Crítica | Sterling Point acerta ao abraçar os clichês do gênero teen

A Amazon Prime Vídeo percebeu que as produções voltadas para o público adolescente representam um nicho forte e tem investido pesado nelas. Só este ano, a plataforma lançou títulos como Off Campus, O Verão que Mudou Minha Vida, Depois Daquele Ano, Elle, entre outras séries e filmes do gênero. A grande aposta da vez é Sterling Point, que chegou ao streaming no dia 5 de agosto e, em poucos dias, já havia se tornado uma sensação na internet.
Criada por Megan Park, a obra acompanha Annie Jacobson (Ella Rubin), uma jovem que vive em Nova Iorque com seu irmão gêmeo, Connor (Keen Ruffalo), e seu pai adotivo. A vida de Annie sofre uma reviravolta após a morte do avô materno, que deixa de herança para a dupla uma ilha no Canadá. Ao ir até o lugar, Annie descobre a existência de Ramona (Amélie Hoeferle), irmã deles.
Clichês na medida certa
Sterling Point não é uma série inovadora, pelo contrário, todos os clichês estão ali e a trama lembra bastante outras produções teen. Porém, o seu maior acerto (e o segredo de todo esse sucesso) é que ela não tem vergonha de ser o que é. A produção não tenta forçar reviravoltas em todos os episódios, bem pelo contrário, ela aposta em uma narrativa única que se desenrola de forma muito natural ao longo dos oito episódios.
Outro ponto de acerto são os personagens. Eles são legais, carismáticos e humanos, erram como qualquer adolescente, tomam atitudes contestáveis, mas isso não os torna babacas, o que faz com que o arco de cada um seja bem construído. Os diálogos entre eles são realistas e orgânicos, coisas que um adolescente facilmente falaria, o que dá a sensação de que os atores nem estão atuando, mas apenas vivendo aquele momento.
A série também acerta em outros pontos que considero muito interessantes:
- Ela não se passa envolto de um triângulo amoroso, pelo contrário, o envolvimento de Annie com Ellis (Jacob Whiteduck-Lavoie) e Rory (Daniel Quinn-Toye) não se torna um triângulo amoroso dramático, mas sim apenas uma adolescente entendendo os seus sentimentos.
- O relacionamento de Ramona e Oona (Bo Bragason) não se trata de duas pessoas descobrindo sua sexualidade, mas sim duas pessoas que já lidam muito bem com isso e que estão iniciando um relacionamento.
Ambos os tópicos citados vão na contramão das narrativas que estamos acostumados a ver, o que é muito bom.
O drama familiar em Sterling Point
Mais um acerto de Sterling Point. Ela não se prende apenas na descoberta de Annie com a ilha ou as reviravoltas do passado da sua falecida mãe adotiva. Mas, traz para nós uma linda construção entre o relacionamento dela e da Ramona.
Em todo esse drama familiar os únicos personagens que irritam um pouco são Connor (extremamente mimado e chato) e os adultos que não sabem lidar bem com as situações do passado. Mas de resto, a série consegue abordar toda essa tensão sem perder a diversão, o romance e o toque de bom humor.
Vale a pena assistir a Sterling Point, da Amazon Prime Video?
Sterling Point não é uma produção revolucionária. Mas ela sabe construir muito bem uma história sem transformar todos os conflitos adolescentes em uma grande discussão existencial. Ela é divertida e entende que uma série teen pode ter todos os clichês e continuar sendo interessante para o público, sem inventar muita coisa. Com episódios dinâmicos, vale a pena assistir sem medo.

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