Crítica | Gen V (2ª temporada)

Crítica | Gen V (2ª temporada)

Séries ambientadas em um universo maior podem sofrer pela necessidade de conexões para manter a unidade da franquia compartilhada. O segundo ano de Gen V, mais do que o primeiro, sofre muito por ter que continuar tudo o que aconteceu na quarta temporada de The Boys e seguir sua própria história.

Há momentos em que a série consegue fazer isso bem, mas outros que tramas são atropleadas, redenções apressadas ou referências são feitas somente para nos lembrar da totalidade do universo que estamos assistindo.

Mas quais os pontos altos e baixos da 2ª temporada de Gen V? Vamos falar a respeito a seguir. Siga na leitura e confira a crítica!

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Pontos positivos

A série consegue trabalhar bem a dinâmica do seu grupo de protagonistas. Marie, Jordan e Emma funcionam bem e dá para “comprar” a amizade que vai se construindo entre eles. Os dilemas que Cate passa nessa temporada também são legais, ainda que a personagem passe por redenções apressadas demais. De forma similar, Sam também passa por esse arco de redenção e quando ele se integra ao grupo principal, funciona. O caminho para chegar até lá que não é tão bacana assim, mas isso fica para a parte dos pontos negativos.

Um dos pontos mais positivos da temporada é o vilão Cipher interpretado por Hamish Linklater. Ele é misterioso, sádico, poderoso, perverso e uma verdadeira ameaça. Não dá para saber exatamente o que ele quer e quais são seus planos e isso assusta bastante. É dele que vem o arco do chamado Projeto Odessa, que não apenas dá mais explicações sobre a origem de Marie, como também se conecta com o Capitão Pátria e pode dar pistas do desfecho de The Boys.

Outra situação delicada, mas interessante, é ver como o roteiro da série foi afetado pela morte do ator Chance Perdomo, o Andre Anderson da 1ª temporada de Gen V. A produção optou por não fazer uma reescalação, mas adicionar a morte do ator como um elemento na série. Então a morte do Andre é reverberada em cada um dos personagens de forma consistente do início ao fim da história, sendo importante para o desenvolvimento das tramas. Isso dá espaço para que o Polaridade, pai do personagem, ganhe mais importância e tenha talvez a melhor atuação da temporada com um ótimo trabalho do ator Sean Patrick Thomas.

Gosto também de como a temporada consegue, mesmo que sem tanto foco nisso, mostrar como está esse universo após a tomada do poder pelo Capitão Pátria no fim da 4ª temporada de The Boys. Humanos são colocados em papel de inferioridade em todas as esferas, inclusive no trabalho, e há uma subtrama dedicada a mostrar isso de forma prática na temporada.

Por fim, é interessante ver como esse universo segue falando muito sobre construção de narrativas, usando sempre temáticas muito atuais (de forma assustadora até como cabe na realidade do mundo). Mais do que uma história de heróis e gente poderosa, The Boys e Gen V falam sobre o poder da comunicação das massas.

Pontos negativos

Ao meu ver, a necessidade de uma conexão cada vez maior com The Boys em relação à trama principal é o que faz Gen V “pisar no freio”. Não dá para ter uma história muito grandiosa sem se perguntar onde estão personagens como o próprio Capitão Pátria, que dessa vez não dá as caras aqui, ou alguns dos heróis da série principal. Por isso, a história precisa ser mais contida ao mesmo tempo em que há situações que não são tão pequenas assim.

As revelações sobre Marie e sua conexão com Capitão Pátria, a história de Thomas Godolkin e a própria inserção da Mana Sábia na série tinham potencial para algo mais grandioso, mas aqui tudo acontece de forma muito rápida. Temos uma Marie cada vez mais poderosa, mas que nunca chega no potencial máximo.

A personagem está muito chata aqui, tomando decisões inacreditáveis, sempre agindo com teimosia e carregando uma autopiedade totalmente desnecessária e que só gera dramas que mais atrapalham do que ajudam no deseu desenvolvimento. E nem preciso falar muito sobre a irmã da Marie, a Annabeth, que é acrescentada na história de forma inacreditavelmente chata.

Temos vilões com ideias interessantes, mas parece que suas vilanias precisam sempre ter um freio para não ultrapassar a ameaça da série principal. Lembra que falei do Cipher na parte dos pontos positivos? Quando uma reviravolta acontece sobre ele e segredos são revelados, o personagem cai drasticamente. Chega a ser triste a queda de qualidade, seja em atuação, em ameaça…

Isso também faz com que algumas histórias sejam muito apressadas, bem como resoluções acontecem do nada, personagens entram e saem da trama sem fazer diferença. Mal dá para sentir o impacto das grandes revelações e acontecimentos. Os personagens coadjuvantes malmente registram aqui. Eles são apenas acessórios para unir as histórias de Marie e Thomas Godolkin.

E o futuro?

Os episódios finais deixam o caminho estabelecido para uma conexão ainda maior do núcleo de Gen V com a história de The Boys. Se isso vai acontecer de fato, não dá para saber. Por exemplo, no final da 4ª temporada de The Boys há uma aparição de Sam e Kate ao lado do time do Capitão Pátria, algo que é totalmente ignorado aqui e os dois personagens já estão redimidos e do lado dos mocinhos.

Então, ALERTA DE SPOILER, ao ver Luz-Estrela e Trem-Bala recrutando os jovens de Gen V para o confronto final com Capitão Pátria e Os Sete, não dá para ter certeza se realmente eles vão aparecer de fato na temporada final de The Boys ou qual o tamanho dessa participação. Marie parece ser uma das armas que os heróis terão contra o principal antagonista desse universo, mas será que uma personagem de uma série derivada precisaria ser tão importante assim para resolver uma história na qual ela nem está tão inserida? Vamos ver.

E será que o universo de Gen V continuará após o fim de The Boys? Aí só aguardando para ter algum tipo de resposta.

Vale a pena assistir?

Se você gosta de Gen V, vai encontrar uma segunda temporada mais irregular que o primeiro ano. Há muitos percalços para a história, que não apenas precisa ser uma ponte para o final de The Boys, mas lidar com seus próprios problemas. O grupo principal é carismático e interessante de acompanhar.

Há elementos suficientes para valer a pena assistir, mas também não acredito que seja totalmente indispensável para quem apenas gosta do universo e não quer chegar perdido ao final de The Boys. Se for bem feito, pode ser um acerto gigantesco. Ao mesmo tempo, também pode ser algo totalmente ignorado.

No geral, não achei a temporada horrível, nem excelente. Está bem na média, com pontos positivos bem destacados, assim como pontos negativos que chamam bastante atenção.

Gen V 2a temporada 1
gen v (2ª temporada)
Uma temporada que irregular, que precisa lidar com muita coisa, mas que conta com um grupo de personagens carismáticos o suficiente para valer a pena assistir
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Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.

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