eles seriam capazes de fazer algo com o próprio filho? Essa camada de suspense deixa a produção ainda mais instigante.

Atuações e críticas sociais

O elenco é outro destaque claro da produção. Sarah Snook entrega uma atuação intensa, transmitindo bem o desespero, a culpa e a fragilidade de uma mãe colocada sob julgamento o tempo todo. Dakota Fanning também se sobressai, interpretando uma personagem que, apesar de muito diferente de Marissa, carrega conflitos igualmente profundos. As duas funcionam muito bem juntas e dão peso emocional à história.

Sophia Lillis, no papel de Carrie, aparece menos, mas quando ganha espaço, acrescenta elementos relevantes à trama. Sua personagem ajuda a expandir o universo da série e traz novos pontos de tensão quando finalmente entra em foco. Outro personagem interessante é o Detetive McConville, interpretado por Michael Peña. Ele, ao mesmo tempo que tenta desvendar o mistério, coloca uma questão sobre moralidade que vai fazer sentido com algumas decisões finais que o público terá que lidar.

Por outro lado, personagens como Peter (Jake Lacy) e Richie (Thomas Cocquerel) mostram um contraponto interessante a respeito do papel dos pais nas relações familiares. É com eles que a série traz um elemento que vai além do suspense policial. A minissérie traz críticas que faz às relações familiares após a chegada de um filho.

São abordadas situações como a culpa costuma recair quase sempre sobre a mulher, como a maternidade é tratada como responsabilidade exclusiva da mãe e como a falta de diálogo vai deteriorando a relação do casal. O título da série resume bem essa ideia, reforçando bastante atuais sobre esses conflitos.

Problemas de ritmo e um desfecho que divide opiniões

Apesar de um início bem forte, All Her Fault enfrenta problemas em sua parte central. Em determinado momento, a trama se torna um pouco repetitiva, apresentando situações que não fazem a história avançar de forma significativa. O excesso de pistas falsas, que inicialmente ajuda a manter o mistério, passa a soar como um recurso apenas para alongar a duração da produção.

Um ponto que chamou atenção foi o desfecho da série. Para algumas pessoas, a produção exagera na sequência de reviravoltas finais e acaba se afastando do realismo construído até então. Ainda assim, não acredito que se afaste da proposta e, para muitas das conclusões, já havia sido deixadas pistas no decorrer dos episódios.

Vale a pena assistir All Her Fault?

Histórias como All Her Fault são fáceis de recomentar justamente pelo formato dos episódios, que entregam tudo aquilo que o público gosta. Um mistério engajante, situações de emergência muito grande, pontos de vista que colocam o espectador para desconfiar de tudo e todos, e doses de revelação a ‘conta-gotas’ para manter a audiência presa à narrativa.

Mesmo com alguns problemas de ritmo e que algumas de suas resoluções possam destoar do restante do realismo apresentado anteriormente, vale muito a pena toda a jornada. O envolvimento emocional, as reviravoltas constantes e as discussões levantadas ao longo dos episódios tornam a experiência bastante satisfatória.

Não é à toa que All Her Fault fez sucesso em 2025 e, ao chegar ao catálogo brasileiro do Prime Video no início de 2026, conseguiu se manter por tanto tempo no top-10 da plataforma. É uma série que entende entrega um suspense eficiente, daqueles difíceis de largar antes do último episódio.

All Her Fault
ALL her fault
Minissérie aposta em suspense psicológico, reviravoltas e críticas afiadas sobre maternidade, culpa e relações familiares
3.5

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.