Crítica | Verity (2026)

Hollywood tem apostado na ideia de adaptar livros de thrillers eróticos protagonizados por jovens mulheres. Recentemente, tivemos A Empregada, dirigido por Paul Feig e protagonizado por Sydney Sweeney e Amanda Seyfried, em uma adaptação do livro homônimo de Freida McFadden. Agora, Verity chega aos cinemas prometendo uma fórmula muito parecida, trazendo Anne Hathaway e Dakota Johnson no núcleo principal para adaptar a obra de Colleen Hoover.
A base da história é praticamente a mesma. No entanto, A Empregada diverte mais do que Verity, que parece se levar mais a sério do que deveria e apresenta uma trama com reviravoltas mirabolantes e pouco críveis. O Entre Sinopses já assistiu a Verity e te conta, em detalhes, tudo sobre esse novo longa baseado no livro de Colleen Hoover.
Qual é a trama de Verity?
A jovem escritora Lowen (Dakota Johnson) passa por dificuldades para conseguir contratos para novos livros. A situação muda quando ela recebe uma proposta atraente, porém cercada de mistérios: dar continuidade a uma saga popular após a criadora das obras sofrer um acidente que a deixou impossibilitada de escrever.
Neste cenário, Lowen precisa mergulhar na vida de Verity Crawford (Anne Hathaway), a autora das obras, e de sua família para entender a melhor forma de prosseguir com os livros. O que ela não esperava é que essa família carrega mais mistérios do que imaginava e um passado para lá de perturbador.
Enredo pouco convincente e suspense frágil
Ao colocar Lowen dentro da casa de Verity, o diretor Michael Showalter (assim como faz a escritora Colleen Hoover no livro) opta por dar o protagonismo à família. Com isso, Verity e Jeremy (Josh Hartnett) são melhor desenvolvidos do que a própria Lowen, renegada ao papel de jovem deslumbrada com a família rica e que, na lógica da trama, estaria obcecada tanto por Jeremy quanto por Verity.
A ideia é instigar o espectador a também se interessar por essa família misteriosa. Por conta disso, cenas que mostram Jeremy como um pai e marido atencioso, somadas às tentativas de sustos envolvendo Verity em estado vegetativo, servem apenas como artifícios frágeis de roteiro. É óbvio que Lowen vai acabar se interessando por Jeremy, assim como é óbvio que há um mistério envolvendo a situação de Verity.
O diretor nem tenta disfarçar. O resultado são cenas constrangedoras, como — alerta de pequeno spoiler — Lowen vestindo as roupas de Verity em um determinado momento. O suspense não é bem desenvolvido, e o desfecho se mostra apressado e pouco inspirado.
Um thriller erótico sem erotismo
Ao se vender como um thriller erótico, esperava-se algo mais inventivo da direção. No entanto, o longa parece ter vergonha de dar espaço para o erotismo: até as cenas de sexo são pouco criativas, e a tensão do suspense não cativa.
O mesmo ocorre com a temática central envolvendo a maternidade e a obsessão de Verity pelo marido. Tudo é frágil e sofre, inclusive, com o corte de cenas impactantes do livro. O tema principal não passa de um pretexto para mais uma trama genérica.
Pouco sobra também das atuações. Com escasso espaço para aprofundar os personagens, Dakota Johnson entrega uma caricatura de si mesma, repetindo a mesma expressão durante todo o longa. Josh Hartnett não consegue entregar um centavo de dúvida em relação ao seu personagem: é o marido que não pensará duas vezes antes de dar em cima da nova escritora. Já Anne Hathaway faz apenas o necessário, com uma atuação monocromática e com pouca margem para explorar diferentes facetas.
Semelhanças diretas com A Empregada
Após ler os dois livros e assistir ao filme A Empregada, é impossível não notar como as histórias se assemelham. Uma jovem com dificuldades financeiras passa a frequentar a casa de uma família rica, na qual a esposa parece assustadora e o marido transparece ser perfeito. Há uma clara tensão sexual entre a jovem e o marido, além de múltiplos mistérios envolvendo o casal.
Contudo, A Empregada funciona melhor porque o enredo não se leva tanto a sério e sua reviravolta é consideravelmente mais plausível do que a de Verity. O filme adaptado da obra de Colleen Hoover tenta passar a ideia de uma trama genial, mas peca pela fragilidade dos acontecimentos a todo instante.
Vale a pena assistir a Verity?
É um filme decepcionante. Embora não desse para esperar uma trama altamente criativa, o longa desperdiça praticamente todos os pontos positivos do livro.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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