Crítica | Paradise (1ª temporada)

Um dos grandes fenômenos do início de 2025, sem dúvidas, é a série Paradise, estrelada por Sterling K. Brown, astro de This Is Us, e escrita por Dan Fogelman, também criador da série dramática que ficou no ar entre 2016 e 2022. No entanto, aqui encontramos uma produção que sim, tem seu drama e aspectos familiares, mas foca em outras questões.
O sucesso é justificado? O burburinho a respeito da série faz sentido? Ela é mesmo cativante? Vamos falar a respeito!
Leia também: O que é whodunit?
Um começo familiar com uma trama batida
A série começa apresentando o agente do Serviço Secreto dos EUA Xavier Collins (Sterling K. Brown), que trabalha fazendo a segurança pessoal do presidente Cal Bradford (James Marsden). Então, um dia ao chegar para assumir o posto, Collins nota que Cal não responde rapidamente. Então, ao entrar no quarto do presidente, ele o vê morto. Porém decide não revelar o que aconteceu logo, mas espera 30 minutos enquanto investiga o que aconteceu.
Falar sobre isso não é spoiler, já que está presente no trailer e é a premissa inicial da série, acontecendo logo nos primeiros minutos da produção. A partir disso, a série se desenvolve numa tradicional história de whodunit, ou simplesmente quem fez isso. Mas engana-se quem acha que Paradise se resume, esse é apenas o atrativo inicial para nos prender na história.
Afinal de contas, tramas sobre investigação de mortes, sobre a verdadeira identidade do vilão, são facilmente aceitas pelo público. Então encaro isso como uma isca para nos fisgar antes de revelar as verdadeiras intenções da história.
Uma sensação de estranheza que muda tudo
Fato é que desde as primeiras cenas, Paradise nos passa uma sensação de estranheza, de que há algo de errado ali. Não somente com os personagens e as situações, mas com a ambientação, com o local. Afinal de contas, por que tudo parece tão estranho? A resposta vem logo na cena final do primeiro episódio. Não vou falar sobre isso nesse momento da crítica, mas que é chocante, é. E com certeza acaba nos levando a correr para assistir o segundo episódio.
Quando somos apresentados a novos personagens, como a “diretora” Sinatra (Julianne Nicholson), a psicóloga Dr. Gabriela Torabi (Sarah Shahi), o agente Billy Pace (Jon Beavers) e Nicole Robinson (Krys Marshall), a história avança em diversos pontos.
Um recurso bastante utilizado é o flashback, justamente para manter a presença do personagem de James Marsden na série. Acredito que a edição da série é interessante para conectar os acontecimentos dos flashbacks com o que ocorre no presente, quem assistiu séries como Arrow, por exemplo, sabe bem como funciona.
Alguns altos e baixos
Enquanto a série foca na parte da investigação e principalmente em episódios que revisitam os acontecimentos iniciais, ela é muito interessante. No entanto, quando a história começa a se expandir demais e entram outros conflitos em cena, ela perde um pouco de força. Não deixa de ser intrigante, mas poderia ter sido melhor em diversos aspectos.
Destaco negativamente um arco envolvendo quem pegou um determinado tablet, cuja resposta não faz muito sentido para o avançar da história, e uma outra história que não vou falar aqui para não dar spoiler, mas quem assistiu vai captar logo e que envolve um determinado desastre. Também acredito que quanto mais explicações vão sendo dadas, mais força a série perde. Algumas são bem desnecessárias e difíceis de comprar.
Vale a pena assistir Paradise?
Com certeza! A série não fez burburinho a toa, sendo uma das mais faladas do início do ano. Ela é muito boa tecnicamente e conta com atuações excelentes, principalmente de Sterling K. Brown como um protagonista forte, com muitos problemas e situações com o passado, e cujos objetivos vão ficando mais claros no decorrer dos episódios.
O fato da série ter sido renovada para a segunda temporada fez com que muita coisa ficasse em aberto, mas já adianto que o mistério principal sobre a morte do presidente foi sim resolvida.
Paradise (1ª temporada)
Criação: Dan Fogelman
Elenco: Sterling K. Brown, Julianne Nicholson, Sarah Shahi, Nicole Brydon Bloom, Aliyah Mastin, James Marsden, Krys Marshall e mais
Episódios: 8
Disponível em: Disney+
Nota: ⭐⭐⭐ (3/5)
Paradise final explicado
É hora de entrar em território de spoiler, então peço que siga na leitura somente se quiser saber o que acontece e quais são os mistérios principais da série. Esse é o último aviso. Vamos lá? Vamos!
O que significa Paradise? No final do primeiro episódio da série descobrimos que o grande mistério da produção não é quem é o assassino do presidente, mas sim o fato da trama se passar em uma espécie de cidade subterrânea, um bunker, que possui tecnologia suficiente para parecer que vivem uma vida normal. Isso explica a sensação de estranheza que a ambientação da série nos passa, seja pelas casas, por parecer uma cidade pequena, pela avançada tecnologia ou pelo simples fato do presidente não estar na Casa Branca.
