Review | Stranger Things 5 – Volume 3

Review | Stranger Things 5 – Volume 3

A Netflix trouxe, na virada de 2025 para 2026, o volume 3 da 5ª e última temporada de Stranger Things com o episódio de encerramento da série. Isolar o final da série para um lançamento dessa forma já colocou nele uma responsabilidade enorme nas costas.

Isso aliado à grandiosidade que a produção acabou tomando levou a uma clara divisão dos fãs. Afinal de contas, não seria fácil dar um ponto final a uma das séries mais populares da última década.

Mas será que o desfecho foi positivo? Vamos falar sobre isso a seguir neste review!

Leia aqui: o review do volume 1 de Stranger Things 5

Entregou… mas foi o suficiente?

Depois de assistir dá para ter duas certezas: a primeira delas é que o receio em imaginar se 2 horas seriam suficientes para resolver tudo era algo plausível, pois ficou evidente que faltou tempo para esclarecer tudo de forma satisfatória. Ao mesmo tempo, também não dá para dizer que não houve um fechamento digno para o que a série se propôs a fazer em sua trama principal.

O capítulo final reúne diálogos importantes, confrontos aguardados e resoluções que amarram arcos iniciados lá atrás, ainda na primeira temporada. Existe uma sensação constante de fechamento, de despedida mesmo, algo que a série trabalha bem ao longo do episódio. Os personagens estão mais maduros, carregam marcas do que viveram e isso aparece tanto nas falas quanto nas decisões que tomam.

Por outro lado, quando olhamos para a ameaça central, especialmente Vecna e o Devorador de Mentes, fica a impressão de que o embate final é mais simples do que deveria. Os protagonistas evoluíram, mas os vilões também deveriam ter acompanhado esse crescimento. As batalhas finais das temporadas 3 e 4 são mais impactantes e com maior sensação de perigo do que aqui, por exemplo.

Em alguns momentos, a derrota parece fácil demais para algo que foi tratado como o maior perigo que Hawkins já enfrentou. Isso enfraquece um pouco a sensação de risco que a série sempre soube construir tão bem.

Um acerto importante foi não tentar humanizar ou redimir Henry Creel e Vecna no final. A narrativa até flerta com essa possibilidade, mas recua no momento certo. Ele segue sendo cruel, manipulador e essencialmente maligno. Essa escolha respeita tudo o que foi apresentado até aqui e evita uma reviravolta que poderia soar forçada ou fora de tom.

Personagens esquecidos e furos, muitos furos de roteiro

Também é impossível ignorar que alguns personagens tiveram menos espaço nessa temporada final. O foco muito concentrado em certos núcleos acabou deixando amizades e relações importantes em segundo plano. Há pontas soltas, perguntas que ficam sem resposta e situações que parecem ter sido esquecidas no meio do caminho. Em uma série tão grande, isso acaba sendo quase inevitável, mas ainda assim pesa.

Foram muitos furos de roteiro e arcos esquecidos. Quanto mais parar para pensar nos erros, mais evidentes eles ficam. Tem coisa que simplesmente não dá para ignorar: cadê os demogorgons no final? O que aconteceu com os militares? Por que nada parece ter tido uma consequência real?

O final é lindo

Os 20 minutos finais, porém, se destacam na minha opinião. Ali Stranger Things encontra seu coração justamente por voltar àquilo que fez a série ser tão especial: sua simplicidade. Colocar os personagens principais para uma última campanha de Dungeons & Dragons, fazendo um paralelo com o primeiro episódio, é lindo e dá a despedida ideal para as crianças que acompanhamos crescer. Dá para dizer que ali não eram apenas os personagens, mas também os atores se despedindo essa fase da vida deles que chegou ao fim.

É um retorno simbólico às origens, simples, nostálgico e muito eficaz. Fecha o ciclo de maneira honesta, lembrando que, antes de monstros e mundos paralelos, Stranger Things sempre foi sobre amizade.

E o final de Eleven?

O destino de Eleven é a grande ambiguidade que o final deixou para o público e o que vai motivar anos e anos de debate. Ela morreu se sacrificando mesmo? Ou a história que Mike conta no fim não é apenas uma invenção? Há evidências e elementos que apontam para os dois lados.

Os Irmãos Duffer já estão falando aos montes sobre, os fãs já estão criando teorias, enxergando detalhes, buscando informações. Isso mostra que Stranger Things acabou, mas as discussões sobre a série vão durar e isso é uma das marcas mais importantes que a produção deixa: não se torna algo esquecível.

Stranger Things tem um final digno

No fim das contas, Stranger Things termina de forma satisfatória. Talvez não perfeita, talvez não do jeito que todo mundo imaginou, mas coerente com sua trajetória. Foram 10 anos acompanhando esse universo, esses personagens e essa história. E isso, por si só, já faz desse final algo especial.

https://www.youtube.com/shorts/L7EDygljCXc?feature=share

Sobre o Autor

Heider Mota
Heider Mota
Baiano, 29 anos, jornalista. Gosto de dar meus pitacos sobre filmes e séries por aqui.

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