Crítica | Minha Melhor Amiga (2026)

Crítica | Minha Melhor Amiga (2026)

“Eu acho que a gente se apaixona pelos nossos amigos. Tem pessoas na vida que a gente esbarra, e tem pessoas na vida que a gente encontra.”, essa famosa frase exemplifica, da forma mais genuína possível, o que vemos em Minha Melhor Amiga. Lançado no dia 3 de setembro, o filme dirigido por Susana Garcia está enchendo as salas de cinema de todo o Brasil e provando, mais uma vez, a força do cinema nacional. 

Estrelada por Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, acompanhamos a história de Júlia (Mônica) e Clara (Ingrid) – nomes das filhas das duas na vida real -, duas melhores amigas, na faixa etária dos 50 anos que embarcaram para uma viagem para Portugal após se despedirem de suas filhas, estas que foram para um intercâmbio no mesmo país. A partir daí temos o privilégio de acompanhar as aventuras delas pelo velho mundo. 

Humor e a química das atrizes

Minha Melhor Amiga é daqueles filmes impossíveis de assistir sem terminar com dor no abdômen de tanto rir. Sem dúvida, o que torna a produção tão divertida e leve é a conexão genuína entre Ingrid e Mônica – afinal, algumas cenas são inspiradas em vivências de uma amizade de quase 30 anos. Ao longo do filme, temos a sensação constante de que várias falas e risadas não estavam escritas, o que parece é que em muitos momentos elas estão apenas conversando como elas mesmas e não como as personagens. Essa química toda se dá pelo fato de serem duas amigas com um senso de humor muito parecido que, antes de tudo, estão se divertindo MUITO em um projeto idealizado por elas. 

Além disso, o sucesso de Minha Melhor Amiga não se dá à toa. Tanto Mônica, quanto Ingrid, são atrizes muito conhecidas e queridas pelo público, além disso, o humor que vemos nesta produção é muito semelhante a outros já aclamados, como Minha Mãe é uma Peça, Minha Vida em Marte, De Pernas Pro Ar, entre outras.

Lições de vida além da comédia

O grande trunfo de Minha Melhor Amiga vai além da comédia, e está na forma leve como o filme esbarra em tópicos importantes. A começar pela relação sólida entre as protagonistas, construída sem rivalidade feminina, o que por si só é um acerto raro. A produção ressignifica o conceito de amor ao provar que ele não precisa vir acompanhado de um envolvimento de casal, ao mesmo tempo em que debate o envelhecimento feminino. Seja na vida sexual ou no ambiente profissional, a obra expõe e questiona a lógica ultrapassada de que existe um “prazo de validade” para as mulheres. 

Mas, para mim, o ponto mais interessante de Minha Melhor Amiga – depois da linda amizade entre elas – é como é abordado o tempo das coisas. Uma lição linda sobre como cada pessoa tem seu próprio tempo para viver a vida, e que é possível recomeçar ela em qualquer momento, seja com 20, 30, 40 ou 50 anos, até porque, como a própria Júlia fala próximo ao final do filme “O tempo, é o nosso único bem precioso que não volta, a gente não compra, e só depende da gente [….] O tempo é só nosso”.

Homenagem e trilha sonora

Dois momentos específicos de Minha Melhor Amiga me deixaram emocionadas. O primeiro é o momento em que Júlia e Clara estão viajando de carro e começa a tocar Tempo Perdido, da banda Legião Urbana, acredito que o contexto emblemático da cena com a trilha sonora explicam, de forma clara, do que se trata o filme. Simplesmente, perfeito!

E o outro é quando elas estão em Sevilha, na Espanha, e refazem a cena de Minha Vida em Marte, na qual os personagens em questão esbarram em alguém para falar sorry, ali Mônica olha para Ingrid e fala “Acho que ele vai gostar disso”. Uma homenagem para Paulo Gustavo, que estrelou a obra ao lado de Mônica.

Vale a pena assistir?

Minha Melhor Amiga é o tipo de filme que é impossível você olhar e não se apaixonar, então vale muito a pena assistir. Minha única ressalva fica com os diálogos que às vezes se estendem mais do que deveriam, mas não é nada que atrapalhe o roteiro.

Protagonistas de Minha Melhor Amiga
MINHA MELHOR AMIGA (2026)
O tipo de filme que é impossível você olhar e não se apaixonar, então vale muito a pena assistir
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Sobre o Autor

Juliene Pereira
Juliene Pereira