Crítica | A Leste do Éden (2026)

Crítica | A Leste do Éden (2026)

A Netflix, apesar de ser a líder do setor de streaming, ainda sofre na comparação da qualidade de seus conteúdos, principalmente quando confrontada com plataformas como Max, Amazon Prime Video e Disney+. A gigante vermelha é conhecida pela alta quantidade de produções, ainda que possa deixar a desejar em alguns exemplares. No entanto, o catálogo sempre entrega boas surpresas — e este é exatamente o caso de A Leste do Éden.

Encabeçada por Florence Pugh (Thunderbolts, Adoráveis Mulheres e Midsommar), a trama ambientada no interior dos Estados Unidos na virada do século XX apresenta um enredo dinâmico e com personagens profundos. É a típica série de ritmo cadenciado, mas que mantém o público instigado a cada segundo. O Entre Sinopses assistiu a A Leste do Éden e te conta, em detalhes, se vale a pena assistir a essa nova produção!

Qual é a trama de A Leste do Éden?

Cathy (Florence Pugh) aparece extremamente machucada na porta da residência dos irmãos Adam (Christopher Abbott) e Charles (Mike Faist). Apesar das ressalvas de Charles, ela acaba acolhida e passa a ser parte integral da vida dos dois. O tempo passa e a trama nos apresenta não apenas o passado perturbador do trio, mas também os desdobramentos futuros de suas escolhas.

A obra, roteirizada por Zoe Kazan, é uma adaptação do romance homônimo de John Steinbeck, lançado em 1952.

Ressentimento e dualidade humana são as palavras-chave

A narrativa é construída sobre traições e ressentimentos. Os três protagonistas — somados ao elenco de apoio — são personagens para lá de questionáveis. Cathy e Adam, que têm mais tempo de tela, exemplificam isso com precisão. Além deles, o jovem Caleb, interpretado por Joseph Zada e introduzido na metade final da rodagem, funciona como a síntese dessa dualidade — algo compreendido perfeitamente ao longo dos episódios.

Cathy carrega um passado sombrio, repleto de abusos e tragédias. Por conta disso, o principal aspecto de sua personalidade é a busca incessante por poder, principalmente na relação com os homens. Com uma das melhores atuações da carreira de Florence Pugh, a protagonista funciona como uma granada sem pino: cada atitude é mais imprevisível que a anterior. No entanto, o padrão estabelecido é claro — ela precisa estar no controle de todas as situações.

Já Adam, que a princípio parece o “irmão bonzinho” incapaz de fazer mal a alguém, revela-se um idealista cego para a realidade. Em função dessa ingenuidade, ele não se torna apenas uma peça facilmente manipulável, mas também um homem rancoroso, amargurado e incapaz de admitir os próprios erros.

Com um enredo que acompanha a vida dos protagonistas ao longo de algumas décadas, fica nítido que o fio condutor da narrativa é o ressentimento. Todos carregam uma dor profunda provocada por outro personagem e encontram imensas dificuldades para lidar com essas feridas. Sendo assim, o desenvolvimento psicológico é o ponto focal da minissérie: em meio a acontecimentos mundanos do cotidiano, o que realmente importa é entender a mente de cada indivíduo e o que os leva a tomar decisões extremas.

Um drama de época com ambientação impecável

Os dramas de época necessitam de um fator essencial para funcionarem: a reconstrução histórica. Aqui, o design de produção e a ambientação não servem apenas como pano de fundo, mas atuam quase como um personagem próprio. A série retrata mais de três décadas de transformações profundas na sociedade americana com enorme precisão.

A transição do final dos anos 1800 para o início dos anos 1900 — com a chegada da energia elétrica, dos automóveis e o impacto das guerras mundiais — é retratada de forma orgânica e fundamental para o amadurecimento dos personagens. Portanto, ao lado das atuações centrais, o trabalho estético e de direção de arte é um dos maiores destaques de A Leste do Éden.

Vale a pena assistir a A Leste do Éden na Netflix?

Sem dúvidas. É uma das melhores séries da Netflix neste ano — se não for a melhor — e merece ser assistida. Entregando atuações de altíssimo nível, uma trama angustiante, personagens fascinantes e um apuro técnico irretocável na reconstituição de época, a minissérie é uma obra indispensável para quem aprecia um drama psicológico denso e bem executado.

Charlie, Addam e Cathy em A Leste do Éden
A LESTE DO ÉDEN (2026)
Com Florence Pugh, A Leste do Éden, da Netflix, adapta a obra de John Steinbeck em um drama denso e impactante
4.5

Sobre o Autor

Leonardo Pereira
Leonardo Pereira
Jornalista. Repórter no Folha do Mate, podcaster no Na Tabela e HTE Sports. Pitacos sobre cinema e cultura pop no Entre Sinopses.
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