Crítica | Lupin (Parte 4)

Lupin estreou em 2021 sendo uma das produções mais divertidas da Netflix. Misturando elementos de filmes de assalto com ação e um protagonista marcante, a série francesa estrelada por Omar Sy chega a sua 4ª temporada trazendo mais episódios, novos conceitos e ainda mais peripércias do “ladrão do bem” que se baseia no personagem Arsène Lupin.
Mas será que a fórmula não já cansou? Vamos falar a respeito nesta crítica sobre a parte 4 da série Lupin. Continue na leitura para conferir a opinião com leves spoilers.
Veja também: 8 curiosidades sobre Lupin, série francesa da Netflix
Sinopse da temporada
Na quarta parte, Lupin inicia com Assane preso após os eventos da temporada anterior. Na cadeia há quatro anos, o ladrão está prestes a cumprir sua pena e planeja viajar ao Senegal com Raoul, seu filho, para apresentar a eles suas raízes. No entanto, quando uma nova série de roubos é feita e associada a seu Lupin, ele precisa provar a inocência ao mesmo tempo em que novos fatos colocam sua vida e família em risco.
Velhos problemas, velhas soluções
Lupin tem a sua força justamente quando aposta no seguro. O lado mais legal da série está na exploração da capacidade do protagonista de não apenas planejar grandes assaltos, mas de fazer planos incríveis (nem sempre infalíveis). Por isso é tão legal ver a realização em tela.
Gosto muito mais de quando os velhos problemas (ter que roubar uma jóia do tesouro do Rei da França) ou das velhas soluções (um disfarce bizarro para causar distração e salvar um conhecido) do que quando a série parte para tentar inovar demais e acaba apelando para uma suspensação da descrença além do aceitável (falarei sobre isso no tópico a seguir).
Omar Sy segue muito à vontade no papel de Assane Diop. Com novos desafios, que inclusive demandam mais da sua fisicalidade, ele nunca chega ao ponto de ser um brucutu. A sua inteligência é sempre o ponto mais bacana do personagem, que segue muito carismático. Também gosto muito da parceria dele com Antoine Gouy e seu Bem, que serve como fiel escudeiro. A série cria um drama desnecessário com um triângulo amoroso com Claire (Ludivine Sagnier) que, ao meu ver, pouco acrescenta.
Senti mais falta de uma participação ativa de Guedira (Soufiane Guerrab), que acaba ficando de lado em muitos episódios da temporada. Clotilde Hesme e Hervé Pierre têm participações mais curtas com Juliette e Pellegrini, respectivamente. Já Théo Christine assume o papel de Raoul, agora um pouco mais velho, e com mais destaque na série. Não gostei muito da atuação dele, principalmente para o que a produção demanda do personagem aqui. Para mim, é o ponto mais fraco do elenco nessa temporada 4.
E a suspensão da descrença?
Se as três partes anteriores já exigiam do espectador uma certa suspensão da descrença, essa quarta temporada extrapola os limites do aceitável. As habilidades e capacidades de Assane Diop em escapar as situações e executar os mais inventivos assaltos ficam cada vez mais difíceis de compreender.
Além disso, até mesmo um “soro do envelhecimento” é usado, no que para mim foi o ponto mais baixo da série até aqui.
Claro que não é uma série que se propõe a ser realista, mas até o momento o caminho adotado era o da inventividade. Aqui quase chegamos ao ponto de poderes ou elementos sobrenaturais. Pior solução encontrada até o momento.
E nem coloco em discussão a qualidade da polícia francesa, que é feita de boba por Assane e outros personagens as vezes sem nem muito esforço.
Dá para se divertir ainda?
Com certeza dá para se divertir assistindo Lupin. Quem confere essa série já sabe mais ou menos o que esperar e mesmo que ela extrapole, como foi o que falei no item anterior, ainda há elementos suficientes para justificar o play.
Não a toa, a série figura no topo dos mais assistidos em todo o mundo. Assane é muito carismático e não é difícil torcer para ele, e para o bem daqueles com que ele se importa. Nem todos os personagens ajudam, como por exemplo, essa temporada há atitudes de Claire e principalmente de Raoul que são difícies de engolir.
De forma geral, Lupin é uma série de entretenimento boba, sem muita profundidade em seus temas e que encanta justamente pelo lúdico. A história, que foi muito boa nas partes 1 e 2, fica cada vez mais em segundo plano com atitudes mirabolantes, grupos secretos e tesouros escondidos ganhando destaque, o que para mim mostra um certo esgotamento da fórmula e indícios de que o final está por vir (de forma necessária).
Não é a minha temporada preferida, pelo contrário, considero a pior da série até aqui e até mesmo por isso a nota vai ficar em um patamar regular. Mas não significa que não me diverti, torci por Assane e me impressionei com a capacidade de até onde a série conseguiu levar seu protagonista.

