Crítica | Marvel Zumbis

Chegou ao Disney+ sem muito alarde e divulgação uma animação da Marvel para maiores de 18 anos. Expandindo o universo apresentado em What If…?., a ideia é boa: revisitar o mundo dos heróis em meio a um apocalipse zumbi. O problema é que Marvel Zumbis começa com energia, mas logo se perde em repetição e falta de coragem criativa, deixando a sensação de que a franquia esqueceu como surpreender.
Na trama, acompanhamos Kamala Khan (Iman Vellani) em uma missão para levar ao espaço um comunicador capaz de acionar a Tropa Nova, que supostamente teria a cura para o vírus zumbi. No caminho, ela precisa enfrentar ninguém menos que Wanda Maximoff, agora a rainha dos mortos, e seu exército. A premissa tem tudo para funcionar, misturando heroísmo, desespero e horror. Só que a execução não acompanha o potencial.
Há boas ideias aqui
Há bons momentos em Marvel Zumbis. A minissérie acerta ao mostrar como um universo com seres superpoderosos reagiria a uma praga global. É curioso ver figuras como o Gavião Arqueiro e até Thanos agindo como mortos-vivos, ainda com traços de consciência. O uso de lugares icônicos, como a prisão-balsa e Nova Asgard, ajuda a expandir o mapa do caos e reforça o senso de colapso mundial. Também é divertido ver interações inéditas, como o trio Kamala, Riri Williams e Kate Bishop, que exalam carisma e química.
Em seus melhores momentos, a série lembra o espírito das HQs originais: um experimento ousado, que brinca com o absurdo e o grotesco do gênero zumbi dentro da estética colorida da Marvel. O problema é que essa ousadia não dura.
Opening sequence of Episode 3 is absolute best for any Marvel tv series ever, Spiderman, T'Challa amd Doctor strange fighting off Zombie Thanos#MarvelZombies pic.twitter.com/0descoEffB
— kylo ren (@oyemnassxo) September 24, 2025
Falta roteiro e a animação é cansativa
A direção de ação começa empolgante, com boas coreografias e criatividade no uso dos poderes, mas logo se torna cansativa. As cenas se repetem, as lutas se alongam e os efeitos perdem impacto visual. O uso excessivo das rajadas de luz de Ms. Marvel, por exemplo, vira um recurso automático. Falta ritmo e senso de progressão.
O roteiro é o calcanhar de Aquiles da minissérie. Embora tenha objetivos claros, a jornada de Kamala e o confronto com Wanda, tudo é tratado de forma superficial. As motivações da vilã não convencem e o desfecho, com um gancho previsível, dá a sensação de episódio inacabado. É uma trama que parece montada para “cumprir tabela”, sem se comprometer com emoção ou consequência.
A animação também divide opiniões. O traço segue o padrão de What If…?, com rigidez e pouca fluidez nas expressões. Depois do impacto visual de X-Men ’97 e Olhos de Wakanda, o estilo usado aqui parece datado, limitando o potencial da história.
Pouco horror e uso da classificação indicativa
Marvel Zumbis chegou com a “surpresa” de ser a primeira animação da Marvel para maiores de 18 anos no Disney+, mas tirando algumas poucas cenas de violência mais explícita, a classificação indicativa não faz muita diferença.
Um dos seus maiores desperdícios é não abraçar verdadeiramente o terror. Só de imaginar o horror que seria um mundo onde heróis e vilões se tornam monstros mortos-vivos, há muitas histórias e metáforas interessantes que poderiam sair daí.
No entanto, o resultado é um apocalipse que mesmo que visualmente seja impactante, nunca chega a ser verdadeiramente assustador e a tensão é sempre diluída por uma comédia fora de tom e lutas repetitivas.
Mesmo quando tenta ser sombria, a animação recua. Personagens que poderiam morrer ou causar impacto permanecem vivos por conveniência, e isso tira peso das escolhas. Falta coragem, algo que até as HQs originais tinham de sobra.
Vale a pena assistir?
Marvel Zumbis é melhor que a terceira temporada de What If…? e tem boas ideias visuais e personagens cativantes. Mas seu potencial se perde em meio a um roteiro previsível e uma estética que já parece cansada. Se tivesse abraçado de vez o horror e o absurdo, poderia ser um marco da Marvel no streaming. Em vez disso, passou despercebida. Um reflexo do próprio momento criativo do estúdio, principalmente nas obras que chegam no Disney+.

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