Crítica | Supergirl (2026)

Crítica | Supergirl (2026)

Supergirl é o segundo filme do DCU (Universo DC) comandado pelo DC Studios, sob a liderança de James Gunn e Peter Safran. O projeto acompanha Kara Zor-El (Milly Alcock) e traz conexões diretas com Superman, de 2025.

Havia muita expectativa e certa desconfiança. O filme seria mais uma “obra James Gunn”? Os trailers entregaram uma vibe muito parecida com Guardiões da Galáxia. Mas, na prática, isso não acontece necessariamente.

Confira a seguir a crítica de Supergirl, longa-metragem dirigido por Craig Gillespie e que “abre os trabalhos” para os filmes de super-heróis de 2026.

Qual é a história de Supergirl?

Sem saber o seu lugar no imenso universo em que vive, Kara Zor-El (Milly Alcock) completa 21 anos e sai para comemorar em planetas de Sol vermelho para conseguir se embebedar. Longe de querer adotar responsabilidades, seus caminhos se cruzam com a de Ruthye (Eve Ridley), que busca vingança após Krem (Mattias Schoenaerts) matar toda a sua família.

Apesar de relutar inicialmente, Kara acaba colocando Krem como alvo depois que ele atinge ela de forma pessoal e a coloca em uma corrida contra o tempo para encontrar o bandido e fazer justiça, enquanto sua pequena companheira e aprendiz deseja vingança.

Pontos positivos

Milly Alcock nos apresenta uma Kara Zor-El ainda em processo de construção para se tornar a Supergirl. Apesar de já usar uniforme e fazer pleno uso dos poderes, ela não pensa em ser uma heroína como o seu primo Clark/Kal-El. O longa é eficiente em mostrar a história de fundo da personagem e como tudo o que ela vivenciou a deixou sem propósito. Ela não consegue fazer da Terra o seu lar, como Clark fez, e por isso prefere vagar pelo espaço, se embebedar e evitar responsabilidades. Alcock encontra o tom certo para a personagem, transitando com naturalidade entre vulnerabilidade e força. Carismática, ela sustenta bem o papel principal e faz com que seja fácil se conectar com a jornada da kryptoniana.

A dinâmica entre Kara e Ruthye é um dos maiores acertos do filme, pois ao mesmo tempo em que precisa agir como mentora e protetora, a Supergirl ainda está tentando entender quem deseja ser. Ela se vê na garota que perdeu a família e transformou a vingança em razão para seguir em frente, sem perceber que alcançar esse objetivo não necessariamente trará satisfação. Isso impede que a trama seja superficial e cria motivações interessantes para acompanharmos a jornada.

Krypto funciona como um alívio cômico eficiente e rapidamente se torna um dos elementos mais carismáticos do filme. Já a participação especial de Jason Momoa como o mercenário Lobo é rápida, mas acrescenta uma dose de irreverência que acaba sendo bem-vinda. Ainda que seja basicamente Momoa maquiado e pilotando uma moto extremamente estilizada, o personagem é divertidamente caótico e ajuda a elevar algumas das melhores cenas de ação.

As ambientações espaciais, ainda que familiares, são diferentes entre si e ajudam a expandir esse novo universo da DC. Não há tanta inventividade quanto poderia haver, mas passeamos por uma espécie de “subúrbio galáctico”, permitindo que a história toque em temas como vazio existencial e até mesmo tráfico de mulheres e crianças.

A fotografia é pouco explorada, mas entrega momentos visualmente bonitos. Os destaques ficam para uma cena da Supergirl gritando no vazio do espaço e outra em que a heroína surge com o brilho do Sol ao fundo.

E o filme vai mais para o lado de Superman ou de Guardiões da Galáxia? A verdade é que há influências de ambos, mas o tom é diferente. É mais sério e menos otimista que Superman, enquanto também diverte menos que Guardiões da Galáxia, mas possui maior foco por não ter que dividir o tempo de tela com tantos personagens. No fim das contas, trata-se de uma história de amadurecimento disfarçada de aventura espacial.