E o final?
Após a nota, é hora de falar com spoilers sobre o final da parte 4 de Lupin. Se você ainda não assistiu, siga por sua conta e risco. Se já assistiu, vem conferir o que realmente aconteceu no desfecho.

Vamos dividir os spoilers entre os principais acontecimentos da temporada. Confira a seguir!
Quem é o Lupin imitador? O problema do início da temporada para Assane é a presença de um novo Lupin praticando assaltos e atribuindo eles à figura de Arsène Lupin. Descobrimos que a copiadora, na verdade, se chama Adèle Kapoor (Laïka Blanc-Francard). Posteriormente, descobrimos também que Adèle está sendo procurada por buscar o Tesouro dos Reis da França por uma sociedade secreta chamada os Guardiões. Ah, e claro, ela é filha de Juliette Pellegrini com Assane Diop, algo que Juliette só descobriu recentemente.
Quem empurrou Sofia Belkacem? Logo no primeiro episódio, durante uma perseguição ao falso Lupin, a policial Sofia Belkacem é empurrada e cai de uma altura considerável. Ela não morre, mas fica boa parte da temporada no hospital. Quando se recupera, ela e Guédira começam a investigar até descobrirem que quem a empurrou foi simplesmente Raoul, filho de Assane. Ele achou que estaria protegendo o pai e agiu no impulso, quase matando a policial namorada de Guédira.
Quem é o grande vilão da temporada? A principal ameaça são os Guardiões do Tesouro da França, e a figura de destaque vilanesca é Guillaume de Charmerace (Loïc Corbery), que estudou com Ben na infância e já teve um passado com Assane. Assane e seus aliados conseguem roubar o Tesouro, mas uma ameaça final é revelada.
O que acontece no final? Nos episódios finais, Raoul descobre que Assane tem uma filha e, por sempre se sentir excluído, resolve se vingar. Ele vai até a Malásia para libertar Hubert Pellegrini, que logo no início desta temporada é enviado para lá por Assane, e juntos uma vingança é planejada. Eles sequestram Adèle e forçam Assane a escolher. Assane decide tentar salvar Adèle, apenas para Raoul, decepcionado, dizer que jamais faria mal a uma pessoa. Então, Raoul parte com Hubert em um helicóptero mostrando que eles devem ser os vilões da parte 5.
Lupin morreu? A última cena da temporada mostra Belkacem tentando atirar em Raoul, mas acaba atingindo Assane Diop, que se joga na frente da bala para salvar o filho. Em choque, Ben, Adèle, Claire e Juliette tentam socorrer Diop, enquanto Raoul vê a cena, mas não se comove e vai embora. A temporada termina sem dar respostas sobre o paradeiro do nosso “herói”.
Vai ter parte 5? Lançada três anos depois da parte 3, a nova temporada é um sucesso global figurando no topo das mais assistidas em diversos países do mundo. Ainda não foi anunciada a 5ª temporada, mas devido aos bons números de audiência é a esse final totlamente em aberto, é improvável que a Netflix não renove as aventuras do ladrão francês que se baseia nos livros de Arsène Lupin para pelo menos mais um novo ano. Só espero que não tenhamos que esperar tanto assim novamente para ver Assane Diop de volta à ação.
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