Crítica | Amores Materialistas

Crítica | Amores Materialistas

Amores Materialistas (Materialists) é o mais novo filme de Celine Song, mesma diretora do longa Vidas Passadas, que fez muito sucesso em 2023, por conta da profundidade com que tratou sobre relacionamentos e sentimentos. Será que a nova película estrelada por Dakota Jhonson, Chris Evans e Pedro Pascal rendeu o mesmo? 

Analisando exclusivamente Amores Materialistas, é válido ressaltar que esse filme foi vendido como uma comédia romântica, mas na verdade é um drama sobre uma mulher adulta que se vê entre escolher a estabilidade financeira ou o conforto do coração. 

Há quem ache esse filme profundo, com muitas críticas aos relacionamentos modernos. Mas, tem também quem enxergue o longa como chato. E, sinceramente, estou no segundo clube. Vamos nos aprofundar a seguir, com spoilers. Siga por sua conta a risco na leitura!

Sobre o que fala Amores Materialistas?

O filme mostra a história de Lucy (Dakota Jhonson), que no auge da sua vida adulta, é uma agente casamenteira. Ela trabalha como um Tinder humano. Uma pessoa a procura para encontrar o par perfeito e se todos tiverem sucesso, vem um casamento ao final de tudo. 

Quando estava no casamento de uma cliente, Lucy conhece Harry, vivido por Pedro Pascal. Um homem charmoso, rico, elegante e cheio de amor para dar (ou pelo menos oferece uma relação estável, com a promessa visível de que não haverá nenhum problema financeiro). 

E nessa mesma ocasião ela reencontra John, interpretado por Chris Evans. Ele foi seu namorado por longos cinco anos. Porém, pobre, não podia dar a vida que ela queria ter com o conforto material que o dinheiro pode dar. Inclusive, o fim do relacionamento aconteceu justamente no quinto aniversário de namoro.

A premissa é boa, mas…

A premissa é muito boa! Quando são reunidos esses três nomes num filme, aliada à propaganda descarada sobre comédia romântica, cria-se o imaginário de que eles vão disputar por ela, ou ainda, de que ela vai enrolar eles dois ao mesmo tempo (pensando em um enredo mais disruptivo para o gênero). Mas não. Embarcamos em uma chata, pedante e irritante trajetória de personagens rasos, com críticas mais rasas ainda. 

Aceitando o fato de ser um drama e não uma comédia romântica (nem mesmo uma dramédia), poderíamos ter algo ainda muito bom se bem desenvolvido, mas o filme fica devendo muito.

Veja bem: Lucy deixa o grande amor da vida para trás por entender que somente os sentimentos não dão conta de uma relação, especialmente para o que ela quer da vida. Então, ela tem a oportunidade de estar com um cara muito rico que quer dar o mundo para ela, mas do mais absoluto nada ela resolve não estar mais com ele e volta para o mesmo cara que está com a vida estagnada há anos. 

Ela não passa nem por uma lição, algo que transformasse seu modo de pensar. Na verdade, o roteiro até tenta jogar uma justificativa, a historia da cirurgia das pernas (um “arco” muito ridículo), mas foi realmente muito fraco para servir como ponto de virada para a trama.

O final faz sentido?

Após essa virada apressada, forçada e sem sentido, Lucy volta para John, seu ex. Mesmo com este afirmando que ainda tem as mesmas questões de antes. No fim, eles se casam. E tudo fica confuso. A verdade é essa, mas sim, que não dá para entender as motivações da protagonista, nem mesmo os objetivos dela, já que ela deixa claro que queria dinheiro. Mas palavras da personagem, o que ela buscava em um homem era que fosse “rico, muito rico”. Ao ter isso, ela desperdiça isso facilmente. 

Se o filme ao menos tivesse feito Lucy aprender algum tipo de lição e mudar essa mentalidade, reconhecendo que o amor por John seria muito mais valoroso que a conta bancária de Harry, a virada na trama faria sentido. Mas isso não acontece. Na verdade, até fica parecendo que houve um grande corte na história do filme.

Lembrando que não faço nenhum julgamento moral. Cada um deve escolher suas relações de acordo com o que gosta e bem entende. Só ficou difícil compreender como Lucy, que até então só tinha mostrando uma linha de raciocínio durante o filme, no final escolheu o amor. 

E se não bastasse a história confusa e cheia de críticas vindas diretamente do mundo “vamos problematizar tudo”, os personagens são insuportavelmente chatos! Me dói dizer que achei algo com Chris Evans e Pedro Pascal ruim, mas são todos de um nível de desinteresse que chega sinto sono só de pensar. 

Vale a pena assistir ao filme?

Em resumo, Amores Materialistas é uma grande decepção, especialmente para quem esperava algo minimamente envolvente vindo da diretora de Vidas Passadas. A trama não se sustenta, os personagens ficam devendo em desenvolvimento e profundidade, e as decisões da protagonista são mal construídas e não fazem sentido com o que o longa apresenta ao espectador.

A tentativa de fazer uma crítica sofisticada aos relacionamentos modernos se perde em um roteiro raso e desinteressante, que nem consegue emocionar, nem provocar reflexões reais. É um filme que promete muito, principalmente por seu elenco repleto de estrelas da atualidade. e entrega pouco.

Amores Materialistas, filme com Chris Evans, Dakota Johnson e Pedro Pascal
Amores materialistas
Amores Materialistas é uma grande decepção, especialmente para quem esperava algo minimamente envolvente vindo da diretora de Vidas Passadas. A trama não se sustenta, os personagens ficam devendo em desenvolvimento e profundidade, e as decisões da protagonista são mal construídas.
1.5

Direção: Celine Song
Ano: 2025
Elenco: Dakota Johnson, Pedro Pascal, Chris Evans e mais.
Duração: 1h49min





Sobre o Autor

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Ana Cláudia Oliveira
Jornalista de formação, sou redatora há 10 anos. Já escrevi de tudo um pouco e agora estou mergulhando no universo do entretenimento. Há muito o que se descobrir por aí e é através da comunicação que quero fazer isso: this is the way!

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