Crítica | Do Sul, A Vingança (2025)

Após o estrondoso e merecido sucesso de Ainda Estou Aqui, cada vez mais se faz necessário voltar os olhos ao cinema nacional. É nesse sentido que chama atenção o longa-metragem Do Sul, a Vingança, produção de baixo orçamento que é o primeiro filme de ficção inteiramente produzido no estado do Mato Grosso do Sul.
Produzido pela Render Brasil, o filme tem encontrado destaque em festivais internacionais, vencendo o Los Angeles Film Awards 2025 e finalista do World Film Festival, em Cannes.
Mas será que a obra é realmente mais uma boa entrada do cinema brasileiro e está ganhando destaque com merecimento? Vamos falar sobre!
Qual é a história de Do Sul, a Vingança?
Na trama do filme, o escritor Lauriano (Felipe Lourenço) está buscando material para um novo livro que vai escrever a respeito da criminalidade que ocorre na região da fronteira do Mato Grosso do Sul com Bolívia e Paraguai. Ele tem o objetivo de entrevistar um figurão chamado Jacaré (Espedito Di Montebranco), mas ao chegar lá entende que muito mais do que pesquisa e entrevista, ele vai se envolver em algo muito perigoso.
Misturando ação, comédia e uma pitada de drama, o longa dirigido por Fábio Flecha carrega consigo inspirações fortíssimas nas obras de Quentin Tarantino, da estética das fontes utilizadas até a forma como a violência entra na trama, ainda que a execução não saia da melhor forma possível, muito por causa do orçamento de somente R$ 397 mil.
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Pontos positivos
Uma das valências mais fortes do filme é a atuação de Felipe Lourenço como Lauriano. Seu personagem fala bem, não tem medo de ir atrás do que deseja, ao mesmo tempo que demonstra uma vulnerabilidade por estar em um ambiente que muito se difere de quem é, além de sua própria personalidade.
Também gosto dos temas abordados, afinal de contas não é comum vermos obras que acabam chegando ao grande público abordando histórias regionais desta maneira. Basta lembrar do seguinte: quantos filmes fora do circuito Rio-São Paulo você lembra de ter visto? Por isso, Do Sul, A Vingança, merece esse destaque.
Trazer uma história tão tensa como os problemas que ocorrem na fronteira brasileira com Bolívia e Paraguai, marcada por tantos crimes e violência, mas que pouco é falado no cenário nacional. Colocar holofotes em tramas como essas é importante não somente para dar visibilidade a outras alas do cinema brasileiro, mas para colocar em discussão esse tipo de temática.
Também destaco as boas intenções em não fazer um filme “tradicional”. Seja pelos estilos cinematográficos que o filme mistura e adota para ter um tom próprio — há espaço para comédia, ação, drama, suspense, paródia etc.
Pontos negativos
Apesar de boas intenções e boas ideias, o filme esbarra muitas vezes na sua falta de orçamento. As ambientações são sempre muito acanhadas, fruto do pouco dinheiro disponível tanto para ter mais pessoas em tela (os famosos figurantes) ou para a construção de locações. No início são mostradas algumas imagens de drone na chegada do protagonista ao Mato Grosso do Sul e esse recurso poderia ser mais explorado, até para deixar marcado na mente do espectador sobre onde e o que a história está falando.
O estado do Mato Grosso… do Sul como o filme tanto faz questão de cravar são somente poderia, como deveria ser um dos mais importantes personagens do filme, mas ele acaba ficando de lado para dar espaço a inúmeras reviravoltas, muitas cenas forçadas e desnecessárias, somente para ampliar a ação dos 30 minutos finais do filme.
Há também escolhas estéticas que não ficaram muito legais em tela. Como por exemplo a representação de imagens em preto e branco quando personagens relembram o passado ou até mesmo uma espécie de alucinação provocada para testar um dos personagens que destoa completamente do tom do filme.
Falando nisso, se a atuação de Felipe Lourenço mereceu elogios, o restante do elenco fica bem abaixo. Isso porque todo o resto é muito mais focado na comédia e paródia, então temos aqui mais um ponto destoante.
Por fim, também acredito que o filme poderia ter escolhido adotar um tom mais sério para lidar com um assunto que é bastante sério, e não precisaria ser transformado quase uma esquente bang-bang que simula as obras de Quentin Tarantino, sem necessariamente querer isso propositalmente. Faltou abraçar a sua originalidade para ser ainda mais marcante.
Vale a pena assistir Do Sul, a Vingança?
Incentivar o cinema nacional é uma das missões que todo criador de conteúdo que fala sobre cinema deve fazer, então por mais que tenha algumas ressalvas e pontos negativos, também destaco o que de legal e positivo existe no filme.
Do Sul, a Vingança, apesar de uma realização que deixa a desejar em muitos aspectos, é uma excelente introdução a muitas pessoas para um cinema que sai do “eixo”, do tradicional e do que geralmente chega até nossas telinhas e telonas por causa do envolvimento de estrelas ou grandes distribuidoras. Vale muito pela tentativa de ver algo diferente sendo feito em tela e isso já é mais do que suficiente para justificar a ida ao cinema.
Confira a seguir: Todas as vezes que o Brasil foi indicado ao Oscar

Direção: Fábio Flecha
Produção: Render Brasil
Ano: 2025
Elenco: Felipe Lourenço, Espedito Di Montebranco, Bruno Moser, Leandro Faria, Luciana Kreutzer e mais.
Duração: 1h47min
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