Crítica | A Última Casa

Crítica |  A Última Casa

A Última Casa, filme dirigido por Louis Leterrier e estrelado por Wagner Moura e Greta Lee, é lançamento da Netflix que chega ao catálogo do streaming com o objetivo de ser a nova franquia pós apocalíptica do serviço.

Muita expectativa foi criada, principalmente após a indicação do brasileiro ao Oscar 2026 de Melhor Ator pelo filme O Agente Secreto. Mas será que vale a pena assistir?

Na trama, acompanhamos uma família que fica presa dentro da própria casa e precisa sobreviver tanto aos perigos que rondam o local, quanto à passagem do tempo e os desafios que começam a surgir. Confira a crítica logo a seguir.

Leia a seguir: Os filmes favoritos de Wagner Moura

Sobre o que é a história de A Última Casa

Jason Delgado (Wagner Moura) é um engenheiro que está desempregado e tem passado seus dias afastado da rotina da família. Um dia, após retornar de uma pescaria, ele se prepara para sair com os filhos e a esposa Ann (Greta Lee), mas uma chuva forte cai de repente e quando eles percebem as portas e janelas da casa estão seladas por fora, impedindo a saída. Nem mesmo adianta tentar quebrar os vidros ou arrombar as portas, nada funciona.

Então eles percebem que os vizinhos também estão passando pela mesma situação. Não dá para sair de cada e nem entrar, já que uma vizinha que havia saído para se exercitar tenta voltar para casa e não consegue entrar. Os dias passam e eles inicialmente se aproximam e passam a tentar viver normalmente, usando os recursos que possuem e passando mais tempo juntos.

O problema é que 5 dias se tornam 10, 15 dias… Um mês, dois meses, um ano… E o tempo segue passando. Os recursos acabam e a casa que parecia ser um porto seguro, um local de acolhimento, se torna uma prisão e o confinamento pode levá-los à morte.

O que funciona

O início do filme, apesar de alguns problemas com o uso de cenários digitais, é interessante. A premissa assusta pela familiaridade com o que vivemos a partir de 2020 e nos fez ficar isolados em nossas casas. É impossível não lembrar dos primeiros dias. E a sensação de que o tempo simplesmente não passava. Ver a família se unindo, tentando passar o tempo e até se reconectando de certa forma também é remeter aos primeiros momentos da pandemia.

O casal protagonista entrega bem para o material que lhes é entregue. Wagner Moura é o grande destaque, saindo da figura do pai confiante e protetor para um homem entregue ao simples papel de provedor e ausente, mesmo no confinamento, da rotina e dia-a-dia dos filhos. Greta Lee recebe menos atenção do que deveria, mas consegue carregar no olhar o cansaço e a perda da esperança que a situação a coloca.

Enquanto se sustenta no mistério do porque as casas ficam isoladas e mantém os personagens com uma sensação de falsa esperança, o filme consegue funcionar bem. O problema é o que vem depois…

O que não funciona no filme

Os dois filhos, Ruth e Graham, aparecem bem em suas versões mais jovens. Porém, quando o filme faz uma passagem do tempo de cinco anos, os adolescentes que tomam seus lugares não conseguem convencer em suas atuações.

Porém o grande problema de A Última Casa vem nas consequências mal trabalhadas que o roteiro acaba fazendo e afetando todo o restante. Desde as atuações a efeitos digitais que deixam a desejar e cenas de ação que mudam muito o tom do filme.

Com duração de 1 hora e 52 minutos, o filme se alonga demais. Não há história suficiente e com menos 30 minutos talvez alguns detalhes não afetassem tanto o resultado final.

A necessidade de dar explicações acaba com o bom mistério construído inicialmente e fazem o filme perder força. Quando temos respostas sobre o que causou o isolamento e quando os perigos antes situacionais tornam-se presenças físicas, a sensação que fica é que começa um outro filme e infelizmente isso não é algo positivo.

Para tudo isso culminar em um desfecho que não dá para dizer outra coisa que não seja patético, desde o que motiva a resolução até as atitudes dos personagens para o encerramento. A cena final tenta preparar terreno para uma sequência que torço muito para que não aconteça.

Vale a pena assistir?

A Última Casa começa bem, tem uma boa premissa (ainda que fora de timing) e um casal protagonista que merecia muito mais do que o material que lhes é dado para trabalhar. No entanto, o filme peca conforme evolui sua história de um drama familiar de confinamento para um terror estilo Um Lugar Silencioso, só que sem trabalhar bem os elementos necessários para chegar a esse ponto.

Uma pena, principalmente para nós brasileiros por ver Wagner Moura em um projeto que não é tão bom. Há quem possa gostar de algumas mensagens que o filme possa passar, mas na minha visão, até mesmo elas são prejudicadas pela falta de decisão do próprio filme em definir o que quer ser.

A Ultima Casa
A ÚLTIMA CASA
Começa bem, mas se perde ao buscar respostas para seus mistérios e entregar algo que muda totalmente a proposta inicial. Uma decepção
1.5

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 30 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.