Crítica | Coyote vs Acme (2026)

Quem diria que um filme estrelado por um coiote fracassado e um cospobre do Better Call Saul seria um dos mais divertidos de 2026? E ainda mais quando sabemos que essa produção foi descartada e só chegou aos cinemas porque teve seus direitos adquiridos por uma outra empresa. É realmente impressionante tudo que envolve Coyote vs Acme.
Vamos falar a seguir sobre o filme, sem spoilers. Siga na leitura para conferir a crítica completa!
Qual é a história do filme?
No longa-metragem, Wile E. Coyote está cansado de tanto sofrer com os produtos Acme que nunca funcionam direito em sua tentativa de capturar o Papa-Léguas. Ele então assiste a uma propaganda na televisão sobre um escritório de advogados que pode resolver a sua situação e então decide entrar com um processo contra a megacorporação.
Só que, nas mãos de Kevin Avery, o caso está praticamente perdido já que ele só quer buscar um acordo e não levar a busca do Coyote por justiça adiante. No entanto, quanto mais a história avança, mais um laço é formado entre os dois e uma grande conspiração envolvendo Acme, os desenhos animados e os produtos com defeito vai sendo revelada.
Por que é bom?
Trazer os Looney Tunes para o cinema hoje em dia parece ser uma missão arriscada. Space Jam 2 não fez uma grande bilheteria, claro que impactado também pela pandemia. Recentemente tivemos O Dia Que a Terra Explodiu, que teve baixíssima repercussão e distribuição nos cinemas.
Por esse lado, dá para entender porque a Warner descartou Coyote vs Acme. Por outro, ao ver o resultado final, só nos resta lamentar pelo pouco marketing que o filme teve. A bilheteria, inevitavelmente, será baixa. Mas também podemos celebrar o fato de poder ter tido acesso ao filme, que por muito pouco não viraria um lost-media.
Coyote vs Acme triunfa ao não se apegar somente à nostalgia. As referências e os easter eggs estão lá por todo o filme. Há participações especiais em praticamente toda cena. Há momentos em que vemos cenas dos desenhos originais. Mas nada disso é mais relevante do que a história que o filme tem para contar.
Além de ser uma premissa interessante, colocando o fracassado Coyote em evidência para “brigar por seus direitos” contra a Corporação Acme, também conseguimos enxergar novas nuances do personagem e até a sua marca registrada que é falhar ao tentar pegar o Papa-Léguas é ressignificada para ajudar no desenvolvimento do advogado Kevin.
Em filmes onde atores contracenam com animações ou elementos fantásticos (como Transformers, por exemplo), sempre os personagens humanos passam a sensação de que atrapalham o filme divertido que poderia ser se eles não estivessem em tela. E aqui, por mais caricatos que alguns sejam, eles fazem sentido na história.
E ainda é louvável que exista essa metareferência da briga do personagem contra a corporação que rege aquele universo ter tido a briga para que o filme saísse já que a empresa que é dona dos seus direitos e produziu o filme queria descartá-lo.
Por fim, Coyote vs Acme é uma carta de amor aos personagens Looney Tunes e sua trajetória, transformando até mesmo os defeitos dos produtos da Acme em um motivo plausível dentro da história para existir.
Há problemas no filme?
Tenho muito mais a elogiar do que a criticar de fato no filme. Não gosto tanto das participações do advogado da Acme, interpretado por John Cena, mas não é nada que tire da experiência. Ele precisa ser daquele jeito para vilanizar não somente com Kevin, mas também com o Coyote.
Há quem possa sentir falta de mais participação de outros personagens Looney Tunes, mas eu vejo que esse é um filme do Coyote e que os outros são somente cameos para fazer o público sorrir. Até mesmo quando um determinado personagem aparece para resolver a história com informações importantes, pode ser considerado um Deus ex machina, mas funciona dentro da proposta do filme.
Vale a pena assistir?
Coyote vs Acme vai te fazer sorrir do início ao filme, e pode até emocionar em uma certa cena feita justamente para isso. É um filme de duração curta, com uma história envolvente e repleta de familiaridades que vão fazer desde os fãs mais antigos até as crianças de hoje em dia se divertirem por 1 hora e 43 minutos.
Que bom que esse filme viu a luz do dia!

Ótimo
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