É revelado no episódio 7 que uma grande catástrofe natural destruiu diversos lugares do mundo, e que essa tragédia vinha sendo anunciada e ignorada pelas autoridades, exceto por chamar a atenção de Sinatra, que criou o projeto e o desenvolveu muitos anos antes de tudo acontecer. Então ela designou a Drª Gabriela Torabi, sua psicóloga que ajudou a lidar com a perda precoce do seu filho ainda criança para analisar os candidatos a terem um lugar no Paraíso, e aquelas pessoas seriam a população sobrevivente.
Mas o mundo acabou mesmo? Diversas pistas dão a entender que não, principalmente quando o episódio 4 nos mostra que o agente Billy Pace foi ordenado por Sinatra a matar as pessoas que foram para uma expedição do lado de fora justamente para saber as condições, e viram que ainda era possível respirar do lado de fora e inclusive encontraram uma pessoa viva por lá. Mais para frente, Sinatra também revela transmissões de rádio de pessoas pedindo ajuda, ou seja, muita gente sobreviveu. As condições do mundo exterior não ficam totalmente claras, mas que há pessoas vivas fora do Paradise, há.
A esposa de Xavier Collins está viva? Um dos traumas que aterroriza Xavier Collins é o fato da sua esposa não ter conseguido chegar ao Paradise. Ele acredita que ela está morta, mas essa confesso que não me surpreendeu. Ela é uma das pessoas que pedem ajuda e Sinatra ouve a transmissão. Inclusive, esse é o principal plot para a próxima temporada, com Collins terminando a temporada saindo do bunker para encontrar a esposa.
Quem matou o presidente Cal Bradford? Apesar de todas as suspeitas apontarem para Sinatra, ela não é a mandante do crime. A série passeia por possibilidades que nos levam a acreditar que Collins possa ser o culpado, depois Robinson, Billy Pace, o filho de Crl (Jeremy) e, claro, Sinatra. Mas no fim das contas, o verdadeiro culpado pouco tem a ver com essa história.
No episódio final, que retorna alguns anos antes dos acontecimentos, vemos sobre a grande construção do Paradise, e então somos apresentados a um grupo de trabalhadores e ao gerente do projeto. Ele acaba sendo demitido após uma descoberta terrível, de que o local libera resíduos tóxicos que vão, aos poucos, matando os trabalhadores. Sem conseguir fazer nada a respeito, ele tenta alertar os meios de comunicação, mas é ignorado.
Então busca vingança tentando dar um tiro no presidente, o qual é impedido por Xavier, que leva o tiro (isso é mostrado logo no início). Sinatra, em certo momento, revela que o DNA de quem matou o presidente não era de ninguém que deveria estar no local.
Então descobrimos que, na verdade, o bibliotecário local Trent (Ian Merrigan) é esse gerente de projetos demitido, o mesmo que tento dar o tiro em Carl, e que conseguiu roubar o lugar de uma pessoa que deveria estar no Paradise para se vingar. Então ele se adaptou ao local, mas decidiu seguir com seu plano após ver a forma como o presidente vivia. Ele entra furtivamente no quarto de Cal, o golpeia algumas vezes, até conseguir matá-lo.
Trent continua vivendo lá normalmente junto com Maggie, mulher que conheceu no dia da ida das pessoas escolhidas para o Paradise, e que juntos roubaram a identidade de um casal que deveria ser os verdadeiros escolhidos para o local. Quando é descoberto por Xavier e Robinson, Trent decide tirar a própria vida.
Outros mistérios e questões em aberto? Kane Bradford (Gerald McRaney) é o pai de Cal e avô de Jeremy que está sofrendo de demência, mas solta várias informações que acabam fazendo sentido com as revelações que a série vai fazendo. Qual será o papel dele na segunda temporada? Jeremy (Charlie Evans) usa as informações do tablet do pai, que foi pego por Presley Collins (Aliyah Mastin), filha de Xavier, e revela a todos as mentiras de Sinatra. Resta saber como isso vai impactar no futuro. Será que existem outras comunidades que se mantiveram vivas após a tragédia? Sinatra leva um tiro de Jane (Nicole Brydon Bloom), que é revelada como uma das grandes vilãs e responsável pela morte do namorado Billy. Só que Xavier e família ainda não sabem sobre esse lado maléfico de Jane.
Enfim, há outras histórias e impactos sobre a questão de quem foi escolhido para estar no Paradise e os que foram deixados para trás, situações sociais, políticas e até mesmo religiosas que podem ser colocadas em questão. Vamos ver como a segunda temporada vai abordar tudo isso.
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