Custe o que Custar transforma segredos familiares em suspense viciante

Custe o que Custar transforma segredos familiares em suspense viciante

Adaptar livros em produções audiovisuais é uma estratégia que tem o poder de criar nostalgia, atrair e prender o público. Em 2026, a Netflix segue entendendo isso. A primeira produção que entrou em seu catálogo foi Custe o que Custar, minissérie que é uma releitura da obra Run Away, lançada a seis anos atrás pelo escritor Harlan Coben.  O tema principal da trama é a luta incessante de uma família com o vício em drogas.

Simon (James Nesbitt) é casado com a pediatra Ingrid (Minnie Driver) e pai de três filhos. A família leva uma vida tranquila até um grande problema aparecer. A filha mais velha do casal, Paige (Ellie de Lange), se torna viciada em drogas e some de casa junto com seu, até então, “namorado”. Na busca por descobrir o paradeiro da primogênita, Simon acaba se envolvendo em uma investigação policial.

Enredo envolvente e tenso 

O primeiro episódio da minissérie lança inúmeros personagens, que inicialmente levam a confusão do telespectador, mas que logo em seguida se desdobra em uma teia de segredos, suspeitas e peças que se encaixam perfeitamente ao roteiro. 

À medida que a investigação avança, a trama revela que o desaparecimento de Paige está ligado a segredos profundos da própria família, que vão muito além do vício em drogas. Mortes mal explicadas envolvendo pessoas adotadas, mentiras cuidadosamente escondidas e a presença de uma seita ampliam o suspense e complexificam a trama. Nenhum personagem é totalmente confiável ou facilmente cativante,  são figuras pouco simpáticas, cheias de falhas e contradições, o que reforça o clima de desconfiança constante e torna a narrativa ainda mais incômoda e envolvente.

Custe o que Custar é uma série feita para prender a atenção do público. Você começa um episódio e, quando percebe, já assistiu a vários, acompanhando novas suspeitas e reviravoltas constantes. O roteiro é perspicaz e entende que, quanto mais pistas são apresentadas ao longo da história, maior é a curiosidade do telespectador, que passa a investigar o que é verdadeiro junto com os policiais.

Vale a pena assistir?

Custe o que Custar vale a pena para quem aprecia produções de suspense que desafiam o espectador e investem em camadas mais complexas de personagens e mistérios. A minissérie entrega exatamente o que promete: uma narrativa tensa, repleta de segredos, reviravoltas bem distribuídas e um ritmo pensado para manter o público atento até o último episódio. No entanto, apesar da eficiência do roteiro ela funciona muito bem como uma maratona envolvente, mas dificilmente se consolida como uma obra memorável a longo prazo, ficando mais próxima de um bom passatempo do que de uma série marcante.

Por: Juliene Pereira

CUSTE
CUSTE O QUE CUSTAR (2026)
Produção da Netflix adapta livro de Harlan Coben. Vale a pena?
4

Sobre o Autor

Juliene Pereira
Juliene Pereira