Crítica | Bridgerton (2ª temporada)

Crítica | Bridgerton (2ª temporada)

Compartilhe nas redes!

Após um surpreendentemente ótimo primeiro ano, Bridgerton retornou em março de 2022 para a sua segunda temporada. Produzida em meio à pandemia da Covid-19, a série agora adaptou o livro O Visconde que me Amava. Uma particularidade de Bridgerton é que, assim como os livros, cada temporada vai ter um casal protagonista diferente. Nesta temporada 2, Phoebe Dynevor e Regé-Jean Page dão espaço a Jonathan Bailey, que retorna da primeira temporada, e a novata Simone Ashley.

Mas será que a série manteve o nível? O que mudou em relação ao primeiro ano? Vamos falar sobre agora!

Novo casal, novas dinâmicas

Se na primeira temporada tivemos como temática principal o fake dating (namoro falso), aqui aconteceu um dos mais clássicos tipos de romance que as histórias apresentam: enemies to lovers (inimigos para amantes). Desde a primeira cena entre Anthony (Bailey) e Kate (Ashley) dá para sentir a química entre os dois, e por mais que a história se arraste a ponto deles não ficarem juntos até a reta final da temporada, se tem algo que não dá para reclamar da temporada é sobre seus protagonistas.

Na primeira temporada, Anthony era a figura paterna da família Bridgerton, querendo proteger Daphne e ao mesmo tempo lidar com as questões da família. Ele serve até como um antagonista do primeiro ano, ainda que tenha uma história paralela em seu romance com Sienna (Sabrina Bartlett). Para a segunda temporada, o personagem é alçado ao papel de protagonista e passa por diversas alterações: na aparência, em objetivos e principalmente para por uma humanização. Anthony busca uma esposa, mas não quer o amor. E isso é justificado por causa da perda precoce de Edmund (Rupert Evans), seu pai.

Do outro lado temos Kate Sharma, uma jovem de origem indiana que retorna à Londres com sua madrasta Mary (Shelley Conn) e a irmã Edwina (Charithra Chandran). Se Daphne (Phoebe Dynevor) era uma jovem empenhada em entrar no mercado casamenteiro, Kate além de ser um pouco mais velha, também não tem esse objetivo de se casar. Ela quer arranjar um marido para a irmã (opa, olha uma similaridade com Anthony aí) e cuidar do futuro da família (cuidar da família? Mais uma coisa em comum!).

Melhora algumas coisas, piora outras

Dá para notar que na segunda temporada, Bridgerton evoluiu na sua construção de personagens. Todos os coadjuvantes são construídos de forma mais satisfatória do que o primeiro ano, mas isso acaba sendo um lado negativo por deixar um pouco seus protagonistas de lado. Não que eles não sejam bem desenvolvidos, pois são e vemos diversas nuances, mas ficou faltando ver mais do casal em tela, principalmente juntos.

Quem gostou de Bridgerton pelas cenas mais calientes também vai se decepcionar com a segunda temporada, pois elas foram bastante reduzidas e são bem menos intensas do que no primeiro ano.

Já em relação à trilha sonora, gosto até mais do que a da primeira temporada. Não é uma mudança de nível não relevante, mas dá para destacar.

Afinal de contas, é melhor ou pior do que a primeira temporada?

A segunda temporada tem aspectos diferentes, e o tipo de romance que retrata é mais interessante que o da primeira temporada, tendo em seus protagonistas seu ponto mais forte. Mas justamente por não dar o espaço devido a eles, ela fica atrás do primeiro ano. O romance de Daphne e Simon é perfeitamente construído e eles são o verdadeiro foco de sua temporada.

Sem triângulos amorosos desnecessários, sem grandes alterações (também desnecessárias) em relação ao material-fonte, algo que infelizmente acontece muito na segunda temporada. Muito do material do livro é deixado de lado ou modificado, deixando de adaptar questões importantíssimas para a história. Penelope (Nicola Coughlan) é quase uma co-protagonista, aproveitando-se do sucesso da personagem com o público, e claro que toda a trama de Lady Whistledown é fundamental, mas poderia ter um pouquinho menos.

Não a toa que os fãs de Bridgerton reclamam que Anthony e Kate foram injustiçados. Não vemos cena de casamento, não vemos a gravidez (algo que só foi mostrada na temporada seguinte) e o nascimento do bebê só deve vir na quarta temporada).

O segundo ano de Bridgerton seguiu sendo um sucesso, que melhora algumas coisas, mas infelizmente derrapa em muitas outras. O casal principal merece toda a aclamação que recebe, e por isso os fãs querem ver mais deles, mas a verdade é que poderia ter sido muito melhor, e não era difícil fazer isso.

Confira a crítica publicada no lançamento da 2ª temporada.


Bridgerton (2ª temporada)

Showrunner: Chris Van Dusen
Ano: 2022
Elenco: Jonathan Bailey, Simone Ashley, Charithra Chandran, Nicola Coughlan, Adjoa Andoh, Ruth Gemmell, Polly Walker, Shelley Conn, Golda Rosheuvel, Phoebe Dynevor, Luke Thompson, Claudia Jessie, Calam Lynch, Luke Newton e mais.
Episódios: 8
Disponível: Netflix
Nota: ⭐⭐⭐ (3/5)

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 28 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *