Review | Demolidor: Renascido 2×01 (The Northern Star)

Review | Demolidor: Renascido 2×01 (The Northern Star)

A segunda temporada de Demolidor: Renascido chega com duas missões principais: dar continuidade à história apresentada no primeiro ano e, principalmente, reconquistar o público que não “comprou” a ideia dessa nova série, muito por causa das decisões narrativas que afastaram a trama da produção originalmente lançada pela Netflix. Por mais que uma reformulação tenha sido feita, algumas escolhas simplesmente não tinham como ser apagadas e isso ficou evidente em um primeiro ano irregular que Renascido teve.

Mas será que dá para ter as esperanças renovadas? O começo é mesmo satisfatório? Confira a seguir o meu review completo, com alguns spoilers do episódio 1 da 2ª temporada de Demolidor: Renascido, intitulado The Northern Star.

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Uma guerra, dois lados: Prefeito Fisk x Demolidor

Essa segunda jornada do Demolidor neste novo formato começa de forma um pouco lenta, mas parece proposital. Há muito contexto para ser apresentado, dando destaque para como Nova York ficou após a Lei Marcial imposta pelo prefeito Fisk (Vincent D’Onofrio) e sua Força-Tarefa Anti-Vigilantes que não age somente contra os heróis mascarados, mas contra qualquer um que seja apontado como potencial ameaça.

Qualquer semelhança com a realidade dos Estados Unidos e os atos do ICE contra imigrantes não são mera coincidência.

Se no primeiro ano Matt (Charlie Cox) estava sozinho, afastado dos seus amigos, aqui ele definitivamente está bem acompanhado. Seu relacionamento com Karen Page (Deborah Ann Woll) é essencial para a história, tanto na questão romântica quanto em relação a seu papel como líder dessa resistência contra o prefeito Fisk. Se Matt é a frente física, que vai para os combates, Karen é a cabeça da operação, articulando situações, acumulando fontes e tentando expor os horrores que Fisk faz por baixo dos panos.

E se Matt tem Karen para ajudar na parte operacional das ações, Fisk conta com Daniel Blake (Michael Gandolfini) e BB Urich (Genneya Walton) para manipular a mídia. Se na primeira temporada o BB Report era usado para expor os problemas da Nova York, aqui ele aparece como uma propaganda pró-governo. É tudo tão “limpo” e enlatado que é claramente passa uma sensação de falsidade.

Quem também está totalmente ao lado do Prefeito Fisk é Heather Glenn (Margarita Levieva), psicológa e ex-namorada de Matt. Após os conflitos no final da primeira temporada, a personagem é retratada aqui tendo alucinações e conflitos internos que a colocam possivelmente em um caminho sombrio pela frente. E quando ela altera um formulário para prejudicar Jack Duquesne (Tony Dalton), levando a prisão dele e em benefício de Fisk, fica evidente que ela deixou o lado dos ‘mocinhos’ e já pode ser considerada uma ‘vilã’, ainda que em construção.

A Invasão ao Estrela do Norte prepara o terreno dos conflitos da temporada

Um dos principais destaques em relação às cenas de ação acontece logo no começo com a invasão do Demolidor ao navio Northern Star, usado por Fisk para atracar no porto de Red Hook com armas e outros materiais ilegais. Red Hook inclusive é o grande mistério da primeira temporada, e que acabou levando Vanessa Fisk a acionar Poindexter/Mercenário (Wilson Bethel) para atentar contra a vida de Foggy Nelson (Elden Henson).

Quando o Navio fica meio afundado e vira notícia, Fisk passa a utilizar a narrativa de que foi um atentado terrorista do Demolidor, dando ainda mais força para sua Força-Tarefa. É impressionante como o prefeito consegue reverter as situações a seu favor, colocando sempre os heróis para trás em suas tentativas de derrubá-lo.

Fisk está cada vez mais quadrinesco. Suas atitudes, seu visual (físico e figurino). É impossível olhar para o personagem, principalmente quando ele aparece de costas vestindo seu tradicional terno branco, e não lembrar as versões da série animada do Homem-Aranha dos anos 90 ou da que vemos no Aranhaverso de 2018.

Kingpin

O misterioso novo personagem

Nesse contexto também aparece a figura do Sr. Charles, interpretado por Matthew Lillard. Ele é uma espécie de agente do governo que trabalha para Valentina Allegra de Fontaine, ela mesma. Aqui ele parece estar mediando os interesses dos dois lados, não necessariamente estando nem a favor, nem contra Fisk, mas se aproveitando dos “benefícios” que Red Hook pode trazer para os seus negócios.

Só fica um pouco estranho o como o personagem é “fora do tom” do restante da série, principalmente em constraste com Fisk e sua sisudez. Charles é provocativo, desrespeitoso, engraçadinho e forçado, lembrando muito a personagem de Julia Louis-Dreyfus.

Não é estranho imaginar, depois de Thunderbolts*, que o governo/Valentina ainda mantenham negócios “nas sombras”. E é justamente essa ligação que o personagem de Lillard traz para a série. É interessante ver a série do Demolidor mais conectado ao contexto geral do Universo Cinematográfico Marvel. Se vai ficar só nisso ou veremos mais coisas pela frente, só nos resta aguardar.

Um bom início com muitas coisas para acontecer

Com um tom de suspense onde qualquer passo em falso dos protagonistas pode resultar em cenas violentas, prisões e até mortes, Demolidor: Renascido retorna com mais força que o ano anterior. São muitas tramas e coisas acontecendo, dando ao aspectador uma sensação de anseio pelos próximos episódios.

A cena final, onde Cherry (Clark Johnson) é atacado pela Força-Tarefa, o Demolidor chega para tentar salvar, mas depois é atingido e só com uma “misteriosa” ajuda ele consegue se livrar, a série inicia sua jornada dando aquele gostinho de quero mais.

Quais são os interesses de Dex em ajudar Matt? Quais são os grandes planos de Fisk? O que está acontecendo com Heather Glenn, que após o trauma da primeira temporada está tendo visões com o vilão Muso? E o que realmente o tal do Sr. Charles está querendo com essa situação toda? Ficam as cenas para os próximos capítulos…

Demolidor: Renascido estreia em 24 de março com o primeiro episódio. Serão oito no total, lançados até o dia 5 de maio no Disney+.

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.

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