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Pontos negativos

Baseado em uma das melhores histórias em quadrinhos da DC Comics, Mulher do Amanhã, o longa segue a mesma jornada central, mas faz mudanças importantes que acabam retirando parte da substância da obra original. Com isso, o filme apresenta uma sequência de acontecimentos extremamente episódicos, cuja conexão nem sempre convence.

As motivações do vilão, que já são um problema por si só, também não ajudam. Apesar de passarmos cerca de 90% do tempo no espaço, as movimentações entre os diferentes locais nunca ficam muito bem explicadas, o que enfraquece a sensação de progressão da aventura.

A direção de Craig Gillespie não faz muito para fugir do convencional. Isso fica evidente principalmente nas cenas de ação, que são extremamente picotadas e mal editadas. A montagem rápida dificulta acompanhar a geografia dos combates e reduz o impacto dos golpes, principalmente quando há muitos personagens em tela. Gillespie conduz bem a relação entre Kara e Ruthye, mas raramente encontra soluções visuais que diferenciem o filme de outras aventuras espaciais recentes. Há um potencial desperdiçado quando levamos em conta a qualidade da obra-base.

O vilão Krem também é um problema. Ele representa uma ameaça real, mas o roteiro nunca deixa muito claro quais são suas ambições ou o que realmente o move. Como suas intenções permanecem superficiais durante boa parte da trama, o personagem acaba caindo no estereótipo do vilão que é mau simplesmente porque o roteiro precisa que ele seja. Em alguns momentos, a própria Supergirl parece ser artificialmente enfraquecida apenas para que ele continue relevante até o confronto final.

Acabam acontecendo também muitas similaridades com filmes como Mad Max: Estrada da Fúria e Guardiões da Galáxia, o que deixa claro que a trama não possui grande originalidade.

E não há nada de muito memorável no filme. A trilha sonora raramente encontra momentos marcantes e utiliza algumas músicas pop em uma fórmula que já se tornou característica das produções ligadas a James Gunn. Os efeitos visuais, por outro lado, funcionam bem na maior parte do tempo e nada a ponto de incomodar como aconteceu em The Flash, por exemplo.

Tem cena pós-créditos?

Supergirl acaba tendo uma história muito mais contida em seu próprio universo, mesmo com conexões com Superman, que está presente em algumas cenas já mostradas nos materiais promocionais. Não há cena pós-créditos, pontas soltas para o futuro ou apresentações de potenciais vilões e personagens para possíveis sequências.

Vale a pena assistir?

Supergirl está longe de ser um filme perfeito. A trama não é original, as cenas de ação, tão importantes para produções do gênero, são pouco inspiradas e mal editadas. O roteiro também está longe de ser um dos grandes destaques da obra. Ainda assim, existe uma protagonista forte, que passa por uma jornada interessante e sustenta boa parte da narrativa. Há boas dinâmicas entre os personagens e uma fotografia que, apesar de bastante artificial em alguns momentos, consegue agradar na maior parte do tempo.

É uma aventura divertida, que mistura busca por identidade, amadurecimento e uma reflexão sobre vingança, seus custos e suas consequências. Mas talvez o aspecto mais interessante seja perceber que a DC finalmente parece mais confortável na construção de um universo compartilhado, sem depender o tempo todo de conexões forçadas para justificar a existência de cada filme.

Na minha opinião, vale a pena assistir justamente por ser um entretenimento competente, que não exige muito do espectador e entrega uma experiência agradável. Você provavelmente não sairá do cinema considerando Supergirl um dos melhores filmes de super-heróis já feitos, mas também dificilmente sentirá que perdeu duas horas da sua vida.

Mesmo sem reinventar o gênero, Supergirl consegue justificar sua existência graças a uma protagonista carismática, um arco de amadurecimento bem construído e à relação de mentora desenvolvida entre Kara e Ruthye. O principal problema é que o filme parece satisfeito em ser apenas uma aventura episódica, sem explorar todo o potencial dramático e visual presente no material original.

Milly Alcock como Supergirl
supergirl (2026)
Com uma protagonista carismática e uma boa dinâmica entre os personagens, Supergirl diverte, mas deixa a sensação de que poderia ser muito mais.
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Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.