Crítica | Valor Sentimental

Vem da Noruega o principal adversário do Brasil no Oscar 2026. Valor Sentimental, dirigido pelo renomado Joachim Trier, é uma visão intimista de relacionamentos familiares e como a arte pode ultrapassar diversas barreiras e unir filhos e pais.
Com um núcleo focado em, basicamente, quatro atores e poucos cenários, a produção tem como foco desenvolver as relações humanas e mostrar, além de tudo, a relação destas pessoas com pequenos, mas impactantes, eventos. Indicado em nove categorias no Oscar, realmente vale a atenção dos brasileiros por, talvez, ser a grande ameaça para os prêmios de O Agente Secreto. Já assistimos ao filme e vamos te contar o que, afinal, faz ele ser tão forte nas premiações.
Qual a história de Valor Sentimental?
Após a morte de sua mãe, as irmãs Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas) buscam uma aproximação com o pai que as abandonou ainda criança, Gustav (Stellan Skarsgård). Ele, um renomado diretor de cinema que sempre colocou a arte acima da família, oferece uma papel em seu novo filme para Nora – ela é uma reconhecida atriz de teatro.
Com a recusa de Nora, ele acaba escolhendo a jovem Rachel (Elle Fanning), uma atriz de Hollywood que busca afirmação em produções dramáticas e de maior peso narrativo, para encabeçar a produção. A trama se desenvolve a partir das interações das irmãs com o pai e, também, com o impacto da nova produção dele tendo como protagonista uma atriz americana.
Pontos positivos
Trier repete algo que já vimos em A Pior Pessoa do Mundo (quando repetiu a parceria com Renate Reinsve). O diálogo é o centro da sua narrativa. Valor Sentimental é um filme calmo, centralizado nas relações humanas e as dificuldades naturais de uma família disfuncional. Não temos vilões, nem heróis. O objetivo é que podemos gostar e odiar personagens na mesma medida.
Os dois protagonistas definem muito bem esta ação. Nora e Gustav são erráticos, problemáticos, erram mais do que acertam e, mesmo assim, podem ter momentos que cativam imediatamente o público que está assistindo. Por conta também das excelentes atuações de Renate e Skarsgård, que são magnéticos enquanto estão em cena.
Por ser um filme com uma linha temporal simples e uma narrativa linear, a produção segue de um ponto ao outro sem grandes alterações, exceto pelos flashbacks do passado. Inclusive, vale ressaltar o design de produção para transformar uma casa comum em um personagem na trama. Sim, a casa da família, assim como mostra a cena inicial, é essencial para a trama.
A família, que centraliza a trama, é marcante pela naturalidade. O grande destaque de Valor Sentimental é ser belo nas situações mais corriqueiras, no cotidiano destes personagens. Como, por exemplo, uma cena espetacular entre as duas irmãs, que mostra a mais singela amizade, entre duas pessoas que passaram pelos mesmos problemas e que pareciam, até aquele momento, não terem tido as mesmas emoções.
Além dos dois protagonistas (que estão indicados ao Oscar), Elle Fanning e Inga Ibsdotter Lilleaas também merecem atenção. Diferentes, contudo, parecem roubar a cena quando estão em tela. Elle Fanning poderia fazer a típica atriz jovem estereotipada da Netflix, mas dá camadas essenciais para que possamos simpatizar com a mesma. E Inga Lileaas é esplendida, ganhando mais espaço a cada nova sequência do filme.
Pontos negativos
Apesar de simples, a trama também se arrasta em alguns instante. Não prejudica a experiência, até por ser um filme mais curto que os demais candidatos, mas pode afastar determinados públicos pela falta de qualquer ação em diversos momentos. Mas, afinal, este não é o objetivo de Trier.
Algo que, sim, fragiliza um pouco a trama é a falta de peso narrativo. Com um núcleo muito fechado, parece que ações não tem peso no microuniverso do filme, ainda que sejam essenciais para o desenrolar da trama.
Vale a pena assistir Valor Sentimental?
Adorei a experiência oportunizada por Joachim Trier. Um filme intimista que capta pela simplicidade dos acontecimentos. É um dos meus filmes preferidos da temporada. No Oscar, deve brigar forte na categoria de Ator e Atriz coadjuvantes e na de Melhor Filme, nesta última disputando ‘taco a taco’ com o brasileiro O Agente Secreto.

Sobre o Autor

- Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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