Crítica | Wonder Man

Crítica | Wonder Man

Wonder Man é uma daquelas séries da Marvel que pegam o espectador desprevenido, principalmente quem chega esperando ação desenfreada, grandes batalhas e conexões diretas com o futuro do MCU. Aqui, o foco é outro.

A trama acompanha Simon Williams (Yahya Abdul-Mateen II), um ator metódico, obcecado por entender profundamente cada personagem que interpreta, mesmo quando os papéis são pequenos. Esse cuidado, e uma certa ansiedade, já transmite muito das inseguranças que Simon tem e principalmente já deixam uma mostra dos segredos que ele esconde.

Quando surge a chance de fazer a audição para um remake de Wonder Man, o herói que marcou sua infância, ele precisará não apenas se preparar para ganhar o papel, mas também lidar com forças externas que estão apenas a espera de um vacilo dele para capturá-lo.

Uma dupla inesperada que funciona muito

Um dos acertos da série é a relação entre Simon e Trevor Slattery (Ben Kinglsey), o falso Mandarim visto em Homem de Ferro 3 e Shang-Chi. Os dois possuem uma dinâmica curiosa, cheia de humor, reflexões sobre fracasso e sobrevivência na indústria do entretenimento. Além disso, vai se criando uma amizade que pode ser abalada a qualquer momento devido aos segredos que os dois carregam, e isso é uma das viradas dramáticas que a série vai, aos poucos, desenvolvendo.

Wonder Man também se alimenta bastante desse olhar para os bastidores de Hollywood, fazendo referências constantes a filmes, séries, atores e ao próprio funcionamento desse universo real, desde como funcionam os testes e audições, às peculiaridades dos atores e dos diretores que lideram os projetos.

Direção e tom da série

Sob o comando de Destin Daniel Cretton, de Shang-Chi e do futuro Homem-Aranha: Um Novo Dia, a série aposta muito mais na comédia dramática do que na ação. Aliás, ação quase não existe. Simon não é, de fato, o super-herói que dá nome à série, ele quer apenas interpretar o herói de sua infância em um filme.

Em relação aos poderes de Simon, eles são tratados como um mistério, quase um problema, surgindo em momentos de tensão e ansiedade do personagem. Nao há explicações ou cenas grandiosas. O foco não é esse. A série segue uma proposta mais contida, e quer contar sua própria história sem precisar servir como vitrine para o futuro da Marvel.

Simon e Trevor são os grandes destaques e a série funciona muito bem com eles. Todos os outros elementos da série são meros coadjuvantes, mas ninguém destoa muito. Até mesmo quando figuras reais como Joe Pantoliano e Josh Gad aparecem em cena, eles não roubam o destaque dos protagonistas.

Vale a pena assistir?

Wonder Man não entrega pistas sobre Quarteto Fantástico, Doutor Destino ou grandes eventos do MCU. Quem busca isso pode sair frustrado. Mas para quem quer uma série diferente, mais autoral, que mistura Marvel com um pouco de The Studio, Hacks e drama existencial, a experiência é bastante satisfatória.

Apesar de ter o seu ritmo um pouco lento, mesmo com episódios curtos, a série busca inovar, tem inclusive um episódio inteiro em preto e branco e com foco em outra história, no meio. Isso pode dar uma quebra gigantesca para alguns espectadores, mas para mim funcionou e foi um dos meus momentos favoritos da série.

A Marvel parece, finalmente, mais cuidadosa aqui, apostando em qualidade. Sem querer apresentar um novo personagem apenas para que ele apareça em uma nova série ou filme no futuro. Aqui a proposta é apresentar Simon Williams e fazer o público entender quem ele é.

Gostei muito do personagem e acho que, se a Marvel quiser usá-lo no futuro, o terreno está bem preparado sem precisar apelar para referências ou easter eggs que antigamente deixariam os fãs animados e hoje não passariam de referências vazias.

Os 8 episódios de Wonder Man (Magnum) já estão disponíveis no Disney+.

Wonder Man
WONDER MAN (2026)
Wonder Man prova que a Marvel não desaprendeu a fazer boas produções.
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Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.