O Morro dos Ventos Uivantes: diferenças entre filme e livro

O Morro dos Ventos Uivantes: diferenças entre filme e livro

“O Morro dos Ventos Uivantes” é um filme de 2026 dirigido e roterizado por Emerald Fennell, que deveria ser uma adpatação do livro homônimo escrito por Emily Bronte. Mas, desde a escalação do elenco principal, quem conhece o mínimo sobre a obra literária sabia que haveria grande distanciamento e assim foi.

As aspas no título já sugerem essa distância da adaptação. A autora do longa não fez desse um retrato fiel e nem ao menos tentou. Adpatações de obras literarias nunca serão identicas, primeiro porque livros contam muito com a imaginação de cada leitor, ou seja, cada experiência é única. E segundo que tem elementos que não funcionam na tela como é bem arranjado no papel.

Mas, mesmo com todos esses adendos, ao assistir obras adaptadas, quem leu, sabe quando há um mínimo interesse em fazer algo respeitoso a obra original. E não é o caso aqui. Veja abaixo o que está como no livro e o que é mudado no filme.

“O Morro dos Ventos Uivantes”: Livro x Filme

O livro conta com uma narradora e começa a história em um tempo presente e fica voltando ao passado para contar os fatos. No livro acompanhamos tudo no presente e a narradora em questão é realmente acompanhante da trama, que é Nelly. Porém, a participação dela se molda ao que se torna a história, então acaba sendo meio que descaraterizado ao longo do caminho, se quiser comparar quadro a quadro.

Alguns personagens importantes também não existem, já que a trama do filme se prende a contar apenas um fluxo de história. Cathy Linton e Linton Heathcliff não existem. Catherine Earnshaw chega a engravidar e Heathcliff chega a casar com Isabela Linton, mas o filme acaba antes que possa haver seguimento das gerações.

Outra mudança, não tão importante, mas que existiu, embora não saiba o motivo, é que Isabela não é irmã de Edgar Linton. Ela é apenas sua pupila, uma jovem com quem divide a casa, histórias e carinho, mas não há laços sanguíneos, nem nutrem algum sentimento carnal um pelo outro.

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Mudanças polêmicas

Sem contar as mudanças a cima, que embora sejam importantes, estão longe de ser as que causaram grandes polêmicas. O tom do livro tem uma carga gótica e flerta com sobrenatural em alguns momentos. Nada disso é levado em consideração, a não ser em algumas referências.

Há momentos no livro, quando retorna já repaginado, que Heathcliff enxerga Catherine no reflexo da janela, como um fantasma. Isso não acontece no filme, mas há algumas cenas em que o reflexo da personagem aparece em um dos vitrais do quarto dele. É um aceno poético aos momentos fantasmagoricos do livro.

Mas isso ainda não é o problema. Na verdade há dois, onde um encontra o outro: Jacob Elordi e a sexualização da história.

Emily Bronte descreve Heathcliff como um cigano de “pele escura, olhos e cabelos negros”. Veja uma foto de Jacob Elordi e tire suas conclusões. Essa descrição do livro não é atoa. O personagem sofre por ser quem é, sua cor e origem desconhecida (ser órfão sem títulos) fazem dele um qualquer sem direito a amor e, por consequência, levado aos piores maltratos de todos ao seu redor. Tirar esse “pequeno” elemento mexe em toda a história.

Quando chega ao relacionamento entre Catherine e Heathcliff, aí que a coisa desanda de vez! Embora tenha menos sexo do que o filme promove em seus comerciais, há muito mais do que o livro poderia contar.

Bronte não narra traições físicas. Ela sempre esteve devota ao seu amor de infância, mas isso não a fez desrespeitar o casamento dela da maneira que o filme descreveu. Lógico que quando se trata de um casal apaixonado pode-se imaginar que muitas coisas aconteçam, mas Heathcliff latindo pós um momento íntimo é no mínimo peculiar.

O filme acerta em algumas semelhanças

A Granja dos Tordos está muito bem feita. A ambientação geral é bem criada. A relação doentia entre os protagonistas e chamar isso de amor também é bem construído, assim como a devoção inocente e cega e Edgar. Filme e livro são igualmente irritantes e anti-climáticos.

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Sobre o Autor

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Ana Cláudia Oliveira
Jornalista de formação, sou redatora há 10 anos. Já escrevi de tudo um pouco e agora estou mergulhando no universo do entretenimento. Há muito o que se descobrir por aí e é através da comunicação que quero fazer isso: this is the way!