Crítica | A Voz de Hind Rajab

A capacidade que o cinema tem de abordar assuntos sensíveis é sempre algo a se elogiar. Em A Voz de Hind Rabaj, longa que representa a Tunísia na disputa do Oscar 2026, acompanhamos um grupo de voluntários da Sociedade do Crescente Vermelho, grupo que atua para buscar socorro para pessoas que estão em meio à guerra na região de Gaza, na Palestina. Quando uma criança de seis anos liga pedindo ajuda, a mobilização aumenta para tentar salvar uma vida inocente durante um conflito onde todo mundo sabe que não haverá vencedores.
Por que é tão chocante?
Primeiramente, por tratar de um tema tão atual. A guerra de Israel em Gaza ainda está acontecendo e diariamente são feitas centenas de vítimas, incluindo crianças. Por isso, ver um filme que dramatiza um acontecimento real sobre algo que ainda está em andamento causa uma mistura de muitos sentimentos negativos no espectador.
E, claro, a utilização de áudios reais das ligações da garotinha Hanood, ou Hind Rajab, que dá nome ao filme. Todas as vezes em que o longa-metragem coloca os personagens nas conversas com a criança ouvimos as palavras dela, os barulhos de tiros que ela escutou, e só de relembrar isso já dá uma embrulhada no estômago. O filme em alguns momentos ainda coloca imagens da situação real para chocar ainda mais o público.
Mas não se trama de um melodrama ou só de tentar fazer o público se comover. É uma denúncia crua e real sobre algo que não só aconteceu, como continua acontecendo todos os dias.
Realização técnica e ambientação
A Voz de Hind Rajab não é um filme espalhafatoso ou grandioso, pelo contrário. Ele se passa praticamente inteiro dentro do mesmo ambiente, a sala de trabalho da Sociedade do Crescente Vermelho. São pouquíssimas as cenas fora de lá e, olhando para o contexto geral, não precisava ir mesmo além disso.
O trabalho de som do filme é muito importante, e realizado de forma impecável. Não apenas por contar muito da história através do que ouvimos, mas por conseguir passar muitos sentimentos e respostas através dos áudios e de situações que o espectador jamais poderá ver, apenas ouvir.
Quando o filme mescla as cenas da dramatização com os acontecimentos reais, é incrível o trabalho de reconstrução que foi feito. Tanto dos cenários, quanto dos atores que parecem muito com as pessoas reais que interpretam. Só fica uma breve crítica para a duração desses momentos, que acaba sendo muito repetida, e fica desnecessária pois a ideia já havia sido transmitida com sucesso.
Um recado dado para a sociedade
Não dá para terminar de assistir A Voz de Hind Rajab e sair da mesma forma. O filme em nenhum momento é uma propaganda política de algum lado, mas apenas um retrato fiel do que na guerra, nem mesmo uma criança inocente, escapa do terror que é ver um conflito armado.
O recado foi dado, e se o drama de uma criança não te convencer do terror que é viver uma guerra, nada mais irá funcionar. Experiência dolorosa, triste, angustiante e acima de tudo… inesquecível.
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