Crítica | Entre Penas e Bicadas (2025)

Crítica | Entre Penas e Bicadas (2025)

O cinema de animação chinês vem ganhando muita força. Com o enorme sucesso de Ne Zha 2, animação que superou Divertidamente 2 como a animação de maior bilheteria da história, o país está apostando cada vez em filmes que alcancem o território internacional. Entre Penas e Bicadas, que estreia no dia 16 de outubro nos cinemas brasileiros, vem para trazer mais dessa indústria em crescimento. Você confere aqui a crítica completa do longa animado.

Na história, uma águia chamada Bico Dourado é criada por uma família de galinhas após a morte trágica de seus pais. Ainda criança, ele fica frustrado por não saber voar e com a ajuda de sua irmã, Catraca, eles fazem de tudo para conseguir. Após causar uma grande confusão na vila onde mora, Bico Dourado decide fugir para encontrar onde verdadeiramente pertence e descobrir mais sobre sua origem.

Uma história sem muitas novidades

Entre Penas e Bicadas tem uma narrativa bem comum. É uma típica narrativa de jornada do herói que você, sem dúvidas, já viu várias vezes em diferentes mídias. O fato de ser um filme chinês poderia trazer alguns elementos culturais ou somente de um estilo narrativo fora do comum, mas a verdade é que o filme se parece muito com animações hollywoodianas e não tem nenhum elemento que seja super original. Seu protagonista não tem nenhuma característica que o diferencie muito dos demais, além de demorar um pouco mais para aprender certas coisas, sua irmã se encaixa no estereótipo do “nerd da cadeira” e o povo de sua vila vai de amá-lo à odiá-lo muito fácil.

Outra coisa que não posso deixar de mencionar são seus plot twists. A trama traz duas “grandes” reviravoltas que são extremamente previsíveis, você consegue sacar a primeira delas com uns 10 minutos de filme, e a revelação só acontece lá pra meia hora final. O vilão é fraco, tem motivações rasas e a história ainda parece tentar redimi-lo nos momentos finais.

Veja também: O que é a jornada do herói? Entenda o conceito

Subtrama interessante

Apesar de a primeira camada não ser das mais inovadoras, ao menos a subtrama, ou subtexto, tem uma crítica social interessante. A Cidade Aviária, local para onde Bico Dourado foge, é uma cidade no alto de montanhas e é dita como uma cidade projetada especialmente para pássaros que voam (e apesar disso existem aviões e carros voadores… essa eu não entendi). Já a vila onde o protagonista cresceu é um pequeno local rural e sem acesso à muita tecnologia e inovação.

O filme fala abertamente sobre a discriminação que as galinhas sofrem por não saberem voar e o quanto isso as limita. As águias são vistas como seres ameaçadores justamente por terem a liberdade de voar e por terem bicos e patas afiadas feitas para atacar. Bico Dourado é a ponte para conectar os dois mundos, já que, apesar de ser uma águia, foi criado como uma galinha e só aprendeu a voar depois de adulto. De certa forma, ele consegue entender os dois lados da moeda.

Poucas cenas de ação, mas que são boas

O maior conflito ocorre no ato final do filme, mas ao longo dele temos pequenas cenas de ação que me impressionaram. São bem “coreografadas” e trazem uma boa mudança de tom quando a trama precisa. Se tivessem mais delas é capaz de que o filme como um todo fosse melhor. O longa transita entre cenas dramáticas, de comédia e estas de ação, que são, em minha opinião, as melhores.

O visual do filme é bonito, especialmente no ambiente rural e mais natural. Os ambientes são detalhados e a movimentação dos personagens flui bem também. Achei engraçado ver os pássaros usando roupas, mas logo entendi que essa era a proposta do filme.

Vale a pena assistir?

Entre Penas e Bicadas é um filme que não tem nada demais. A história não é muito original, os personagens não são muito carismáticos e o ritmo da trama é meio lento, além de ter alguns momentos de câmera lenta completamente desnecessários. É apenas ok.

entre penas e bicadas
entre penas e bicadas
Uma animação que não tem muita originalidade e com um ritmo meio lento. Nada demais.
2

Direção: Nigel W. Tierney
Ano: 2025
Elenco: Park Shi-yoon, Liu Xingzuo, Chen Hao, Kim Yong, Jeong Seok-won, e Seo Jeongik (vozes originais).
Duração: 1h34min

Sobre o Autor

Luane Mota
Luane Mota
Estudando cinema, escrevendo textos e jogando videogame, não necessariamente nessa ordem. Amo falar sobre meus filmes, séries, livros e jogos favoritos.